Procafé: Como evitar mistura de plantas de café de porte alto e baixo na lavoura

Publicado em 17/09/2020 13:10 110 exibições

É comum aparecerem plantas de café diferentes em seu porte, umas altas e outras baixas, no meio de um talhão de lavoura nova, o que é visível poucos meses após o plantio. O cafeicultor logo nota e reclama do viveirista que vendeu essas mudas, diferentes do padrão de porte da cultivar desejada.

O porte dos cafeeiros é definido por um par de alelos, denominados CtCt ou ctct. O porte baixo, como ocorre na cultivar Catuai, é chamado de fator de porte caturra, sendo dominante, podendo resultar em porte baixo em plantas CtCt ou Ctct. Já, o porte alto é recessivo e dá origem a plantas com esse tipo de porte, como ocorre na cultivar Mundo Novo, na condição da presença de ctct.

Nos cafeeiros da espécie arábica, como mais de 90% da fecundação ocorre antes das flores abrirem, havendo auto-fecundação, as sementes reproduzem, quase fielmente, o porte das plantas-mães, com pouca variação. As sementes obtidas em plantas de porte alto, como são recessivas (ctct) mais seguramente darão origem a plantas também de porte alto. Já, as sementes colhidas de plantas de porte baixo podem dar origem a uma pequena percentagem de plantas de porte alto, pois, na sua constituição genética, podem ter o fator Ct ct (em heterozigose). Esse tipo de comportamento é chamado de segregação para porte. A variação de porte pode ter origem, ainda, na possibilidade das plantas terem cruzado, em pequena escala, com plantas de porte diferente, que se encontravam próximas.

 Uma pequena segregação de porte, na ordem de até 3-5%, é admissível. Mais do que isso indica problemas na origem das sementes ou erros no viveiro de mudas. Nas sementes pode ter havido engano ou mistura durante a colheita das plantas ou no processo de preparação das sementes.

Para evitar ou reduzir, ao máximo, o plantio de plantas de diferentes portes, num mesmo talhão, alguns cuidados devem ser adotados, como – Obtenção de sementes de boa origem, colhidas em campos registrados, onde a colheita deve ser cuidadosa, separando e embalando adequadamente os lotes de cada cultivar. Em continuidade, durante a formação das mudas, no viveiro, os cuidados devem ser adotados no semeio e na correta identificação dos canteiros, de acordo com as cultivares semeadas. Ainda, com as mudas já crescidas nos viveiros, a partir de 3-4 pares de folhas, ou, mesmo maiores, pouco antes de sua comercialização, quando ainda nos canteiros, pode-se, olhando abaixado e mirando na horizontal, sobre a copa das mudas, fazer a observação de diferença de porte e arquitetura das mudas, então retirando eventuais diferentes, especialmente algumas de porte alto ali presentes, devendo as mesmas serem re-encanteiradas, separadamente.

Após o plantio, caso tenha escapado mudas de porte diferentes, levadas a campo, pode-se proceder, através do replantio, a substituição delas, logo que observadas. Outra opção, menos drástica, embora apenas atenue o problema, consiste em fazer a capação do broto apical das plantas de porte alto, o que é indicado a partir de 1,5-2 anos de idade no campo, para promover uma maior uniformização de porte na lavoura.

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Procafé

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