Café: Bolsa de Nova York testa ajustes, mas volta a cair e fecha abaixo de US$ 1,20/lb nesta 3ª feira

Após ajustes altistas pela manhã, as cotações futuras do café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) fecharam a sessão desta terça-feira (12) com queda próxima de 150 pontos. Essa é a sétima sessão seguida de baixa. O mercado segue pressionado pelo otimismo com a safra do próximo ano, diante das recentes chuvas no Brasil, e com fraqueza dos indicadores gráficos e atuação dos fundos.
Os lotes com vencimento para dezembro/17 fecharam a sessão de hoje cotados a 117,05 cents/lb com queda de 195 pontos, o março/18 registrou 118,45 cents/lb com recuo de 155 pontos. Já o contrato maio/18 encerrou o dia com 120,65 cents/lb e desvalorização de 155 pontos e o julho/18, mais distante, fechou a sessão cotado a 122,95 cents/lb e 155 pontos de baixa.
As chuvas seguem ocorrendo na maior parte das origens produtoras de café do Brasil, maior produtor e exportador do grão. Com isso, operadores estão mais otimistas com a produção na safra 2018/19. "Esses fundamentos de excedente da produção global são o pano de fundo do movimento descendente dos preços do café", disseram analistas CoffeeNetwork. As informações são da Reuters internacional.
A Somar meteorologia prevê que chuvas ainda acontecerão nos próximos dias em algumas áreas produtores do país, como a Zona da Mata, Espírito Santo e Bahia. Os acumulados podem chegar a até 50 milímetros nos próximos quatro dias. Algumas áreas do cinturão podem ter até 100 milímetros acumulados no período. Já no Sul de Minas e Paraná, o tempo seco deve ficar mais seco.
"As chuvas, se continuarem em janeiro e fevereiro, farão com que o Brasil colha uma boa safra de ciclo alto, mas que não chegará perto dos números sonhados pelos compradores. No próximo ano-safra apenas para o consumo interno precisaremos de 22 milhões de sacas. Não teremos produção suficiente para repetirmos na exportação os números de 2016 e muito menos os de 2015. A safra de 2019 será de ciclo baixo", disse em informativo o Escritório Carvalhaes.
O mercado do arábica na ICE chegou a trabalhar em alta na sessão desta terça-feira em ajustes técnicos ante as recentes quedas. No entanto o lado fundamental ainda pesou somado a fraqueza dos indicadores gráficos e atuação dos fundos. Alguns dos principais vencimentos já estão abaixo de US$ 1,20 por libra-peso. "No momento, os fundos estão no controle do mercado", disse um negociante à Reuters.
O Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) informou nesta terça-feira que as exportações de café do Brasil totalizaram 2,78 milhões de sacas de 60 kg em novembro, com receita cambial chegando a US$ 460,6 milhões e o preço médio em US$ 165,34. Em termos de volume embarcado, houve uma queda de cerca de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior.
"O mercado de exportação de café segue dentro do previsto. Os embarques apresentam números dentro do esperado e devem finalizar o ano civil com 30/31 milhões de sacas. O primeiro semestre de 2018 não deve apresentar surpresas, com a performance da exportação brasileira seguindo tranquila", afirma o presidente do Cecafé, Nelson Carvalhaes.
No acumulado do ano civil (janeiro a novembro de 2017), o Brasil registra um total de exportação de mais de 27,7 milhões de sacas.
Leia mais:
» Exportações de café brasileiro atingem 2,7 milhões de sacas em novembro
Em menor intensidade, informações sobre a safra da Colômbia também repercutiram. O país que é importante produtor de arábica também deve aumentar sua produção, para 18 milhões de sacas de 60 kg. A alta acontece por conta da renovação das plantações e migração de produtores de coca para o café, segundo o presidente Juan Manuel Santos. As informações são da Reuters internacional.
Mercado interno
O mercado físico brasileiro tem registrado poucos negócios nos últimos dias e mesma as oscilações externas não promovem muitas mudanças nesse cenário. A paradeira dos últimos dias, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP) é típica do final de ano, e agora agentes esperam pelo início do novo ano.
O café tipo cereja descascado registrou maior valor de negociação em Espírito Santo do Pinhal (SP) com saca cotada a R$ 500,00 – estável. A maior variação no dia ocorreu em Varginha (MG) com alta de 2,13% e saca a R$ 480,00.
O tipo 4/5 registrou maior valor de negociação em Poços de Caldas (MG) com saca a R$ 461,00 e queda de 0,65%. Foi a maior oscilação no dia dentre as praças.
O tipo 6 duro anotou maior valor de negociação em Araguari (MG) com saca a R$ 460,00 e queda de 2,13%. A maior variação no dia dentre praças ocorreu em Espírito Santo do Pinhal (SP) com queda de 2,20% e saca a R$ 445,00.
Na segunda-feira (11), o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 445,61 e alta de 0,45%.
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