Muito além da commodity: Rastreabilidade e Indicações Geográficas elevam a qualidade e valorização do café do BR
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"Acredito que o Brasil ainda está patinando no posicionamento do café, que é visto apenas como uma commodity. Hoje é possível ser mais expressivo. Temos mais que um potencial, temos uma realidade", afirmou o Analista de Soluções e Portfólio da Unidade de Agronegócios Sebrae Minas, Rogério Galuppo.
Em um cenário global cada vez mais exigente, a rastreabilidade aplicada ao café e as Indicações Geográficas têm se consolidado como um diferencial estratégico e um recurso essencial para o setor, reforçando a credibilidade e a competitividade do produto no mercado internacional.
O Brasil, maior produtor mundial de café, produz grãos de excelência, com perfis sensoriais únicos e histórias incríveis por trás de cada xícara. "Quem vive a cafeicultura de perto sabe, nossos cafés vão muito além de volume. Produzimos cafés de excelência, que podem competir tranquilamente com origens já consagradas quando o assunto é qualidade. O grande desafio hoje é sermos reconhecidos por essa excelência. E é aí que entram a rastreabilidade e as Indicações Geográficas, as IGs", explicou a Dra. em Engenharia Florestal e cafeicultora, Viviane Palma.
Segundo Viviane, atualmente o Brasil tem condições naturais privilegiadas e produtores cada vez mais conscientes, que estão investindo em boas práticas ambientais, sociais e de governança. "O Brasil é hoje o país com o maior número de IGs de café, espalhadas pelas regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul. Essa diversidade é uma das nossas maiores forças, pois entrega perfis sensoriais distintos e experiências únicas. Eu produzo dentro da IG Sudoeste de Minas e tenho muito orgulho de apresentar cafés de altíssima qualidade, com notas marcantes de chocolate, caramelo e nozes", contou a cafeicultora.
O café brasileiro é o produto com maior número de Indicações Geográficas do país, se consolidando com um total de 20 IGs espalhadas por diversas regiões produtoras. De acordo com o vice-presidente da BSCA, Wellington Carlos Pereira, as IGs são ferramentas estratégicas para a valorização das origens e dos cafés especiais por conectarem território, identidade, qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade.
"Elas representam um avanço importante na forma como o Brasil comunica seus cafés ao mundo. No entanto, as IGs ainda enfrentam alguns desafios estruturais que precisam ser superados para que gerem valor consistente e duradouro para toda a cadeia, sendo a necessidade de uma governança coletiva contínua, critérios técnicos que assegurem qualidade e tipicidade sem limitar a diversidade sensorial das origens brasileiras e a necessidade de uma convergência regulatória entre o modelo europeu e o sistema brasileiro. Para que o reconhecimento gere resultados consistentes em longo prazo, é fundamental que haja alinhamento técnico, normativo e operacional entre os padrões praticados na UE e os sistemas brasileiros", destacou Pereira.
Agora, quando se fala em rastreabilidade, o vice-presidente da BSCA destaca que já é uma prática consolidada no mercado de cafés especiais do Brasil, fruto de um trabalho estruturado e contínuo liderado pela Associação em seus programas de qualidade e certificações. "Esse trabalho é reconhecido internacionalmente e encontra similaridades com os aplicados na Indicações Geográficas", reforçou.
Para o analista do Sebrae Minas, Rogério Galuppo, uma indicação geográfica gera uma proteção ao produto, agregando controle aos processos, que resulta em credibilidade. "Já a rastreabilidade, ela não pode ser vista apenas como um caminho a ser percorrido, e sim como um instrumento de garantia de todo o processo produtivo, de garantia da origem. A qualidade por si só não é mais um diferencial, é apenas a porta de entrada, um fator dentro de outros processos de diferenciação do produto", completou.
Galuppo reforça o ponto que em algumas regiões brasileiras falta maturidade de gestão, infraestrutura, e até mesmo dinheiro para desenvolver da melhor forma o processo que traz excelência, "muitas vezes, todo o processo é feito de forma muito empírica pelo produtor, que vê mais custos do que beneficio nestes processos de IGs e rastreabilidade. Ele tem que enxergar o valor que isso traz ao seu produto, e não estou falando apenas de dinheiro", alertou.
"Acredito que rastreabilidade, sustentabilidade e identidade territorial são caminhos concretos para mostrar ao mundo que o café brasileiro não é só quantidade, e sim é excelência com responsabilidade", pontuou então Palma.
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