Café: Contratos perdem até 270 pontos com previsões de chuvas no Brasil

Publicado em 31/03/2014 17:52 e atualizado em 31/03/2014 18:27 534 exibições

O clima no Brasil continua sendo o principal fator de observação do mercado do arábica. Nesta segunda-feira (31) a maior parte dos contratos tiveram quedas acima dos 200 pontos na Bolsa de Nova Iorque (Ice Futures US). Agências internacionais de notícias informam que a queda nos preços foi provocada pelas previsões de chuvas para a região produtora brasileira.

O vencimento maio perdeu o patamar dos 180 cents e fechou em 177,90 centavos de dólar por libra-peso, com queda de 270 pontos. Os contratos para entrega em julho tiveram queda de 260 pontos e fecharam em 180 cents / libra-peso.

Previsão de chuvas
A previsão de chuvas no Brasil é apontada pelo site de economia Business Recorder como o motivo para as quedas nas cotações em NY. As notícias teriam estimulado as vendas de posições, mas o mercado estava a caminho de finalizar o primeiro trimestre com 60% de alta sobre os preços, o que seria a melhor performance trimestral desde 1997. 

O Business Recorder também informa que os futuros do arabica subiram por volta de 80% em sete semanas e atingiram a maior alta em duas semanas no dia 11 de março, no maior rally desde 1996, depois que o clima extremamente seco e quente, em janeiro e fevereiro, estimulou analistas a reduzirem suas expectativas de safra cheia para o Brasil. Depois de sucessivas altas, o mercado estaria, agora, equalizando os ganhos, com as notícias de que chuvas chegaram ao cinturão do café, ainda que estejam abaixo da média para o período. Os prejuízos à safra não serão conhecidos com exatidão antes que a colheita comece, segundo os negociadores.      

Safra brasileira e estoques de passagem
“O tamanho da próxima safra brasileira de café, que começa no próximo mês, ainda é bastante discutido”, afirma o analista de mercado Eduardo Carvalhaes. Ele diz ainda que o tamanho dos estoques de passagem também influenciam os preços. “A previsão é de estoques pequenos, mas os números são conflitantes, só saberemos depois da divulgação do levantamento da Conab”.

Carvalhaes destaca ainda que outros fatores devem dar suporte aos preços. “Acabou o verão, e o inverno é sempre um perigo para a produção de café, pois estamos entrando em um período mais seco... Tudo isso pode afetar ainda as lavouras”.

A trader sul-africana I&M Smith também reforçou hoje que o clima mais quente que o normal, que prevaleceu no Brasil nas primeiras semanas do ano, contribuiu para acelerar o desenvolvimento das cerejas de café em algumas das principais regiões produtoras.

Mercado físico
No Brasil, o café tipo 6, bebida dura, também registrou algumas quedas. A saca de 60 kg teve queda de 2,39% em Guaxupé-MG, onde é comercializada a R$ 408,00. Em Poços de Caldas-MG, a queda foi de 2,50% e a saca caiu para R$ 390,00. 


Confira as notícias divulgadas hoje pelo CNC - Conselho Nacional do Café:

Clima antecipa colheita de café arábica e robusta no Brasil

A colheita de café arábica e robusta começará este ano entre 15 e 25 dias mais cedo do que o normal no Brasil, maior produtor global da commodity, com condições climáticas diversas gerando uma antecipação dos trabalhos, disseram técnicos do setor produtivo.

Algumas poucas áreas, incluindo as de café arábica, já registram uma atípica atividade de colheita, mas os volumes colhidos são insignificantes, acrescentaram especialistas ouvidos pela Reuters, ressaltando que isso não pode ser classificado como uma largada para os trabalhos.

No caso do arábica, a severa seca dos últimos meses antecipa a colheita, que estará mais intensa já no início de maio no sul de Minas Gerais, principal Estado produtor do Brasil --normalmente isso ocorre somente no final de maio.

Já os produtores do robusta (ou conilon) --variedade que tradicionalmente é colhida antes do arábica devido à fenologia-- deverão começar para valer a colheita em meados de abril, quando isso seria feito somente no início de maio, após chuvas abundantes terem antecipado as floradas e favorecido a formação do grão.

