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Zona da Mata de Minas já prevê quebra de 40% na safra 21 de café arábica

Publicado em 02/12/2020 07:47 e atualizado em 02/12/2020 09:28 2230 exibições
Cooperativa considera condições climáticas e bienalidade; área de poda também aumentou

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Enfrentando chuvas irregulares e altas temperaturas desde agosto, a região da Zona da Mata de Minas Gerais também terá a safra de café  2021 impactada pelas condições climáticas. Segundo dados da cooperativa Coocafé, a estimativa de quebra já está em 40% quando comparado com a produção da safra deste ano, considerando a bienalidade e os problemas climáticos que o cafeicultor vem enfrentando nas principais regiões produtoras do país. 

Segundo Pedro Antônio Silva Araújo, diretor comercial da Coocafé, produtores atendidos pela cooperativa já relatam perdas próximas de 40%. Em 2020 a região produziou uma média de 40 sacas por hectare. "Na safra 20 nossas lavouras produziram muito e os tratos culturais não acompanharam o desenvolvimento da lavoura. Já era esperado uma queda, mas as condições climáticas fazem diminuir ainda mais", comenta. 

Para o ano que vem, a expectativa da produção é de 24 sacas por hectare em toda área. De acordo com dados da Coocafé, a primeira florada generalizada na região aconteceu entre o final de setembro e começo de outubro, com condições climáticas fora do ideal para o desenvolvimento da planta. "A chuva atrasou muito esse ano e além disso as temperaturas estavam altas demais, sempre entre 32 e 33ºC", afirma. 

Como as chuvas não se regularizaram no pós florada, não houve pegamento do grão em boa parte da área. Já a segunda florada foi registrada na primeira semana de novembro, com temperaturas mais amenas, mas ainda com chuvas irregulares em toda área. "Nós ainda estamos enfrentando uma irregularidade das chuvas, estamos sem chuvas há três semanas e por isso as lavouras não estão apresentando a normalidade esperada", comenta Araújo. 

Consequência do baixo volume de chuva, a área de poda já aumentou de maneira expressiva na Zona da Mata, apesar de ainda não ser possível quantificar o tamanho exato dos impactos. "Em função da alta produção desse ano e também da falta de chuva, muito produtor que percebeu que a planta não conseguirá produzir bem ano que vem, escolheu pela poda e muitas estão feitas de forma tardia", acrescenta. 

Dados coletados nas estações meteorológicas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), indicam que não choveu de maneira expressiva em nenhuma área de café em Minas Gerais nos últimos 10 dias. Segundo os mapas, apenas uma área no extremo sul mineiro recebeu chuvas entre 40 e 50 mm. Desde março, toda a região cafeeira do país enfrenta volumes abaixo da média e temperaturas relativamente mais altas, comprometendo ainda mais o desenvolvimento da planta. 

Os números exatos para a próxima safra só poderão ser confirmados no primeiro semestre do ano que vem em todas áreas de produção. A partir de agora, segundo Pedro, o cenário ideal é de chuvas regulares e abrangentes em todas áreas, levando alívio para a planta e também suprindo as necessidades do solo. "Essa chuva é muito importante para o produtor conseguir dar sequência aos tratos culturais", complementa. 

Do lado positivo, as previsões mais recentes indicam o retorno das chuvas mais expressivas para o Sudeste do Brasil a partir desta quarta-feira (2). O modelo Cosmo do Inmet, sinaliza que as chuvas devem chegar primeiramente pelo sul de Minas, com precipitação prevista entre 20 e 40 mm. A tendência é de avanço das chuvas nas demais áreas de café em todo o estado, com precipitação entre 20 e 30 mm, indicando ainda uma regularização das chuvas. 

 

 

 

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Por:
Virgínia Alves
Fonte:
Notícias Agrícolas

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