Neri Geller declara que efeito da seca na produção de café não será tão severo

Publicado em 03/06/2014 16:15 e atualizado em 04/06/2014 18:02 1043 exibições

A agência de notícias Bloomberg informou hoje (3) que o ministro da Agricultura brasileiro, Neri Geller, afirmou que “os produtores de café estão enfrentando perdas menos severas, depois que as chuvas do último mês reduziram o impacto da pior seca registrada no Brasil em 50 anos”.

Geller teria informado que as previsões de safra divulgadas pela Conab, que apontavam para uma produção de 44 milhões de sacas, deverão ser revisadas, já que o impacto da seca teria sido "amenizado", segundo sua análise. "Eu não vou falar em números, mas esperamos uma produção maior que esta", teria dito o ministro em uma entrevista direto de seu escritório, em Brasília. "Os produtores estão cuidando mais de suas plantas, porque os preços subiram, então poderemos ter uma safra melhor no ano que vem". 

O ministro também teria afirmado que a venda dos estoques governamentais de café ainda poderão ser feitas até o final do ano. "Nós temos autorização para fazer a venda, mas só faremos se os preços subirem muito".    

Mercado em queda
As cotações do café no mercado futuro registraram fortes quedas nos últimos dias, atingindo os menores preços desde o início do ano. No início desta semana, os contratos do café arábica na Bolsa de Nova Iorque para entrega mais próxima perderam o patamar dos U$ 1,80 a libra-peso. De acordo com a Bloomberg, as chuvas registradas nas regiões produtoras do Brasil teriam feito o mercado acreditar em uma possibilidade de melhora no rendimento da safra. 

Os contratos futuros para o café arábica caíram 23% em relação à maior alta em dois anos, registrada em abril deste ano. O aumento dos estoques norte-americanos de café estaria ajudando a amortecer o impacto da queda de produção no Brasil. 

Outro fator que trouxe um “falso sentimento” de segurança para os países compradores foi a divulgação da estimativa para a safra brasileira feita pela trading Mercon Group, que aponta para uma produção de 50,5 milhões de sacas. O volume é ainda maior que os 49,5 milhões de sacas estimados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) em maio. 

Segundo Boyd Cruel analista sênior da Vision Finacial Markets, baseada em Chicago, as previsões de produção maior “sugerem que o dano não foi tão significativo quanto o esperado... Também estamos com a colheita em andamento e a condições continuam ideais, sem interrupções”. 

Relatório da Mercon
Em seu último relatório, a trading Mercon informou que as plantas nas áreas mais atingidas pela seca no Brasil estão se recuperando. A análise da trading é extremamente conservadora em relação a outras fontes, como a própria Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), que prevê uma safra de 44,6 milhões de sacas de 60 kg. 

Os preços do café já subiram 52% este ano, fazendo do grão a commodity com melhor performance em 2014.  

A estiagem sem precedentes que atingiu o país por três meses, deixando as lavouras praticamente sem umidade, fez com que a Volcafe, divisão de café da trading de commodities ED&F Man, estimasse a maior redução de oferta global de café em mais de uma década. 

De acordo com a Volcafe, baseada em Winterthur, Suíça, a demanda deverá exceder a produção em 11,3 milhões de sacas. 

O grupo Ipanema Coffees, principal fornecedor da Starbucks Corp., divulgou que espera uma redução de 40% em relação às safras dos últimos anos. “É um erro supor que as chuvas irão resolver o problema que tivemos”, afirmou Washington Rodrigues, presidente e chefe executivo da empresa baseada em Alfenas-MG. “Uma vez que o crescimento vegetativo foi perdido, você não consegue recuperá-lo”. 

Rallies devem continuar 
Os fundos de hedge estão indicando que o rally de preços deverá continuar este ano. Os operadores reduziram suas posições de longo prazo em 3,4% para 39.482 contratos até o dia 27 de maio, a segunda queda em três semanas. Os preços caíram 14% no mês passado, marcando o maior recuo desde 2011. 

