Gado mexicano volta aos EUA, mas retomada segue concentrada em uma rota

Levantamento da Pasto & Mercado aponta entrada de 8.450 animais na última semana, com 76% das travessias pela região de Douglas; retorno reforça a reposição americana
Publicado em 14/10/2026 15:51 | Atualizado em 14/10/2026 18:33


Os Estados Unidos receberam 8.450 bovinos de recria do México na semana passada, com média de 1.690 cabeças por dia, segundo informações levantadas por Rodrigo Costa, da consultoria Pasto & Mercado. Embora as travessias tenham sido retomadas em Douglas, no Arizona, e Santa Teresa, no Novo México, a movimentação permanece concentrada: Douglas respondeu por 76% dos animais.

As compras haviam sido suspensas devido ao avanço da bicheira no México, infestação que prejudica o desempenho dos animais. O USDA autorizou a reabertura gradual após avaliar as medidas de controle sanitário nas regiões fornecedoras, mantendo a inspeção obrigatória dos bovinos na fronteira. 

Santa Teresa registrou média de apenas 410 cabeças por dia na semana analisada. O quadro mostra que a reabertura dos dois pontos de passagem ainda não se traduziu em uma distribuição mais equilibrada do fluxo de gado.

Para a pecuária americana, o retorno dos animais mexicanos ajuda a recompor o abastecimento da recria e da engorda. Entretanto, gado cruzando a fronteira hoje não significa carne disponível imediatamente: esses animais ainda precisam ganhar peso antes de chegar ao abate.

Reposição recebe reforço, mas efeito sobre a carne vem depois

A entrada de bovinos mexicanos amplia as alternativas de compra para os produtores americanos. Se o fluxo crescer e ganhar regularidade, poderá aliviar parte da disputa por animais de reposição e contribuir para o abastecimento dos confinamentos.

Esse efeito depende da continuidade das importações, do volume recebido e do estágio de desenvolvimento dos animais. O total de uma semana, isoladamente, não permite concluir que o abastecimento esteja normalizado ou que haverá uma recuperação rápida da produção de carne.

Também é importante separar dois movimentos: importar animais ajuda a alimentar a produção futura; importar carne atende à necessidade de abastecimento mais imediato. Por isso, a retomada das travessias não elimina automaticamente a demanda americana por carne de outros países.

Concentração em Douglas exige atenção

A participação de 76% de Douglas mostra que a recuperação do comércio ainda depende principalmente de uma rota. Santa Teresa voltou a operar, mas permanece com uma parcela menor da movimentação.

Os números apresentados não permitem identificar a causa dessa diferença. Ainda assim, a concentração torna o fluxo mais sensível a eventuais interrupções no principal ponto de passagem. Para avaliar a consistência da retomada, será necessário acompanhar tanto o total semanal quanto a evolução das entradas por Santa Teresa.

A questão sanitária continua determinante: o USDA prevê a possibilidade de pausar as operações caso identifique aumento do risco de disseminação da bicheira. Assim, a continuidade das compras depende também da manutenção das condições sanitárias exigidas pelos americanos. 

Para o Brasil, o avanço das importações de gado mexicano merece acompanhamento porque pode contribuir para a recuperação da oferta americana de carne ao longo do tempo. Caso essa entrada cresça de forma sustentada, os Estados Unidos poderão reduzir parte da pressão sobre o abastecimento externo.

Por enquanto, o levantamento indica a retomada de uma fonte de reposição, sem demonstrar que a escassez americana esteja resolvida. Para o setor exportador brasileiro, o ponto decisivo será observar quando e em que intensidade esses animais se converterão em abates — e se essa produção adicional será suficiente para diminuir a necessidade de carne importada.

Com informações da Consultoria Pasto & Mercado

*Com auxílio de IA

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