A produção do robusta, entretanto, representa apenas cerca de 25 por cento da safra nacional de café, e está basicamente concentrada no Espírito Santo, enquanto a colheita de arábica, que responde pela maior parte da produção brasileira, está espalhada por Minas Gerais, São Paulo e Paraná, entre outros Estados.

"Ela (colheita do arábica) deve antecipar, na primeira semana de maio começa... Com essa seca, o café acabou antecipando todo o ciclo, granando mais cedo... O estresse da planta acabou desencadeando o processo de maturação", afirmou o coordenador do programa de Cafeicultura da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Gladyston Carvalho.

Estragos – Se a seca deverá antecipar a colheita, potencialmente adiantando uma tradicional pressão sazonal aos preços globais, ela já causou estragos irreversíveis nas principais regiões produtoras de café arábica, levando as cotações do produto na bolsa de Nova York a uma máxima em dois anos no início de março.

Segundo o especialista Epamig, órgão do governo de Minas, as cultivares mais precoces já têm de 20 a 30 por cento de frutos maduros, quando normalmente elas entrariam em maturação em maio.

"Este ano, pela condição climática, vai ter antecipação em várias regiões, o café vai chegar mais cedo... Não é 'aquele' café, porque o começo da apanha sempre tem um percentual de verde, um percentual maior de café com defeito", afirmou.

Carvalho disse ainda que os números de perdas pela seca "continuam assustadores", mas ainda não há levantamentos disponíveis que determinem com exatidão a dimensão dos prejuízos. "O café está menos pesado, muito chocho, só tem casca, fruto mal granado, grão miúdo. O produtor gastará muito volume para fazer a mesma saca."

Segundo o diretor técnico da Cooparaiso, cooperativa do Sul de Minas Gerais, Paulo Sérgio Elias, em algumas regiões mais quentes, próximas à represa de Furnas, "o pessoal está fazendo uma tentativa de colheita", mas os grãos aparentemente maduros não têm frutos.

"Existe uma expectativa de antecipar sim em 15 dias a colheita deste ano... Infelizmente, com o problema climático, o café acaba amadurecendo, de forma indevida, mas mais cedo", disse o diretor técnico da Cooparaiso, Paulo Sérgio Elias.

O café que floresceu mais tarde, na parte mais sombreada da planta, e teve enchimento de grãos em fevereiro, pode apresentar melhor produtividade do que os frutos de ponteiro, com amadurecimento precoce, afirmou Elias.

Espírito Santo – Nas lavouras capixabas, há registro de alguma colheita, mas o volume colhido de robusta não chega a 1 por cento da produção da região, disse o gerente-geral da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel da Palha (ES), Edimilson Calegari.

Segundo ele, a intensificação da colheita só começa em meados de abril, e o volume colhido, diferentemente do que aconteceu nas áreas de café arábica, será superior o registrado em 2013, quando uma seca afetou as lavouras.

"Tivemos muita chuva no período de dezembro e janeiro, justamente no período da formação do grão. Não teremos uma boa safra como em 2012, mas vai ser melhor que em 2013", disse Calegari.

A cooperativa espera receber pouco mais de 1 milhão de sacas em 2014 (contra 860 mil sacas em 2013), o que representa cerca de 10 por cento da produção da região, que responde pela maior parte da safra capixaba.


Conab começa pesquisas de estoques de café

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) já começou a distribuir os boletins para a realização do levantamento de estoques privados de café deste ano. A pesquisa, realizada anualmente, vai apontar os estoques do café arábica e do conilon no fechamento da safra 2012/2013. O armazenador poderá optar por devolver o formulário por e-mail ou pelos Correios e terá prazo até o dia 17 de abril.

O levantamento irá possibilitar o conhecimento do balanço de oferta e demanda do produto do país e fornecer subsídios para a formulação de propostas de políticas para o setor cafeeiro. O público-alvo inclui armazenadores, produtores, cooperativas, associações e indústrias de torrefação, moagem e de solúveis. A posição do estoque a ser informado, por unidade armazenadora, corresponde a do dia 31 de março de 2014, quando entra a nova safra do produto.

Os números levantados somente serão divulgados pela Conab de forma consolidada, preservando o sigilo da informação individualizada. Mais informações estão disponíveis no site da Conab, em Produtos e Serviços/Estoques/Estoquesprivados. Ou então, acessando a página diretamente no seguinte endereço: www.conab.gov.br/conteudos.php?a=1105&t=2

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Notícias Agrícolas

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