Os estoques de café não-torrados nos Estados Unidos aumentaram 7,6% em abril, em relação ao ano anterior, de acordo com a Associação Green Coffee, baseada em Nova Iorque. “Nós não saberemos o tamanho exato das perdas de safra no Brasil até julho”. De acordo com a associação, esta incerteza deve manter a volatilidade alta durante o inverno, quando geadas poderão trazer mais prejuízos às plantas, de acordo com Boyd Cruel. 

Preços em alta nos EUA 
O site norte-americano The Wall Street Journal afirmou que as recentes quedas nas cotações do café arábica não irão evitar a alta dos preços nos supermercados e cafeterias dos Estados Unidos. Na verdade, as altas já começam a ser registradas nos cafés vendidos no país. 

A empresa alimentícia J.M. Smucker Co. informou nesta terça-feira (3) que os preços de marcas populares como Folgers e Dunkin’ Donuts tiveram uma alta média de 9%.                       

Segundo o Wall Street Journal, as recentes altas são sinais de que os grandes picos no mercado futuro registrados no início deste ano então chegando aos consumidores. Analistas de mercado também esperam que a confirmação de uma safra pequena irá reduzir ainda mais a oferta global de café arábica.   

Fontes: Bloomberg - Coffee enters bear market as Brazil sees lower crop loss e Bloomberg - Brazil coffee losses seen less severe than forecast
 

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Por:
Fernanda Bellei
Fonte:
Notícias Agrícolas

5 comentários

  • JOÃO CARLOS DUARTE FERREIRA Marília - SP

    Sr Ministro, acho que antes de falar besteiras que podem atrapalhar ainda mais os cafeicultores que vem sofrendo e perdendo com os preços baixos do café nos últimos anos, amargando prejuízos, vossa excelência deveria se acessorar de um agrônomo especialista na cultura do café ou fazer uma visita nas principais regiões produtoras de café para ver o que realmente vem acontecendo ,trocando idéias com os produtores e quem sabe talvez adquirir mais conhecimentos a respeito dessa cultura que tem uma efetiva participação na economia brasileira. Somos os maiores produtores mundiais e a obrigação do governo é valorizar nossos produtos e nós estimular.

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  • Christina Ribeiro do Valle Guaranesia - MG

    Sr ministro Neri Geller,

    Gostaríamos muito que o Sr viesse conhecer a realidade das regiões produtoras de CAFE ,antes de dar uma entrevista como essa.A informação que seus assessores passaram para o Sr ,está totalmente equivocada.Procure se informar com pessoas mais competentes em relação a atividade agrícola CAFE .

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  • Giovani bento da costa Manhuaçu - MG

    Nao pode ser verdade que uma pessoa ocupando um cargo tao importante seja tao irresponsavel em falar uma besteira tão absurda dessas chuvas de maio ter algum efeito positivo sobre a atual safra, que por sinal aqui na zona da mata ja esta muito adiantada com varias propriedades em fase final, acho que este nao é ministro nada deve ser um desses funcionarios de alguma multinacional que detonar ainda mais a cafeicultura brasileira que ja esta massacrada pelo falta de apoio de nossos governantes

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  • Joao Paulo de Oliveira Andradas - MG

    Quanta a fala do ministro da agricultura que as perdas não serão tao severas, quero interpretar como que algum jornalista sei la o que tenha o interpretado mal sua fala... porque sera possível que os técnicos do procafe da conab que foram a campo não tenham capacidades de prever essa quebra? Se NÃO SE PODE AJUDAR NÃO ATRAPALHE!!!!!

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  • Joao Paulo de Oliveira Andradas - MG

    Haja paciência e estomago para ler certas analises... Se alguém acredita em papai noel, fada, bruxa etc... com certeza vai acreditar que as chuvas que tivemos recentemente vai diminuir as perdas nessa safra. Ja essas chuvas que tivemos não vamos recuperar o crescimento vegetativo das lavouras, pois agora e a fase em que as lavouras entram em dormência, devido a que de temperaturas que temos nesse momento. Meus amigos cafeicultores, vamos vender a nova safra somente na extrema necessidade, pois a realidade da quebra muito em breve ela vira a tona, pois não adianta tapar o sol com a peneira.

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