Museu do Café inaugura exposição que destaca o avanço do café brasileiro na China
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O Museu do Café inaugura, a partir de 24 de abril, a exposição temporária “Ouro Negro e o Dragão”, da artista plástica Camila Arruda. A mostra reúne 15 obras inéditas e investiga o crescimento da China como um dos principais importadores do café brasileiro, além de propor uma reflexão sobre as transformações culturais e simbólicas relacionadas ao consumo da bebida no país asiático.
A abertura está marcada para as 11h, com entrada gratuita. A iniciativa integra as celebrações do Ano da Cultura e do Turismo entre Brasil e China em 2026 e amplia o olhar do público sobre a presença do café brasileiro em um mercado historicamente associado ao consumo de chá.
O projeto tem origem em uma pesquisa iniciada em 2019, após uma viagem da artista à China. A partir dessa experiência, a exposição constrói uma narrativa que conecta tradição e contemporaneidade, abordando mudanças no comportamento de consumo e o papel do país asiático na economia global.
A curadoria está organizada em três momentos. O primeiro explora a cosmologia chinesa, com referências a pensadores como Confúcio e Mêncio e conceitos como Yin-Yang e Dao, ligados à ideia de harmonia. Na sequência, o café aparece como símbolo de status e cosmopolitismo, em diálogo com elementos históricos como a porcelana da Dinastia Ming. Por fim, a mostra destaca as transformações recentes da China, incluindo inovação tecnológica e novos padrões urbanos, com o café brasileiro inserido nesse contexto.
Entre os destaques está uma escultura de dragão com quatro metros de comprimento, inspirada nas pipas tridimensionais de Weifang e produzida com materiais como mexedores de bambu e copos de papel. Outro ponto de atenção é a obra “Sopro”, composta por cerca de 65 quilos de grãos de café torrado, que explora a dimensão sensorial por meio do aroma e estabelece uma conexão simbólica entre o porto de Santos e o mercado chinês.
A artista também desenvolveu tintas a partir de café e chá verde, aplicadas sobre algodão cru, além de utilizar madeira revestida com caulim, material base da porcelana. O uso de folhas de ouro reforça a ideia do café como símbolo de riqueza e prestígio.
Segundo Camila Arruda, a proposta é evidenciar como o café passou a representar transformação e status na China contemporânea, refletindo mudanças culturais e econômicas em curso no país. A exposição segue em cartaz no Museu do Café, localizado no Centro Histórico de Santos, com visitação de segunda a domingo, em horários variados.
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