Café no olho do furacão: Fundamentos ficam pequenos com aversão ao risco e NY vai abaixo de 200 cents/lbp
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"Café no olho do furacão", assim definem os analistas após o mercado futuro do café arábica voltar a ser negociado abaixo dos 200 cents/lbp no pregão desta quinta-feira (14) na Bolsa de Nova York (ICE Future US).
As incertezas com a produção brasileira, os problemas climáticos enfrentados em outras origens produtoras e a demanda dentro da normalidade, foram deixados de lado diante de uma recessão global e as cotações registraram mais de mil pontos de queda.
Por volta das 12h55 (horário de Brasília), setembro/22 tinha queda de 1055 pontos, valendo 196,80 cents/lbp, dezembro/22 tinha desvalorização de 1075 pontos, valendo 193,95 cents/lbp, março/23 tinha queda de 1025 pontos, valendo 191,80 cents/lbp e maio/23 tinha desvalorização de 955 pontos, valendo 190,85 cents/lbp.
O dia está sendo marcado por nova queda generalizadas nas commodities, não só as agrícolas e o financeiro sente forte os impactos de uma possível recessão econômica global. O temor de uma recessão atinge também os Estados Unidos e as preocupações vão além com a crise energética na Europa.
O analista de mercado Cláudio Castello Branco Ribeiro Filho, da Expocaccer, afirma que o movimento de baixa até já era esperado pelo setor, mas foi antecipado diante do cenário caótico a nível mundial.
"Os Estados Unidos anunciaram ontem inflação de 9,1%, sobe juros e aumenta o temor de uma recessão com desemprego e os agentes todos acabam migrando para o dólar, o café está sendo liquidado pelos fundos", afirma.
O cenário macro pesa muito mais sobre os preços, apesar de tantas incertezas com a safra brasileiro, sendo o país o maior produtor e exportador de café do mundo. "O cenário macro está muito mais pesado. Os fundos são especulativos, trazem certa liquidez ao mercado. Nas últimas semanas foram mais de dois mil pontos de queda e tudo continua muito incerto", afirma.
Fernando Maximiliano, analista da StoneX Brasil, também atribuí as quedas de hoje aos problemas financeiros globais. "A inflação alta (nos Estados Unidos) gera uma sequência de questões. Ao mesmo tempo existe preocupação com a recessão econômica, porque o FED até então tinha a perspectiva de fazer correções sem que isso sacrificasse a economia por si só. Basicamente é aversão ao risco, dólar index está nas máximas históricas e além disso você vê o dólar em alta em relação ao real também. Sem novidades em termos de fundamentos", acrescenta.
O mercado de café rompeu nível técnico importante nesta quinta-feira. E de acordo com os analistas, com o cenário tão nebuloso é difícil traçar uma linha do que deve acontecer nos próximos dias. O mercado, antes muito firme com a quebra brasileira, está sem rumo e travado, com o produtor de fora das negociações.
Falando dos fundamentos, o clima pode manter a volatilidade acentuada caso seja prevista uma frente de fria com potencial de geada, por exemplo. Os modelos, no entanto, para as próximas semanas não indicam previsão de frio intenso.
Para Haroldo Bonfá, analista da Pharos Consultoria, além dos fatores externos, o mercado precisa saber com maturidade o tamanho da safra brasileira. Para ele, com os investidores migrando para o dólar, uma recuperação mais acentuada nos preços seria possível apenas no longo prazo.
"O mercado precisa saber disso. Os investidores estão migrando para se ter mais segurança, mas se olhar pela perspectiva do café especial, pode ser uma janela de oportunidade para o Brasil porque a diferença com a Colômbia é menor neste momento, acrescenta.
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