Mercado do café despenca e devolve parte dos ganhos da véspera
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Os preços do café aprofundaram as perdas nesta terça-feira (7), devolvendo parte dos ganhos expressivos registrados na sessão anterior. O movimento é atribuído principalmente à realização de lucros e às vendas técnicas após o mercado atingir os maiores patamares dos últimos meses.
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato setembro/26 do café arábica caía 3.235 pontos, negociado a 317,60 cents de dólar por libra-peso. O vencimento dezembro/26 recuava 3.040 pontos, cotado a 305,00 cents/lbp.
Na Bolsa de Londres (ICE Europe), o robusta também registrava forte desvalorização. O contrato setembro/26 perdia 172 pontos, para US$ 3.872 por tonelada, enquanto o vencimento novembro/26 recuava 168 pontos, negociado a US$ 3.839 por tonelada.
Segundo análise da Barchart, o mercado passa por uma correção após o rali da segunda-feira, quando o arábica atingiu a máxima em cinco meses e meio e o robusta alcançou o maior nível em cinco meses. Além da realização de lucros, a elevação das margens exigidas pela ICE para negociação dos contratos futuros também estimulou liquidações de posições compradas.
Na avaliação do analista Gustavo Matias, o forte movimento registrado entre segunda e terça-feira tem características predominantemente técnicas. Segundo ele, uma alta seguida por uma queda em apenas dois pregões dificilmente pode ser explicada apenas pelos fundamentos do mercado. Para o analista, fatores como fluxo de fundos, cobertura de posições vendidas (short covering), acionamento de ordens de stop, operações com opções, rolagem de contratos e movimentação de grandes participantes tiveram papel determinante na volatilidade recente.
"Os fundamentos criaram o ambiente para a reação dos preços, mas foi o fluxo financeiro que executou esse movimento", resume. Ainda de acordo com Matias, se houvesse um fator estrutural novo sustentando a alta, a devolução de mais de 3 mil pontos em um único dia dificilmente teria ocorrido.
As preocupações climáticas relacionadas ao El Niño também já vinham sendo incorporadas aos preços nas últimas sessões. Na avaliação de analistas, esse cenário ajuda a explicar a correção observada nesta terça-feira, diante dos sinais de sobrecompra após a forte valorização registrada no pregão anterior.
Apesar da correção, os fundamentos de suporte permanecem no radar. O atraso da colheita brasileira, provocado pelas chuvas, segue limitando a oferta imediata, enquanto a possibilidade de novas precipitações em julho e os baixos estoques certificados de arábica continuam sustentando as preocupações com a disponibilidade de café no curto prazo.
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