E32 temporário pode elevar demanda por etanol anidro em 1 bilhão de litros ao ano e reforça expectativa para o setor

Publicado em 16/07/2026 09:34 e atualizado em 16/07/2026 14:07
Mistura de 32% de etanol anidro na gasolina entra em vigor por 180 dias a partir de agosto e deve impulsionar o consumo do biocombustível, reduzindo a necessidade de importação de gasolina.

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A aprovação temporária da mistura de 32% de etanol anidro na gasolina (E32) pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) abre uma nova perspectiva para o mercado sucroenergético. Com vigência inicial de 180 dias a partir de agosto, a medida deve ampliar a demanda pelo biocombustível e fortalecer a participação do etanol na matriz energética brasileira.

A expectativa é que, caso a mistura seja mantida em definitivo, o consumo de etanol anidro aumente em aproximadamente 1 bilhão de litros por ano em relação ao E30 atualmente previsto, o equivalente a um crescimento de cerca de 6% na demanda anual pelo combustível.
A projeção é da especialista em precificação de etanol da Argus, Maria Ligia Barros, com base nas estimativas de consumo de gasolina C elaboradas pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia.

Setor vê avanço para segurança energética

Em nota, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) afirmou que a decisão representa mais um passo na consolidação da política de biocombustíveis do país, construída ao longo das últimas décadas.

Segundo a entidade, o aumento da mistura obrigatória amplia a participação de uma fonte renovável produzida no Brasil, reduzindo a dependência das importações de combustíveis fósseis e aumentando a previsibilidade do abastecimento.

A UNICA estima que, com a adoção do E32, o Brasil poderá deixar de importar cerca de 800 milhões de litros de gasolina por ano, diminuindo a exposição às oscilações do mercado internacional.

Outro ponto destacado pela entidade é o impacto econômico para os consumidores. De acordo com a nota, durante a recente alta das tensões no Oriente Médio, a presença do etanol no mercado interno ajudou a conter o aumento dos preços dos combustíveis.

"Sem a presença do renovável no mercado nacional, o custo dos combustíveis teria aumentado em R$ 8 bilhões nos últimos três meses ou quase R$ 32 bilhões por ano com a importação de gasolina mais cara", destacou a associação.

Produção tem capacidade para atender expansão

Na avaliação da UNICA, o setor sucroenergético já reúne condições para atender ao crescimento da demanda.

A entidade afirma que somente na atual safra a produção de etanol poderá crescer até 4 bilhões de litros, impulsionada pela entrada em operação de novas plantas de etanol de milho e pela expansão da oferta nas usinas de cana-de-açúcar.

Além disso, a associação ressalta que a viabilidade técnica da mistura foi avaliada dentro do programa Combustível do Futuro. Estudos conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia indicam que teores mais elevados de etanol podem ser utilizados sem impactos relevantes no desempenho, consumo ou dirigibilidade dos veículos, inclusive nos modelos não flex.

Para o presidente da UNICA, Evandro Gussi, a ampliação da mistura fortalece uma das principais vantagens competitivas do Brasil no cenário energético mundial.

"Além dos ganhos em segurança energética e competitividade, o E32 reforça uma das principais vantagens estratégicas do Brasil: a capacidade de expandir o uso de combustíveis renováveis em larga escala. Estamos falando de uma solução que reduz emissões, gera emprego e renda no interior do país e fortalece uma cadeia produtiva na qual o Brasil é referência mundial. Poucos países reúnem as condições que o Brasil possui para avançar simultaneamente em segurança energética, descarbonização e desenvolvimento econômico", afirmou.

Medida será avaliada durante período de testes

A autorização do E32 terá validade inicial de 180 dias, período em que serão acompanhados os efeitos da nova mistura sobre o abastecimento e o mercado de combustíveis. Ao final desse prazo, o governo deverá avaliar os resultados antes de decidir pela adoção definitiva da medida.
Para o setor sucroenergético, a expectativa é de que o aumento da participação do etanol na gasolina consolide uma demanda estrutural maior pelo biocombustível, ampliando o espaço para investimentos na produção tanto de etanol de cana quanto de milho.
 

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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