Conilon no Oeste Paulista: Pesquisa tem bons resultados para produtividade, localização e clima na região

Publicado em 25/08/2020 11:59 e atualizado em 14/10/2020 16:39 1259 exibições

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Apesar do Sudeste do Brasil, mais precisamente o sul de Minas Gerais ser reconhecido como maior área de produção de café do país, a implementação do café tipo conilon no Oeste de São Paulo tem chamado atenção de pesquisadores da Agência Paulista de Tecnologias dos Agronegócios (APTA). O projeto já tem 12 anos de andamento e após aperfeiçoar os clones que melhor se adaptaram na região, a produtividade média por hectare já chega a 70 sacas. 

O pesquisador Fernando Takayuki  Nakayama, do APTA, reforça que a produção deste tipo de café no estado representa uma alternativa sustentável para o produtor paulista. Além do bom desenvolvimento das lavouras, a proximidade com indústrias que precisam do café conilon, alta produtividade e o custo mais baixo de produção chamam atenção do setor. 

Segundo dados do pesquisador, Adamantina e Parapuã ficam em pontos estrategicamente bem localizados e mais próximos de empresas como Nestlé, Cacique, Café Iguaçu e Cocam, com distancia média entre 260 e 350 quilômetros, incluindo as indústrias do Paraná. "Para começar estamos bem mais perto de empresas que consomem o conilon, quando comparamos a distância como Espírito Santo, por exemplo", explica. 

Segundo Nakayama, os primeiros clones plantados foram trazidos do Espírito Santo, maior área de produção do país. "Dos clones que vieram do Espírito Santo, quatro se destacaram na região, se mostraram resistente ao frio. Após essa seleção, nós continuamos as pesquisas e agora temos nossos próprios clones produzidos em parceira com IAC", comenta.

Café Conilon em São Paulo - Fernando Takayuki  Nakayama - APTA
Pesquisadores investem em clones resistentes ao frio 
Foto: Fernando Nakayama

Se falando em clima, vale destacar que o café tipo conilon é uma variedade que precisa de mais água do que o arábica, por exemplo. Por isso, Fernando destaca que o ideal é a lavoura já seja implementada com sistema de irragação.

A expectativa de produção para o ano-safra na região é de pelo menos 70 sacas por hectares, mas devido às condições climáticas no segundo semestre de 2019, já é esperado uma quebra de pelo menos 20% na safra sendo colhida. "Nós tivemos um 2019 muito seco e isso prejudicou o café de forma geral, perdemos carga e o enchimento de grãos também foi prejudicado. No começo do ano voltou a chover, mas não dá para recuperar tudo", afirma. 

"Foi feito uma seleção de plantas para elencar as melhores para a região", comenta. Além disso, Fernando reforça que a seleção de materiais mais produtivos resultaram também em uma maturação mais uniforme dos grãos. "Um fator que mudou muito quando comparado com os tipos mais antigos é a uniformidade e isso é proporcionado pela técnica da clonagem", comenta. 

Outro ponto que chamou atenção nos últimos estágios da pesquisa, é que até o momento o conilon se mostrou tolerante em áreas de nematóides, além de uma menor incidência de ferrugem e bicho mineiro nas lavouras. "É uma planta de melhor aproveitamento nutricional, o que é proporcionado graças ao volume de raiz que o conilon tem e uma qualidade de bebida superior", comenta. 

Já dos lados do desfio, o pesquisador reforça que ainda há pesquisas para entender e melhorar a condição arquitetônica da planta, melhorar o manejo nutricional, aumentar ainda mais a produtividade e mecanizar a colheita no Oeste Paulista. 

Café Conilon em São Paulo - Fernando Takayuki  Nakayama - APTA
Maturação uniforme dos grãos em Adamantina/SP
Foto: Fernando Nakayama

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Por:
Virgínia Alves
Fonte:
Notícias Agrícolas

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