Mercado do café opera em alta com arábica acima de US$ 4 e robusta valorizado em Londres
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O mercado do café opera em alta nesta terça-feira (21), com o arábica mantendo valores acima de US$ 4 por libra-peso em Nova Iorque e registrando valorizações superiores a 1%. O contrato dezembro/25 é negociado a 411,05 cents (+1.23%), março/26 a 387,90 cents (+1.20%) e maio/26 a 372,10 cents (+1.22%). Já o robusta em Londres também apresenta ganhos, com novembro/25 cotado a US$ 4,590 por tonelada (+1.64%), janeiro/26 a US$ 4,545 (+1.81%) e março/26 a US$ 4,479 (+1.91%).
Na segunda-feira, os preços do café fecharam mistos, sustentados no arábica por preocupações com a oferta. A valorização do real brasileiro, que atingiu a maior cotação em uma semana frente ao dólar, desestimulou as exportações de café do Brasil, enquanto as importações de café da China em setembro aumentaram 36% em relação ao ano anterior, totalizando 550 mil toneladas. No entanto, o robusta foi pressionado pelas previsões de chuvas no Planalto Central do Vietnã, principal região produtora do país, com a província de Dak Lak devendo receber 70 mm de chuva na próxima semana, acima da média histórica de 61,3 mm, o que favorece o desenvolvimento da lavoura.
Os estoques monitorados pela ICE continuam em queda, sustentando os preços. Os estoques de arábica atingiram a mínima de 19 meses, com 467.110 sacas na última sexta-feira, enquanto os estoques de robusta caíram para a mínima de 3 meses, com 6.160 lotes na segunda-feira. As tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos às importações de café brasileiro contribuíram para essa redução, com compradores americanos cancelando novos contratos de compra. Contudo, a expectativa de que essas tarifas sejam removidas em breve pode pressionar os preços do café. Por outro lado, o presidente Trump deve anunciar novas tarifas sobre a Colômbia, o segundo maior produtor mundial de grãos de café arábica.
A oferta global de café robusta segue pressionando os preços. O Escritório Nacional de Estatísticas do Vietnã informou que as exportações do país entre janeiro e setembro de 2025 aumentaram 10,9% em relação ao ano anterior, totalizando 1,230 milhão de toneladas. A Organização Internacional do Café (OIC) também relatou que as exportações globais de café no ano comercial atual (outubro-agosto) cresceram 0,2%, atingindo 127,92 milhões de sacas, indicando oferta suficiente no mercado.
A Conab revisou para baixo sua estimativa para a safra de café arábica no Brasil em 2025, reduzindo-a em 4,9%, para 35,2 milhões de sacas, enquanto a produção total de café foi ajustada para 55,2 milhões de sacas, queda de 0,9% em relação à previsão anterior. No entanto, a safra robusta do Vietnã deve crescer 6% em 2025/26, alcançando 1,76 milhão de toneladas (29,4 milhões de sacas), o maior nível em quatro anos.
Segundo o Serviço de Agricultura Estrangeiro (FAS) do USDA, a produção mundial de café em 2025/26 deve atingir um recorde de 178,68 milhões de sacas, com aumento de 2,5% em relação ao ano anterior. A produção de arábica deve cair 1,7%, para 97,022 milhões de sacas, enquanto a de robusta deve crescer 7,9%, para 81,658 milhões de sacas. Apesar disso, a Volcafe projeta um déficit global de café arábica de 8,5 milhões de sacas em 2025/26, maior que o déficit de 5,5 milhões de sacas em 2024/25, marcando o quinto ano consecutivo de déficits.
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