Café: Preços mais baixos e sem perspectiva de recuperação no curto prazo

Publicado em 04/04/2013 16:26 926 exibições
Desde o ano passado os preços futuros do café recuaram cerca de 30% na Bolsa de Nova Iorque (Ice Futures) e não há perspectiva de recuperação dos valores no curto prazo, conforme destaca o analista de mercado, Diogo Metzdorff. Recentemente, a commodity perdeu o patamar de suporte de 1,40 centavos de dólar por libra peso e irá testar a linha de 1,30 centavos de dólar por libra peso.

 As cotações futuras seguem pressionadas pela expectativa de uma grande produção brasileira de café neste ano. Segundo dados da Conab (Companhia Nacional do Abastecimento) a safra do país deve alcançar 48,57 milhões de sacas, volume pouco menor do que registrado no ano anterior, de 50,83 milhões de sacas. Além disso, a demanda global pelo grão está mais acomodada em função das incertezas no cenário econômico mundial. 

“Por outro lado, há a produção colombiana que dá indícios de uma safra boa, após três anos de quebras. No Brasil, a boa florada da safra 13/14 também contribui para exercer pressão negativa nos preços em NY”, explica o analista.

E as recentes baixas registradas no mercado físico brasileiro têm sido atribuídas ao recuo nos preços no mercado internacional. Em várias regiões do país a saca do grão está sendo comercializada abaixo dos custos de produção. No Sudoeste de Minas Gerais, por exemplo, a saca é negociada a R$ 275,00 e os custos de produção por saca é de R$ 350,00, segundo informa o cafeicultor e advogado, Julgacy José Gonçalves.

“Uma saca de café arábica produz em torno de 3.000 xícaras de café, que é comercializada nas padarias e cafeterias por no mínimo de R$ 2,00 cada xícara. Isso totaliza R$ 6.000,00 por saca de 60 kg, que é paga ao produtor pelo preço de R$ 300,00. O custo de produção dessa mesma saca de café na montanha, que representa mais de 50% do café produzido no sul de minas, é de no mínimo de R$ 350,00”, relata o produtor.

Frente a esse cenário, os cafeicultores brasileiros estão desanimados e, consequentemente, o ritmo de negociação é lento no mercado interno. O analista de mercado destaca que os produtores estão retraídos, postergando as negociações à espera de preços melhores. 

“O mercado internacional de café pode registrar repiques de alta, caso a safra da América Central apresente perdas em função da ferrugem nos cafezais. Os cafeicultores devem estar atentos a esse quadro, e também não deixar acumular as duas safras 2012/13 e 13/14 para comercializar de uma só vez, pois essa situação poderia pressionar negativamente os preços no mercado”, acredita Metzdorff.

Ainda na visão do produtor seria necessária a intervenção do Governo no setor uma vez que grande parte dos cafeicultores está endividada. “Vimos recentemente o Governo concedendo incentivos às montadoras de carro através da redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), ou seja, concessão de incentivos a empresas multinacionais. Por outro lado, aos cafeicultores de montanhas, que são todos nacionais, até o presente momento não têm nenhum incentivo”, completa Gonçalves.
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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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