Produtores de etanol de cana investem em usinas híbridas para trabalhar também com milho durante a entressafra

Aplus, uma das maiores empresas de projetos de engenharia em biocombustíveis do País, líder no segmento de etanol de milho, têm contratos em andamento com Atvos e Aroeira, e outros cinco em negociação na Região Sudeste
Publicado em 29/09/2026 15:43

Usinas produtoras de etanol de cana-de-açúcar estão buscando no milho uma alternativa para rodar também na entressafra, diluir custos fixos e aumentar a rentabilidade. A Aplus, uma das maiores empresas de projetos de engenharia em biocombustíveis do País, líder no segmento de etanol de milho, tem dois contratos em andamento, com Atvos e Aroeira, e cinco em fase de negociação, com nomes sob sigilo.

O que explica o movimento, de acordo com Alessandro Salvador, sócio-fundador e diretor comercial da Aplus, é a complementaridade entre as duas culturas. A produção de etanol a partir da cana tem como rejeito o bagaço, usado para alimentar caldeiras e gerar energia e vapor. O excedente costuma ser vendido como biomassa, frequentemente para plantas de etanol de milho, por preços elevados. As usinas de cana-de-açúcar, porém, só funcionam no período da safra, porque a cana precisa ser moída assim que é colhida. As usinas de etanol de milho, por outro lado, rodam o ano inteiro, porque o milho é armazenável, permitindo o melhor aproveitamento da estrutura administrativa, de laboratórios e armazenamento.

Outra vantagem é o investimento médio, afirma o cofundador da Aplus. Salvador cita o exemplo concreto de uma nova planta de etanol, construída a partir do zero para um dos clientes, que saiu por volta de R$ 1,4 bilhão. Já a usina de etanol de milho construída depois, ao lado, custou cerca de R$ 900 milhões. Entre as empresas que já adotam o modelo estão Cerradinho, São Martinho e Coprodia. “É uma diferença bastante significativa, que permite o melhor aproveitamento da infraestrutura administrativa; abre novas fontes de receita, com subprodutos como o DDG, usado em ração animal, e o óleo de milho, e garante uma receita mais estável ao longo do ano, com maior rentabilidade”, diz o empresário.

O contrato com a Aroeira prevê a elaboração do projeto de engenharia detalhado de toda a usina de etanol de milho, das obras civis à planta industrial, que será construída pela empresa, ao lado da de cana. Com a expansão, poderá rodar o ano inteiro. Em processo de expansão semelhante, a Aplus está ajudando a Atvos com o projeto de engenharia de uma nova unidade, que será construída ao lado da atual.

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