Café: Bolsa de Nova York recua mais de 200 pts com aversão e câmbio e toca mínimas de 2013 nesta 4ª

As cotações futuras do café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) encerraram a sessão desta quarta-feira (15) com queda de mais de 200 pontos. Pesou sobre os preços no dia a forte desvalorização do real ante o dólar. Com esse recuo, o mercado já completa a sexta queda consecutiva.
O vencimento setembro/18 encerrou a sessão com queda de 265 pontos, cotado a 102,40 cents/lb e o dezembro/18 registrou 106,00 cents/lb com recuo de 250 pontos. Já o março/18 anotou 111,65 cents/lb com desvalorização de 250 pontos e o maio/19, mais distante, teve baixa de 240 pontos, cotado a 111,65 cents/lb.
As perdas desta quarta fizeram com que as cotações da variedade tocassem mínimas de 2013, segundo informações da Reuters internacional. "A situação turca está afetando as moedas de países emergentes, com o real ficando mais fraco contra o dólar", disse Jason Estrada, operador sênior na INTL FCStone.
O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,87%, cotado a R$ 3,9007 na venda, atingindo o maior patamar desde julho deste ano. Investidores seguem reagindo ao cenário externo, ainda fortemente afetado pela situação econômica turca. Além disso, o cenário político brasileiro também pesou com nova pesquisa divulgada.
As oscilações cambiais impactam diretamente nas exportações da commodity e refletem nos preços externos e internos do grão. O Brasil é o maior produtor e exportador de café.
Essa tensão no mercado financeiro internacional impactou diversas outras commodities e índices no dia. Na Bolsa de Chicago, os grãos também recuaram de forma bastante expressiva, especialmente soja e trigo, enquanto os futuros do milho vinham amenizando suas perdas.
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Com as últimas quedas técnicas, operadores têm ignorado informações sobre a safra brasileira. "Lavouras de arábica estavam começando a mostrar estresse, devido à falta de chuva nos últimos meses. Alguma chuva foi relatada há uma semana, mas não chove desde então e há preocupações com florada precoce", explicou em relatório o analista e vice-presidente da Price Futures Group, Jack Scoville.
Na terça-feira (14), a Cooxupé (Cooperativa dos Cafeicultores de Guaxupé), maior do grão no mundo, atualizou os dados de colheita, que já atinge 77,84% até a última sexta-feira (10), segundo levantamento divulgado pela entidade. Os trabalhos avançaram mais lentamente por conta das chuvas recentes no cinturão produtivo.
Mercado interno
O mercado brasileiro segue lento em comparação com outros anos em entrada de safra. Os preços internos acompanharam a baixa externa ou ficaram próximos da estabilidade nesta quarta nas principais praças de comercialização do país.
"Apesar de a liquidez seguir baixa, os avanços do dólar e das cotações externas do arábica impulsionaram os preços internos do arábica nos últimos dias, cenário que permitiu o fechamento de alguns negócios no spot", disse o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP).
O café tipo cereja descascado registrou maior valor de negociação em Espírito Santo do Pinhal (SP), (estável), Franca (SP) (estável), Guaxupé (MG) (-2,13%) e Patrocínio (MG) (estável), ambas com saca a R$ 460,00. A maior oscilação no dia ocorreu em Guaxupé.
O tipo 4/5 registrou maior valor de negociação em Franca (SP) com saca cotada a R$ 440,00 – estável. A maior oscilação no dia dentre as praças ocorreu em Poços de Caldas (MG) com baixa de 1,61% e saca a R$ 429,00.
O tipo 6 duro anotou maior valor de negociação na Média Rio Grande do Sul com saca a R$ 435,00 – estável. A maior oscilação no dia nas praças verificadas ocorreu em Vitória (ES) com baixa de 2,30% e saca a R$ 425,00.
Na terça-feira (14), o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 426,15 e queda de 0,35%.
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