Mercado cafeeiro: Atual cenário de produção no Brasil está otimista, mas balança entre oferta e demanda segue operando no limite
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Mesmo diante projeções mais otimistas para safra brasileira 2026/27 de café, analistas destacam que o balanço entre oferta e demanda segue operando no limite. Dados recentes e projeções para próxima safra no Brasil já indicam sinais de crescimento, porém, a recuperação dos estoques globais ainda será lenta e insuficiente para aliviar a pressão sobre os preços futuros a curto prazo.
Segundo o analista de mercado da Archer Consulting, Marcelo Moreira, atualmente o mercado cafeeiro trabalha com dois cenários para produção brasileira do grão: um conservador, que aponta para uma safra/26 de cerca de 65 milhões de sacas de 60 kg, e outro mais otimista que prevê um volume total de mais de 70 milhões de sacas.
"Considerando que o nosso consumo está em 22, então no pior cenário o Brasil teria 43 milhões de sacas para exportar para o ano que vem, e no melhor cenário o país teria 50 milhões de sacas para exportar. Mesmo assim, o índice estoque e consumo mundial vai ficar abaixo dos 10%, e ele só deve ficar positivo a partir da safra 27/28", explicou o analista.
Já o analista de café da Datagro, Daniel Pinhata, confirma que nesta temporada deve haver mesmo um avanço na produção total brasileira em relação ao ano safra de 2025/26, puxado principalmente pelo colheita do arábica, mas com o robusta recuando um pouco, já que no último ano atingiu recorde de produção no Brasil. A consultoria ainda não oficializou a projeção para essa temporada, mas trabalha com uma estimativa preliminar próxima de 45 milhões de sacas de arábica e 23 a 24 milhões de sacas de robusta, número que se efetivado, de acordo com Pinhata poderia ocasionar uma recuperação parcial dos estoques.
"Se não tivermos nenhuma quebra de safra nos principais países produtores, estimamos uma recuperação parcial dos estoques sim, mas não o suficiente para retornar aos níveis históricos, pois os estoques globais estão muito reduzidos. Para ilustrar um pouco o atual cenário, os estoques nos portos japoneses vêm renovando mínimas de forma consecutiva desde setembro/24. Os últimos dados disponíveis (novembro/25) apontam 2,11 milhões de sacas, o menor valor da série ao menos desde 2019, que é o início da nossa série histórica para esta informação", completou o analista da Datagro.
De acordo com o analista e diretor da Pharos Consultoria, Haroldo Bonfá, do ciclo 2025/26 o Brasil ficou com um déficit que gira em torno de 5 milhões de sacas. E mesmo diante deste quadro persistente e apertado, que resultou em preços firmes e maios altos do café, a demanda permaneceu inelástica e crescente.
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Haroldo pontua o se o clima permanecer favorável, com chuvas dentro do padrão esperado até meados do mês de abril, o Brasil tem potencial de atingir um volume de produção de 70 milhões de sacas, "porém temos que entender que mesmo com esse volume, seguimos com a demanda crescente e estoques apertados. Diante desta situação, o produtor estando mais bem capitalizado, não vai querer vender, deixando assim o mercado mais técnico e pressionando os preços futuros", afirmou.
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O QUE DIZEM AS PRIMEIRAS PROJEÇÕES?
Segundo estimativas da Hedgepoint Global Markets, as chuvas registradas durante os meses de outubro e novembro de 2025 no Brasil favoreceram a floração do arábica, enquanto o conilon manteve bom desenvolvimento nas principais regiões produtoras. Diante deste cenário, a companhia projeta que o país pode produzir entre 71 e 74,4 milhões de sacas em no ciclo 2026/27.
“Vemos o arábica entre 46,5 e 49,0 milhões de sacas e o conilon entre 24,6 e 25,4 milhões. Apesar do recuo natural no conilon após um ciclo histórico, a expansão de áreas e a regularidade das chuvas sustentam um quadro positivo. Até ser concluída a fase do enchimento dos grãos, os preços seguirão sensíveis ao clima no Brasil e aos níveis dos estoques nos destinos, o que pode gerar janelas de volatilidade e oportunidades”, explicou Laleska Moda, analista de café da Hedgepoint em relatório divulgado pela empresa.
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Já a StoneX, em sua primeira estimativa, pontua um crescimento de 13,5% para colheita desta temporada no Brasil em relação à safra anterior, alcançando assim 70,7 milhões de sacas. Mesmo com o avanço, a consultoria destaca que o resultado ainda está abaixo do esperado devido às condições climáticas adversas que acometeram algumas regiões produtoras.
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