Café: NY fecha em alta e contratos mais líquidos se aproximam dos 180 cents

Publicado em 27/03/2014 18:17 791 exibições

O café arábica encerrou a sessão com pequenas altas na Bolsa de Nova Iorque (Ice Futures US), nesta quinta-feira (27). A maior parte dos contratos já recuperou o patamar dos 180 centavos de dólar a libra-peso, com exceção dos vencimentos maio e julho.

O vencimento maio fechou em 176,35 cents a libra-peso, com alta de apenas 35 pontos. O contrato para entrega em julho encerrou em 178,30 cents e alta de 30 pontos. Já os vencimentos setembro e dezembro fecharam, respectivamente, com 180,25 cents e 182,55 centavos de dólar / libra-peso. 

De acordo com informações publicadas hoje pela trader sul-americana I & M Smith, o mercado do café já começa a observar os efeitos de um possível El Niño sobre a safra brasileira, no segundo semestre. A previsão é que, a partir de maio, o país registre excesso de chuvas e geadas, que poderão reduzir ainda mais a produtividade da safra já prejudicada pela seca prolongada. 

Fernando Barbosa, presidente do Conselho Regional de Café da região de Guaxupé-MG, afirma que as previsões para o fenômeno climático já começam a preocupar o produtor brasileiro. “Um El Niño nesta época não é nada bom para a cafeicultura... Se chover muito durante as colheitas, a perda é certa, porque faz com que os frutos encham e caiam com mais facilidade”. 

O café bebida dura, tipo 6, voltou a sofrer quedas no mercado interno. Em Maringá-PR, a saca de 60 kg vale R$ 380, depois de registrar queda de 1,30%. Em Franca-SP a queda foi de 3,66% e a saca é comercializada a R$ 395,00. A única praça que registrou alta nesta quinta-feira foi Varginha-MG, onde a saca vale R$ 425,00, com alta de 1,19%.    


El Niño: Excesso de chuvas e geadas podem prejudicar a safra brasileira de café, informa I&M Smith

As previsões de ocorrência do fenômeno El Niño no segundo semestre já começam a mexer com o mercado de café, de acordo com a trader sul-africana I & M Smith, especializada na commodity. A Federação Colombiana de Café observa a tendência como algo positivo, pois um clima mais seco poderá ajudar no combate da ferrugem e garantir uma safra de pelo menos 11,5 milhões de sacas em 2014.    

Já para o Brasil e outros países mais ao Sul, a previsão é que o fenômeno traga chuvas excessivas, o que poderia atrapalhar as colheitas, que começam em maio. O mercado já especula que o El Niño também poderá provocar geadas nas áreas produtivas mais ao Sul do Brasil.

Por outro lado, as chuvas poderiam favorecer o início da nova safra brasileira de café, entre setembro de 2014 e abril de 2015, e garantir uma boa florada. 

Tamanho da safra brasileira intriga o mercado
A grande questão atual para o mercado internacional do café continua sendo o tamanho do estrago que a seca prolongada causou à safra brasileira de 2014. Minas Gerais, o maior estado produtor de café, registrou entre 10% a 33% do volume de chuvas normais para janeiro e 8% a 28% para fevereiro. A seca continua se estendendo pelo mês de março. 

A trader I&M Smith também ressalta os danos que a seca prolongada poderá causar à safra 2015, explicando que, além da falta de chuvas, os efeitos do calor excessivo poderão ser notados depois de setembro, na nova safra. “Apenas nesta época saberemos qual será a verdadeira perda para os grãos, qual volume ficará completamente comprometido e qual volume será aproveitado”. 

A I&M Smith também adianta que, provavelmente, um grande volume de café arábica brasileiro será de grãos muito pequenos, que só poderão ser usados para a produção de café solúvel.         
   
Produção da Colômbia
A produção de arábica da Colômbia está atingindo seu ponto máximo de recuperação depois de ter passado por anos consecutivos de problemas climáticos e doenças como a ferrugem-do-café. Segundo a trader, a produção da América Central deve aumentar este ano, já que suas áreas de café replantado estão começando a produzir, o que pode representar pelo menos três safras consecutivas cheias, sem considerar possíveis problemas climáticos. A meta do país é produzir 14 milhões de sacas até 2016. 

Apesar da previsão de safra cheia a da recente recuperação nos preços da commodity na Bolsa de Nova Iorque e dos subsídios oferecidos pelo governo da Colômbia, os cafeicultores colombianos se dizem insatisfeitos e se preparam para participar de um protesto nacional, chamado “Pela dignidade dos cafeicultores”, que deve acontecer dia 28 de abril. Mas este deve ser um protesto menor e, segundo a I&M Smith, não deve causar tanto alvoroço como aconteceu durante as duas semanas de protesto em fevereiro de 2013. 

Os preços atuais do arábica permitem que os cafeicultores da América Central invistam em medidas de controle para combater  ferrugem e na aplicação de fertilizantes, o que poderá contribuir para safras ainda maiores. 

Este cenário, segundo a trader, poderá causar alguma influência negativa sobre os preços na commodity em Nova Iorque, a longo prazo, mas por enquanto o mercado reflete a quebra da safra brasileira de arábica, por isso os preços devem se manter sustentados pelo menos até o primeiro trimestre de 2015. 

Arábica x robusta
Com os preços do arábica em alta e do robusta em queda, torrefadoras estão privilegiando o robusta em blends de café, o que, em longo prazo, pode voltar a elevar os preços desta última variedade, que é negociada pela Bolsa de Londres.  

Informações: I & M Smith

Tradução: Fernanda Bellei

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Por:
Fernanda Bellei
Fonte:
Notícias Agrícolas

1 comentário

  • victor angelo p ferreira victorvapf nepomuceno - MG

    Hoje um produtor rural lá no Banco do Brasil, me disse que tem gente já limpando café e que pra fazer uma saca estáo gastando vinte balaios ao invés de dez como foi no ano passado... Só aí, se for confirmada a informação, vamos gastar no mínimo 200 reais só pra apanhar...É bom rever o custo para o produtor, tendo em vista esta seca, em plena época das "águas"...

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