Abate de bovinos atinge recorde para um segundo trimestre, aponta IBGE

Processamento chegou a 10,72 milhões de cabeças entre abril e junho; exportações cresceram em volume, preço médio e receita na comparação anual
Publicado em 15/09/2026 11:28

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O abate de bovinos no Brasil alcançou 10,72 milhões de cabeças no segundo trimestre de 2026, estabelecendo um novo recorde para o período, segundo dados preliminares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), compilados pela Terra Investimentos.

O resultado representa crescimento de 1,3% em relação ao segundo trimestre de 2025 e avanço de 4% na comparação com os três primeiros meses deste ano. Os números confirmam a manutenção de uma oferta elevada de animais para a indústria frigorífica, mesmo após os fortes volumes registrados ao longo do último ano.

O aumento dos abates também foi acompanhado pela expansão da produção. Entre abril e junho, o peso total das carcaças bovinas chegou a 2,76 milhões de toneladas, alta de 3% na comparação anual e de 4,4% frente ao primeiro trimestre de 2026.

O crescimento do peso das carcaças acima da elevação registrada no número de animais abatidos indica uma melhora no peso médio dos bovinos processados. Esse movimento pode estar relacionado, entre outros fatores, à maior participação de animais terminados em sistemas mais intensivos e ao desempenho produtivo dos lotes encaminhados aos frigoríficos.

Exportações ampliam sustentação ao mercado

A demanda externa teve papel importante no escoamento da produção brasileira durante o segundo trimestre. As exportações de carne bovina in natura somaram 793,3 mil toneladas, volume 13,2% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

A receita avançou de maneira ainda mais expressiva, alcançando US$ 5,10 bilhões, crescimento anual de 39,4%. O faturamento foi impulsionado não apenas pelo aumento dos embarques, mas também pela valorização do produto brasileiro no mercado internacional.

O preço médio da carne bovina exportada ficou em US$ 6.433,70 por tonelada, alta de 23,1% em relação ao segundo trimestre do ano passado.

Na avaliação de Geraldo Isoldi, da Terra Investimentos, a combinação entre maior volume exportado e preços médios mais elevados contribuiu para ampliar a receita dos embarques e oferecer suporte à cadeia pecuária em um trimestre marcado por recorde no abate.

Fêmeas respondem por quase metade do abate

O abate de fêmeas totalizou 5,26 milhões de cabeças entre abril e junho, correspondendo a 49% de todos os bovinos processados no país.

Apesar de permanecer elevada, a quantidade de fêmeas abatidas recuou 1,9% na comparação com o segundo trimestre de 2025. Em relação aos três primeiros meses de 2026, no entanto, houve aumento de 2%.

A participação próxima da metade do abate nacional mantém a atenção do mercado sobre o ciclo pecuário. O descarte expressivo de matrizes e novilhas pode limitar a capacidade de reposição do rebanho nos próximos anos, embora a redução anual já possa indicar uma mudança gradual na composição da oferta.

Mato Grosso mantém liderança nacional

Mato Grosso permaneceu como o principal estado brasileiro no abate de bovinos, respondendo por 16,9% do total nacional no segundo trimestre.

Na sequência aparecem São Paulo, com 12,2%, Goiás, com 10%, e Minas Gerais, com 9,3%. Juntos, os quatro estados concentraram 48,4% dos bovinos abatidos no país durante o período.

Os dados mostram que a indústria frigorífica brasileira entrou no segundo semestre sustentada por uma oferta ainda robusta de animais e por uma demanda internacional aquecida. Para o pecuarista, o comportamento das exportações será decisivo para absorver a produção e ajudar na sustentação dos preços, especialmente diante do elevado volume de carne colocado no mercado.

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