Chuvas durante a colheita impulsionam café e bolsas encerram o dia com fortes ganhos
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Os preços do café encerraram esta terça-feira (16) em forte alta nas bolsas internacionais. O mercado reagiu principalmente às preocupações com as condições climáticas nas regiões produtoras do Brasil, que podem afetar o ritmo da colheita e os trabalhos de secagem dos grãos.
Na Bolsa de Nova Iorque, o contrato julho/26 do café arábica fechou cotado a 277,25 cents de dólar por libra-peso, com alta de 1.430 pontos. O setembro/26 avançou 1.360 pontos, para 272,80 cents/lb, enquanto o dezembro/26 registrou ganho de 1.185 pontos, encerrando a sessão a 263,60 cents/lb.
Em Londres, o robusta também fechou em valorização. O contrato julho/26 subiu 62 pontos, para US$ 3.669 por tonelada. O setembro/26 avançou 69 pontos, encerrando a US$ 3.598 por tonelada, enquanto o novembro/26 ganhou 79 pontos, fechando a US$ 3.545 por tonelada.
Segundo Gil Barabach, analista de Safras & Mercado, o principal fator de sustentação das cotações continua sendo o clima nas regiões produtoras brasileiras. De acordo com o analista, as chuvas registradas em importantes áreas de café arábica têm dificultado o avanço da colheita e aumentado as preocupações em relação à secagem dos grãos e à preservação da qualidade da safra.
Barabach destaca que, embora o Brasil caminhe para uma produção expressiva em 2026, o mercado permanece atento à oferta disponível no curto prazo. As precipitações observadas durante a colheita reduzem o ritmo dos trabalhos de campo e podem provocar atrasos na entrada de volumes maiores de café no mercado físico.
A preocupação não se limita apenas ao avanço da colheita. Segundo o analista, as chuvas em um período de intensa movimentação nas lavouras também elevam a atenção sobre possíveis impactos na qualidade dos lotes que estão sendo colhidos e secos neste momento.
Outro fator acompanhado pelos investidores é o comportamento dos produtores brasileiros. Mesmo com a entrada gradual da nova safra, a comercialização segue ocorrendo de forma moderada em diversas regiões, o que ajuda a limitar a pressão de oferta sobre as cotações internacionais.
A análise de Marcelo Moreira, da Archer Consulting, reforça que o clima segue como principal variável para o mercado neste momento. Segundo o especialista, a aproximação do inverno no Hemisfério Sul mantém os agentes atentos às previsões meteorológicas para as regiões cafeeiras brasileiras, especialmente diante da possibilidade de eventos climáticos que possam afetar a produção ou a qualidade dos grãos.
Apesar das projeções apontarem uma safra robusta no Brasil, o mercado ainda busca maior clareza sobre o rendimento efetivo das lavouras e a qualidade do café que está chegando ao mercado. Enquanto persistirem dúvidas sobre esses fatores, as condições climáticas devem continuar exercendo forte influência sobre a formação dos preços.
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