Governo propõe elevar mistura de etanol para 32% na gasolina para conter pressão nos preços dos combustíveis
O governo federal anunciou que irá submeter ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) uma proposta para elevar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina dos atuais 30% para 32%, percentual conhecido como E32. A medida deverá ser analisada pelo conselho nas próximas semanas e representa mais um passo na estratégia de ampliação do uso de biocombustíveis na matriz de transportes brasileira.
A proposta surge pouco mais de um ano após a entrada em vigor do E30. Em junho de 2025, o CNPE aprovou o aumento da mistura de etanol na gasolina de 27% para 30%, mudança que passou a valer em agosto daquele ano.
Segundo representantes do setor, os estudos técnicos realizados até o momento indicam que a elevação para 32% é viável e pode trazer benefícios econômicos, energéticos e ambientais. A medida está alinhada aos objetivos da Lei do Combustível do Futuro, que busca ampliar a participação dos combustíveis renováveis na matriz energética nacional.
Entre os efeitos esperados está a redução da necessidade de importação de gasolina. A estimativa apresentada durante o anúncio é de uma economia de aproximadamente 450 milhões de litros de combustível fóssil importado, reforçando a segurança energética do país em um cenário de volatilidade internacional nos mercados de petróleo.
O setor sucroenergético também vê potencial para redução dos custos ao consumidor. De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), o etanol mantém vantagem de preço em relação à gasolina em diversas regiões do país, o que tende a contribuir para um combustível mais competitivo nas bombas.
“Hoje, o litro do etanol custa em média R$ 2,40 menos do que o litro da gasolina. Ou seja, um aumento da mistura de 2% vai trazer uma redução equivalente a essa para o consumidor”, explicou o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), Evandro Gussi.
Ele acrescentou que desde o início do conflito no Irã, a diferença de preço entre etanol e gasolina gerou uma economia de cerca de R$ 2 bilhões aos consumidores brasileiros e evitou o gasto de R$ 8 bilhões do país com importações de gasolina.
Sobre os debates em torno do comportamento dos motores com a nova composição do combustível, Gussi garante a viabilidade técnica da mudança e destacou que a mistura de 32% já foi testada com sucesso quando houve o aumento para 30%, em junho do ano passado.
Além dos impactos econômicos, a ampliação da mistura é defendida como uma ferramenta para reduzir as emissões de gases de efeito estufa no transporte. O etanol brasileiro é considerado uma das alternativas renováveis de menor intensidade de carbono e desempenha papel relevante nas metas de descarbonização do país.
Representantes da cadeia produtiva destacam ainda que a demanda adicional por etanol poderá estimular novos investimentos no setor. A expectativa é de crescimento da produção nos próximos anos, sustentado pelo avanço da oferta de cana-de-açúcar e pela expansão da produção de etanol de milho.
Caso a proposta seja aprovada pelo CNPE, o Brasil dará mais um passo na ampliação do uso de combustíveis renováveis, consolidando sua posição como uma das principais referências mundiais na utilização de etanol em larga escala.
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