Café: Honduras também terá quebra na safra, diz Omar Funez (especial para o NA)

Publicado em 10/02/2021 15:29 e atualizado em 10/02/2021 16:38 1850 exibições
Secretário-Geral da CONACAFE Honduras, Omar Funez, traz ao Notícias Agrícolas realidade do cafeicultor hondurenho depois de dois furacões, incidência de doenças, logística comprometida e preços no limite para remuneração

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O setor cafeeiro mundial está de olho nas lavouras brasileiras. Com os problemas climáticos na maior região produtora do país, a quebra na safra 21 já é dada como certa, e o primeiro levantamento da Conab prevê uma baixa entre 32% e 39% para a produção de arábica. 

Claro que uma menor oferta do maior produtor de café arábica do mundo chama atenção do mercado, mas é importante ressaltar que outros importantes polos produtores de arábica – como Honduras - também enfrentam dificuldades, o que deve diminuir ainda mais a oferta global de café no longo prazo.

Em entrevista ao Notícias Agrícolas, Omar Funez, Secretário-Geral da CONACAFE Honduras, relembra os dois furacões que atingiram a região no ano passado, comprometendo não apenas a distribuição do café hondurenho, mas principalmente todo setor de logística do, até então, maior representante de cafés certificados da ICE.

Levantamento café em Honduras -

Três meses depois da passagem do fenômeno, Omar destaca que os danos para a produção chegam a 1 milhão de sacas, levando em consideração que o produtor observou uma incidência maior de doenças, consequência do excesso de água nas lavouras. O Conacafe observa ainda que os níveis de ferrugem no país estão, neste momento, com alerta de incidência denominados como amarelo, laranja e vermelho, levando em consideração o nível de cada produtor.

"Afetou a produção exportável. Houve uma redução direta de 160 sacas de 46 kg, mas indiretamente, devido ao aumento da incidência de ferrugem, falta de mão de obra e grãos danificados, o impacto é de 1 milhão de sacas de 46 kg. A previsão inicial era de 8,2 milhões de sacas e em janeiro fizemos um ajuste para 7,2 milhões de sacas para exportação", afirma Omar.

Levantamento café em Honduras

Levantamento café em Honduras

Em relação aos problemas logísticos, Omar afirma que o governo trabalha em um projeto de recuperação da área rural de Honduras. "Os danos causados são significativos, estamos trabalhando em um plano de reconstrução das estradas rurais, obras de drenagens e pontes, mas isso deve demorar cerca de seis anos", comenta.

Falando sobre o estágio de produção, Omar comenta que 55% da área já foi colhida, e os trabalhos estão cerca de 35 dias atrasados no campo. É importante ressaltar que Honduras, além dos problemas climáticos, enfrenta desde o ano passado um problema econômico social, com parte da população fazendo movimentação migratória para outros países, limitando assim a mão de obra na colheita do café.

De acordo com dados levantados pela Pharos Consultoria, liderada por Haroldo Bonfá, cerca de 8 mil emigrantes de Honduras entraram na Guatemala, em 15 de Janeiro, fugindo da pobreza e violência causadas pela pandemia e pelos 2 furacões que atingiram o país em novembro.

Levantamento Honduras

Exportação e Estoques na ICE

Tradicionalmente falando, Honduras sempre representou a maior parcela dos estoques certificados na ICE. O mercado observa, no entanto, essa participação diminuir a cada mês.

Segundo dados levantados pela Pharos, em comparação com o mês passado, Honduras registrou uma baixa de pouco mais de 2% nos estoques, representando assim 47,99% do volume total. Quando fazemos a comparação para o período de um ano, a diferença é ainda mais expressiva. No dia 20 de janeiro de 2020, Honduras representava pouco mais de 70,03% dos estoques certificados. 

Comparando os dados com a participação do Brasil, os números são positivos para o maior produtor de café do mundo. Há pouco mais de um ano, a participação do Brasil era apenas de 0,05%, mas atualmente os gráficos da Pharos mostram o Brasil como segundo produtor que mais abastece a ICE, com 39,92% - 669 mil sacas, contra 804 mil sacas de café hondurenho.

Levantamento café - Honduras
Fonte: Pharos Consultoria


O resultado é reflexo da produção em alta escala, mas principalmente do produtor capitalizado que consegue fazer os investimentos necessários para conseguir atender as exigências da ICE.Os números levantados pela consultoria mostram ainda o reflexo da baixa nas exportações Honduras.

