Cuidados nas primeiras horas de vida dos bezerros são decisivos para a saúde do rebanho

Colostro, cura do umbigo, higiene e acompanhamento do animal estão entre as medidas que ajudam a prevenir doenças e reduzir perdas na propriedade
Publicado em 22/09/2026 15:27

Os cuidados adotados nas primeiras horas de vida dos bezerros são fundamentais para reduzir o risco de doenças e favorecer o desenvolvimento saudável dos animais. Com pouca proteção imunológica ao nascer, o bezerro depende de um manejo adequado para sobreviver e crescer. Entre as principais medidas necessárias estão o fornecimento de colostro de boa qualidade, a cura do umbigo, a higiene e a proteção contra frio e umidade.

“O bezerro nasce com pouca proteção imunológica e, por isso, os cuidados logo após o nascimento fazem muita diferença. É importante verificar a respiração, garantir que ele consiga mamar, fornecer o colostro o mais cedo possível e fazer a cura do umbigo, além de manter o animal em um ambiente limpo e seco”, explica Gibrann Frederiko, médico veterinário e promotor de vendas da Nossa Lavoura.

O colostro é uma das prioridades por fornecer anticorpos, energia, proteínas, vitaminas e fatores de crescimento. A capacidade do organismo de absorver esses anticorpos é maior logo após o nascimento. Quando o fornecimento é inadequado, aumentam os riscos de diarreia, pneumonia e infecções, além de problemas como menor crescimento, maior mortalidade e pior desempenho futuro.

A cura do umbigo também exige atenção, pois a estrutura umbilical é uma porta de entrada para bactérias, podendo levar a infecções graves quando não recebe os cuidados necessários. O procedimento deve ser realizado logo após o nascimento, com produto apropriado e recomendado, atingindo toda a estrutura umbilical e sendo repetido conforme o protocolo. O local também deve ser observado diariamente para identificar sinais como inchaço, secreção ou mau cheiro.

“A vermifugação também deve ser considerada no manejo dos bezerros, levando em conta a idade, o ambiente, a categoria animal e o histórico da propriedade. A medida contribui para reduzir perdas de nutrientes, atraso no crescimento e contaminação das pastagens, além de ajudar a evitar a resistência dos parasitas aos medicamentos”, recomenda o médico veterinário.

Além dos cuidados com o colostro, o umbigo e o controle de verminoses, o ambiente e a rotina de manejo também contribuem para a prevenção de problemas nessa fase. Para os bezerros de corte, é importante verificar a mamada do colostro, adequar os pastos maternidade, garantir acesso à água e manter vigilância constante. “As instalações devem ser limpas, secas, ventiladas e protegidas de correntes de ar. O leite ou sucedâneo precisa ser fornecido em quantidade, horários e condições higiênicas adequadas, enquanto mamadeiras, baldes e outros utensílios devem ser higienizados após cada uso”, reforça.

O produtor ainda deve estar atento às alterações no comportamento e na condição dos animais. “Falta de apetite, dificuldade para mamar, apatia e isolamento são sinais importantes, assim como diarreia, tosse, secreção nasal e respiração acelerada. Quanto mais cedo um problema é reconhecido, maiores são as chances de recuperação. Por isso, a observação deve fazer parte da rotina da fazenda, permitindo identificar alterações e buscar o tratamento correto”, orienta Gibrann.

Falhas no manejo dos primeiros dias de vida podem ter consequências que vão além desse período. Doenças neonatais podem causar atraso no crescimento e menor eficiência alimentar, além de aumentar a idade ao primeiro parto, ao abate ou à entrada na reprodução. Infecções graves também podem deixar sequelas, provocar descarte precoce ou levar à morte, com impacto na produtividade e na rentabilidade do rebanho.

“A prevenção começa antes mesmo do nascimento, com a atenção à nutrição e à sanidade das matrizes e a preparação de um local de parto limpo, seco e protegido. Depois do nascimento, ter um manejo padronizado, acompanhar o bezerro todos os dias e registrar nascimentos, doenças, tratamentos e mortes ajuda o produtor a identificar problemas e reduzir perdas”, conclui Gibrann.

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