Consumo de café cai nos últimos 30 dias no Brasil e acende mais um alerta na crise do setor, afirma ABIC

Publicado em 01/12/2021 17:32 e atualizado em 01/12/2021 18:46 2521 exibições
Tendência é de preços subindo ainda mais para o consumidor final, o que pode gerar impasse entre indústria e varejo

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Confirmando as previsões anteriores da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC),  o preço do café na gôndola do supermercado já subiu 40%, e começa a refletir no consumo interno de café no Brasil. De acordo com dados atualizados da ABIC, nos últimos 30 dias, o consumo de café no Brasil recuou cerca de 14%. 

O levantamento mostra ainda que a queda no consumo é reflexo do aumento de 130% no valor da saca de café cru, que corresponde a 70% do custo de produção para as indústrias. Celírio Inácio, diretor executivo da ABIC, afirma que o cenário acende um alerta no setor, já que com a alta contínua na Bolsa de Nova York (ICE) e sustentada no mercado interno, a entidade estima que até janeiro poderá ser observada mais de 35% de alta para o consumidor final. 

Mesmo com a pandemia, o consumo de café se manteve firme no Brasil e essa é a primeira vez que a ABIC observa recuo na demanda interna, que acontece justamente em um momento que o consumidor final está com poder aquisitivo mais baixo.  O porta-voz explica ao Notícias Agrícolas, que até dois meses atrás o mercado de varejo estava abastecido, e por isso o consumidor ainda não havia sentido os impactos da crise que afeta o setor cafeeiro no maior produtor e exportador do mundo.

As expressivas valorizações nos mercados interno e externo são reflexos de um clima muito adverso, com seca prolongada e geadas. Todos os elos do setor sentem os impactos da crise que vai além do campo, com impasses também na logística que não devem se resolver no médio prazo. "O preço já alcançou a alta de 40% previsto anteriormente. O que aconteceu é nesses dois meses os estoques caíram no varejo e tivemos meses de subida, sem queda e a indústria teve que fazer esse repasse", acrescenta. 

O cenário atual acende um alerta no setor porque com os estoques abastecidos, com preços elevados e demanda mais fraca, o varejo tende a travar o mercado, diminuindo assim o ritmo de compra. Segundo Celírio, esse cenário deverá ser confirmado a partir do ano que vem, já que as indústrias anteciparam as vendas do mês de dezembro.

Quando se fala em preços, analistas de mercado mantêm a projeção de preços firmes para o café até, pelo menos, o primeiro semestre de 2022. As chuvas retornaram, aliviaram as condições do parque cafeeiro, mas as preocupações continuam quando o assunto é condição climática e fase de enchimento de grãos. Além disso, o retorno da umidade não recupera o potencial produtivo da safra 22 que começou com muitas dúvidas para o setor. 

Enquanto isso, a Associação destaca que reitera o seu compromisso com a indústria e com o consumidor: "Continuaremos monitorando os cafés para que a mesma qualidade siga chegando à mesa dos brasileiros. Estamos, também, lado a lado com os industriais, garantindo que a produção mantenha o seu curso normal", pontua 

Diante desse cenário, Inácio comenta que a indústria a partir do mês que vem pode não encontrar comprador no varejo. Em relação aos preços atuais para matéria-prima acrescenta que a maior dificuldade é conseguir fornecedor disposto a negociar. "Existe café para comprar. A indústria consegue comprar desde que queira pagar o que é pedido. Há uma disputa muito grande, mas com margem de negociação muito curta", acrescenta. 

ABIC destaca exportações do Brasil 

O relatório da entendidade destacou ainda os números do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) referente ao mês de outubro e também ao balanço dos dez primeiros meses de 2021 que foi destaque no relatório do Conselho no mês passado. + Exportação de café do BR acumula queda de 6,3% em 2021: Gargalos logísticos e produção em menor escala justificam

O embarque de café do Brasil atingiu a marca de 33,27 milhões de sacas de 60kg entre os meses de janeiro e outubro. No acumulado anual, os dados do Cecafé indicaram retração de 6,3%. Já na comparação de outubro/2020 e outubro/2021 a queda nos embarques foi mais expressiva, de 25%, reflexo da produção em menor escala e dos gargalos logísticos. 

"Ainda que o volume de vendas no exterior tenha sofrido uma queda de 6,3%, a arrecadação cresceu 7% em comparação com as exportações nos dez primeiros meses de 2020. Os Estados Unidos seguem como o principal mercado do café nacional no exterior. O país comprou 6,46 milhões de sacas, o que corresponde a 19,4% do total exportado", destacou a ABIC. 

Por:
Virgínia Alves
Fonte:
Notícias Agrícolas

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