Café: Arábica encerra semana volátil com alta de 160 pontos em NY

Publicado em 13/06/2014 18:22 512 exibições

O mercado do café arábica encerrou esta semana com saldo positivo de 160 pontos na Bolsa de Nova Iorque (Ice Futures US). A sessão desta sexta-feira (13) foi bastante volátil e os contratos mais próximos chegaram a operar com mais de 400 pontos de alta, depois fecharam com altas entre 175 a 190 pontos. 

O contrato julho encerrou a sessão valendo 173,70 centavos de dólar por libra-peso, depois de avançar 175 pontos. A máxima do dia para o contrato foi 179,70 cents e a mínima foi 171,60 cents. O contrato setembro fechou em 176,45 cents / libra-peso, o dezembro encerrou em 179,95 cents, depois de subir 185 pontos. O vencimento março/15 avançou 190 pontos e fechou valendo 183,05 cents / libra-peso. 

O analista de mercado Eduardo Carvalhaes explica que o dia foi calmo no mercado e que os cafeicultores continuam segurando a venda de seu café, na espera de preços melhores. “Muitos produtores ainda não aceitam as ofertas dadas pelos vendedores”. 

Agência internacionais de notícias informam que o mercado está buscando um equilíbrio entre os US$ 1,70 e US$ 1,80 dólares. “O mercado deve continuar volátil e oscilar entre esses preços... Grandes altas ou baixas só poderão acontecer sob influência de novas previsões ou mudanças no clima que influenciem a produção, como geadas e chuvas”, afirmou Eduardo. 

Quebra brusca de produção
A Comissão Nacional de Café da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) informou esta semana que a safra de café 2013/14 poderá ficar abaixo das 40 milhões de sacas, devido ao clima extremo. “O tempo frio nos meses de junho e julho pode agravar ainda mais a situação. Desta forma, a safra de 2015 poderá ficar entre 38,7 milhões e 43,6 milhões de sacas, volume próximo do previsto para este ano, mesmo sendo ano de bienalidade alta”.

A Confederação aponta para graves problemas na renda do cafeicultor e grandes quebras na produção. “Os problemas climáticos devem afetar fortemente a colheita de café este ano, comprometendo a renda do cafeicultor... A conta da estiagem ocorrida nas principais regiões produtoras do país aponta para perdas de 20% a 50% da produção”.

A trader sul-africana I&M Smith informou hoje que o mercado está “completamente focado na safra do Brasil” e que o andamento das colheitas e o clima no país devem continuar influenciando os preços no mercado internacional. 
 

Bloomberg: Produção de café no Vietnã poderá ter queda de até 4%

A colheita do café no Vietnã, o maior produtor do café Robusta, variedade utilizada pela Nestlé S.A e Mondelez International Inc. vai provavelmente diminuir neste ano, no início da safra, em outubro, assim como os rendimentos deste ano, após uma safra recorde. 

A colheita pode ser reduzida em 4% para 1,64 milhão de toneladas, vindo de 1,71 milhão de toneladas no ano anterior, de acordo com a média de estimativas feita por 12 traders e analistas consultados pela Bloomberg. A pesquisa mostrou que até o final de maio, os estoques não vendidos dos agricultores foram equivalentes a 19% da produção, enquanto no mesmo período do ano passado esse número era de 20%. 

O café robusta (conilon) no mercado futuro subiu 11% em 2014 diante das especulações de que a demanda irá ser maior que a oferta a partir de outubro deste ano, com um déficit estimado em 1,6 milhão de sacas, ou 96.000 toneladas, segundo a Volcafe divisão de café da trading de commodities ED&F Man Ltda. Com a proximidade do fenômeno climático El Niño, algumas partes da Ásia poderão ficar mais secas este ano e isso pode dar mais suporte aos preços, de acordo com o Rabobank International, banco focado no agronegócio.

“O clima deste ano está um pouco mais extremo, com chuvas chegando mais tarde do que o habitual”, disse Pham Viet Dai, um agricultor da cidade de Dak Lak, que há duas décadas cultiva café. “Nesse ponto, os frutos parecem bons e o tamanho está similar ao do ano anterior”, disse Dai, que estima que a colheita de sua plantação caia 6% este ano.

Plantações Esgotadas
As plantações no Vietnã estão“esgotadas” após duas grandes colheitas, e as novas plantações não vão compensar as fracas e antigas, disse Alexandre Gruber, gerente de trading em Tong TeikPte, uma companhia da RCMA Commodities AsiaPte.

O mercado global de café, incluindo as variedades arábica e robusta, terá uma carência de 11,3 milhões de sacas em 2014-2015, o maior déficit em mais de uma década, vindo de um excedente de 4,7 milhões de sacas este ano, informou a Volcafe.

Vietnã teve uma safra cheia em 2013-2014, disse Kona Haque, chefe de pesquisa de commodities do Volcafe. “Na próxima safra, a expectativa é que as árvores estejam cansadas, então teremos uma safra com produção média”. 

Enquanto a pesquisa da Bloomberg mostrou uma redução na produção do próximo ano, o FAS (Setor de Agricultura Internacional) do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) prevê um aumento. O Vietnã vai produzir 29,2 milhões de sacas (1,75 milhão de toneladas) comparado com 29 milhões de sacas do ano anterior, de acordo com um relatório divulgado em 23 de maio. 

Riscos Climáticos
“O clima tem sido bastante favorável para o desenvolvimento das árvores de cafés para a safra 2014-15. A região central do Vietnã, conhecida como Central Highlands, continua a receber boas chuvas desde o início da estação chuvosa no meio de abril”, informou o FAS. “As árvores, em geral, têm produzido mais cerejas por ramo e estão com mais ramos produtivos por árvore do que nas safras anteriores.”

A média de chuvas registradas em Dak Lak em maio foi de 174,1 milímetros em dez estações de medição, incluindo uma na cidade vizinha Dak Nong, comparado com 219,4 milímetros em maio do ano passado e uma média de 206,2 milímetros em anos anteriores, de acordo com dados do Departamento de Meteorologia e Hidrologia da cidade. Dak Lak representa cerca de 30% da produção de café do país.

Escritório de Meteorologia da Austrália está em alerta a partir desse mês para um El Niño em agosto. “Os preços do robusta poderão ser beneficiados no mercado futuro pela ocorrência de um El Niño, que pode trazer temperaturas mais altas que o normal para o Vietnã e afetar sua produção”, informou o Rabobank”.
 

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Por:
Fernanda Bellei
Fonte:
Notícias Agrícolas

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