Em janeiro de 2021 foram exportados 17,8% a menos do que no mesmo período em 2020. Questionado sobre as baixas nos estoques, Omar afirma que é um reflexo natural do mercado, levando em consideração uma produção em menor escala e o excesso de chuvas que acabam comprometendo também a qualidade do café.

 

Levantamento café - Honduras
Fonte: Pharos Consultoria


Falando em preços na Bolsa de Nova York (ICE Future), os números mostram que o produtro hondurenho está no limite do nível mais baixo para o preços. Sem romper a casa dos 130 centavos de dólar por libra-peso, Omar Funez afirma que 125 é o valor mais baixo que o produtor tem e ainda consegue ter alguma remuneração. "O ponto de equilíbrio para o produtor hondurenho em média é de US $ 125 / saca de 46, o produto tem uma margem positiva quando a saca está acima desse preço", afirma.

Segundo Haroldo, dentro das condições atuais do principal produtor do mundo (Brasil) e em outros países como produtores, o mercado teria fundamentos para registrar alta, mas os volumes de exportação que o Brasil vem registrando nos últimos meses acaba limitando a valorização do café na Bolsa.

Segundo dados do Cecafé, o Brasil bateu recorde de exportação por três meses consecutivos (outubro-novembro-dezembro). Em janeiro, os embarques chegaram a 3,1 milhões de sacas. "Nós tivemos essa diferença no mês passado, mas com certeza essa diferença foi exportada naquele número bem alto dos embarques de dezembro", complementa Haroldo. 

O especialista afirma ainda que, se por um lado os preços não remuneram o país concorrente, com uma safra recorde e de qualidade, o Brasil tem aproveitado o momento justamente para aumentar a participação nos estoques. "O Brasil nunca teve essa oportunidade, com cafés nesses volumes. É importante ver de quem ele está tomando esse lugar. Isso mostra o Brasil mais competitivo no mercado", afirma. 

Já em Honduras, com preços abaixo do ideal, a preocupação é justamente com a oferta limitada global de café que pode acontecer no longo prazo. "Ele fala em queda na produção, supondo que você tenha esse equilíbrio com o mercado por 125 cents/lbp, no entanto, ele está recebendo menos dinheiro e ele está consequentemente exportando menos porque teve além dos furacões, os problemas com a Covid e a imigração", diz Haroldo. 

O analista de mercado explica ainda que o mercado deve tentar romper a casa dos 130 cents/lbp no longo prazo, e que isso ainda não aconteceu porque a demanda de café, devido a pandemia do Coronavírus, ainda não foi pressionada. "O mercado não está antecipando as altas porque a demanda ainda não explodiu. O pessoal ainda não voltou para as ruas por conta da Covd. Enquanto pelo menos 60% da população mundial não for vacinada, o consumo segue limitado dentro de casa e estababilizado", explica o analista. 

A tendência, segundo Haroldo, é que o mercado então continue acompanhando as condições climáticas no Brasil, mas afim de saber como se comportar daqui pra frente, se haverá mais impactos - como geadas e como a planta deve se desenvolver para 2022. "A safra de 2021 já está quebrada, isso não é mais novidade, mas quando a demanda voltar a ficar aquecida, podemos romper esses níveis de mercado", completa. 

Saiba mais: 

Mercado do café já se prepara para oferta limitada com quebra do Brasil, diz consultor

Depois de uma safra recorde para o Brasil, o setor cafeeiro já começa a se preparar para as consequências dos problemas climáticos que atingiram a maior região de arábica no Brasil no ano passado. 

Levantamento feito pela Pharos Consultoria, liderado pelo analista de mercado Haroldo Bonfá, destaca que o mercado já se preparada para o segundo semestre de 2021. Com uma oferta limitada e preços mais altos, a tendência é que o mercado consuma esse estoque já sendo preparado pela ICE. Vale lembrar que em 2020, o que motivou a mudança no consumo foi a pandemia do Coronavírus. Com as incertezas sobre os embarques, importantes polos consumidores como Europa e Estados Unidos passaram a fazer uso dos cafés que já estavam disponíveis, indicando assim um cenário confortável para o consumo de café mesmo com lockdown acontecendo mundo afora. 

Veja a notícia completa aqui

 

Por:
Virgínia Alves
Fonte:
Notícias Agrícolas

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