Café: sessão encerra com 640 pts de alta após semana volátil em NY

Publicado em 20/06/2014 17:23 e atualizado em 20/06/2014 18:09 584 exibições

O mercado de café arábica teve semana com leves quedas,porém, a sessão de sexta-feira (20) encerrou com altas acima dos 600 pontos para os contratos mais próximos, depois de operar com forte volatilidadena Bolsa de Nova Iorque (Ice Futures US), chegando a máximas de 175,80 centavos de dólar por libra-peso e mínimas de 168,05 cents /libra-peso para o vencimento de julho, uma diferença de quase 800 pontos. 

Os contratos com entrega para julho subiram 3,71% para 173,25 centavos/libra-peso, enquanto os vencimentos de setembro, dezembro e março/2015 registraram alta de 640 pontos, fechando respectivamente em 175,50, 179,00 e 182,20 centavos por libra-peso.  

“Não há novidade. Talvez os valores tenham subido hoje por conta do último dia de prolongamento para setembro dos contratos que seriam entregues em julho”, disse o analista de mercado Eduardo Carvalhaes, que também alertou para a desaceleração dos negócios nesta semana por conta do jogo do Brasil na última terça-feira (17) e feriado de Corpus Christi (19). “Esse período de Copa do Mundo, unido ao feriado tem sido um dificultador para o mercado físico”, completou. 

Apesar das leves baixas desta semana e de um último mês com quedas em relação ao anterior, os valores do café arábica tem se sustentado acima da média dos últimos 5 anos. “Não tem café sobrando, os que estão sendo negociados ainda são os resquícios da última safra”, analisou Carvalhaes. 

Recuperação das baixas
Em análise de mercado publicada hoje, a agência de notícias Dow Jones destacou que as preocupações mundiais com uma possível falta de oferta de café no mercado, em volume suficiente para atender a demanda, ainda afetam o setor. 

As quedas nas cotações registradas nos últimos meses, segundo a análise, foram influenciadas pelo aumento da produção de café arábica de qualidade em países como Guatemala e Costa Rica, além do aumento dos estoques de café em Nova Iorque. 

“A combinação de aumento da demanda e crescente preocupação com a oferta resulta em altas”, afirmou Chris Narayanan, chefe do setor de commodities agrícolas da Societe Generale de Nova Iorque. 

Inverno chegando
No Brasil, o inverno chega neste final de semana e em alguns estados o frio já veio com força. Algumas cidades do Sul do país registraram entre esta última quinta-feira (19) e hoje (20) os dias mais frios do ano, com índices negativos. 

Apesar desta realidade e das massas de ar polar que avançaram para o interior do país, não há nenhum fator climático preocupante, tampouco fora do esperado para a época, que justifique as altas desta sessão. “Não há nada até o momento no clima que indique real perda de produção. Teremos que aguardar a entrada da estação fria para estimar melhor se vão ou não ocorrer perdas nas safras”, concluiu o analista. 

Aumento do consumo mundial de café
Diversos países passam por um rápido aumento no consumo de café, principalmente o café especial. Mercados como China e Japão, que tradicionalmente consomem chás, estão adquirindo hábitos mais ocidentais, como visitas diárias às cafeterias requintadas.   

O consumo de café também está aumentando nos Estados Unidos, ao passo que a economia do país ainda se recupera. Enquanto isso, o clima em grandes países produtores, como o Brasil, Indonésia e a Ásia, poderá ser severamente afetado pelo fenômeno climático El Niño, que deve atingir diversas regiões do planeta a partir deste segundo semestre. A ocorrência de mais secas ou excesso de chuvas poderão reduzir ainda mais a produção de café.

México investe no aumento de produção
Recuperar os níveis de produção e mais qualidade no café foi um dos compromissos firmados pelo governo mexicano durante o Fórum Econômico Mundial (WEF). Além da Nova Visão para o Desenvolvimento Agroalimentar do México (VIDA), que tem como enfoque para garantir esse objetivo, a política pública, créditos e transferência de tecnologias. 

No ano anterior, o país produziu o dobro deste ano – 3 milhões de sacas, ante 6 milhões.  “Criar uma boa expectativa de preços é fundamental e deve haver uma grande sinergia e muita eficácia na aplicação de todos os recursos públicos, os provenientes de financiamento e o próprio investimento de produtor; a questão é que articulando muito bem qualquer esquema em médio prazo, podemos estar recuperando a produtividade e a qualidade”, analisou Gabriel Berrera Nader, coordenador executivo da Associação Mexicana da Cadeia Produtiva de Café (Amecafé). 

Nader previu que já no próximo ano acontecerão os primeiros resultados da renovação dos cafezais plantados há quatro anos, o que deve aumentar em 10 a 15% a safra mexicana. 

As informações foram divulgadas pelo site mexicano El Financiero. 

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Por:
Fernanda Bellei e Talita Benegra
Fonte:
Notícias Agrícolas

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