Região do Cerrado Mineiro anuncia seu reposicionamento como marca territorial: de origem produtora a movimento regenerativo global
Primeira Denominação de Origem de cafés do Brasil, responsável por 12,7% da produção nacional que exporta para mais de 30 países, a Região do Cerrado Mineiro (RCM) não quer ser lembrada apenas pelo que produz: quer ser reconhecida pelo que inspira.
Com o lançamento de sua nova estratégia de marca territorial, desenvolvida em parceria com o Sebrae, a região anuncia um reposicionamento histórico: de origem produtora de excelência a um ecossistema vivo de inovação, cultura e regeneração, um movimento que transcende fronteiras, conecta gerações e redefine o que significa ser uma grande origem de café no mundo.
Da terra ao movimento
A história do Cerrado Mineiro é, antes de tudo, uma história de atitude. No fim da década de 1960, produtores pioneiros, muitos vindos de São Paulo e Paraná, apostaram tudo em uma terra que a tradição considerava incapaz de produzir cafés de qualidade. Corrigiram a acidez dos solos, venceram a seca com sistemas de irrigação e, cooperativamente, construíram o que se tornaria o polo cafeeiro mais inovador do Brasil.
Em 1995, a região foi a primeira a criar uma identidade coletiva, o Café do Cerrado, e a obter o reconhecimento de indicação geográfica pelo INPI. Em 2005, conquistou a Indicação de Procedência; em 2013, a primeira Denominação de Origem para cafés de todo o Brasil. Em 2022, um produtor cooperado da Expocaccer, Fernando Nogues Beloni, recebeu a primeira certificação de cafeicultura regenerativa do mundo, concedida pela britânica Regenagri. Hoje, a região detém a maior área certificada em agricultura regenerativa do Brasil, com quase 30 mil hectares.
Cada marco é, na essência, o mesmo gesto: ir além. Ressignificar o que é possível.
O propósito
O novo posicionamento da RCM nasce de uma pergunta radical: o que acontece quando uma região produtora de café decide que o café é apenas o começo? A resposta é o propósito que agora orienta toda a estratégia da marca territorial: "Ressignificar o Produzir, o Inovar e o Viver, Liderando um Futuro Regenerativo.”
De produto à visão de mundo
A nova estratégia de marca territorial da RCM representa uma ruptura consciente e necessária. A região move-se de uma identidade centrada em produto, qualidade certificada, volume e premiações para uma identidade centrada em visão de mundo, um ecossistema regenerativo que integra:
- Produção e cafeicultura regenerativa
- Comercialização com rastreabilidade e origem controlada
- Inovação tecnológica e pesquisa aplicada
- Empreendedorismo cooperativo e governança de território
- Turismo de experiência e cultura de origem
- Educação e formação de futuras gerações
- Bem-estar e prosperidade como valor emergente
Esta transição posiciona a RCM ao lado de iniciativas territoriais de referência global, transformando a origem em Soft Power.
Três princípios. Um movimento
Transcender fronteiras
A RCM não exporta apenas café. Exporta um modelo. Um modo de pensar e agir. Laboratório vivo que integra empreendedorismo, inovação e regeneração, a região projeta-se como referência global, não apenas de origem, mas de visão estratégica para o agro e para a cafeicultura mundial.
Autenticidade e cultura de região
Com 4.500 produtores em 55 municípios, a RCM não é um produto. É uma comunidade. A nova marca territorial aprofunda o senso de pertencimento e identidade, conectando gerações, fortalecendo cooperativas e criando uma cultura de origem controlada que agrega valor em toda a cadeia, do campo à xícara, da fazenda ao investidor.
Visão regenerativa
Mais do que preservar, regenerar é transformar. A RCM já é a região com a maior área de cafeicultura regenerativa certificada do Brasil. Agora, institucionaliza essa vanguarda como pilar estratégico e diferenciador de marca, posicionando-se como a primeira origem de café do mundo a adotar a regeneração como visão de desenvolvimento dos negócios e do território, não apenas como técnica agrícola. "Fomos a primeira origem certificada do Brasil. Fomos pioneiros na Denominação de Origem, no cooperativismo de alta performance, na cafeicultura regenerativa. Agora damos o próximo passo: construir uma marca territorial que seja reconhecida mundialmente não apenas pela qualidade do nosso café, mas pela força do nosso propósito. O Cerrado Mineiro é um movimento. E este movimento traz desenvolvimento e prosperidade para um todo”, explica Gláucio de Castro, presidente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado.
A força da região em números
A estratégia de marca territorial da RCM se ancora em credenciais sólidas e inéditas:
- 4.500 cafeicultores em 55 municípios do Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas Gerais
- 255 mil hectares de lavouras, 12,7% da produção brasileira de café
- 6 milhões de sacas produzidas anualmente
- Cafés exportados para mais de 30 países, em todos os continentes
- 1ª Denominação de Origem de cafés do Brasil (2013)
- 1ª certificação ISO 9001 do mundo para uma região cafeeira
- 1ª fazenda de café com certificação regenerativa do mundo (Regenagri - Control Union, 2022)
- Maior área de cafeicultura regenerativa certificada do Brasil (quase 30 mil hectares)
- Crescimento de 160% na certificação de origem em 2024
- Parceria com a illy caffè desde 2023, sendo o primeiro café comercializado com selo regenerativo, em escala global.
Um convite à colaboração e ao investimento
A nova estratégia de marca territorial da RCM é, acima de tudo, um convite. Um convite a cooperativas e produtores que queiram fortalecer sua identidade dentro de um ecossistema maior. Um convite a parceiros estratégicos do agro à tecnologia, da pesquisa ao mercado financeiro, que queiram cocriar o futuro da cafeicultura regenerativa. Um convite a governos e lideranças que queiram apostar em um território que já provou ser capaz de inventar o novo.
Assim como o Cerrado Mineiro desafiou a tradição e se transformou na última fronteira da cafeicultura moderna mundial, a marca territorial Região do Cerrado Mineiro agora desafia os limites do que uma origem produtora pode ser, e convida o mundo a fazer parte deste movimento. "A Região do Cerrado Mineiro, mais uma vez, demonstra seu posicionamento de vanguarda. Com uma iniciativa ousada, bem estruturada e cuidadosamente coordenada, o território impulsiona não apenas o desenvolvimento da cafeicultura, mas também o fortalecimento de diversos setores que movimentam sua economia e ampliam oportunidades para produtores, empresas e comunidades locais. Uma região que constrói o futuro, antecipa tendências, gera valor e consolida um modelo de desenvolvimento que combina competitividade, identidade territorial e prosperidade compartilhada. Para o Sebrae Minas, é motivo de grande orgulho apoiar e caminhar ao lado desse movimento, que se tornou referência de pioneirismo, inovação e liderança para todo o agronegócio brasileiro”, conclui Marcelo de Souza e Silva, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas.
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