Tarifa dos EUA sobre café solúvel brasileiro afetaria consumidores e empresas norte-americanas, afirma setor
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Por Victoria Pacheco
SÃO PAULO, 7 Jul (Reuters) - Uma proposta de tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre o café instantâneo brasileiro corre o risco de aumentar os custos para as empresas e os consumidores norte-americanos, ao interromper o abastecimento de um produto que o país em grande parte importa, afirmou o setor brasileiro de café solúvel.
Mais de 90% do café solúvel brasileiro é destinado aos EUA, representando mais de um quinto das importações de café instantâneo dos EUA, o que equivale a cerca de 15.500 toneladas por ano, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).
“Ao criar essa sobretaxa, negócios e os empregos serão impactados. E os custos mais altos serão repassados aos consumidores americanos”, afirmou Aguinaldo José de Lima, diretor-executivo da Abics.
O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) propôs uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros no âmbito de uma investigação da Seção 301, enquanto o governo do presidente Donald Trump anunciou separadamente uma tarifa adicional de 12,5% sobre mercadorias, incluindo o café instantâneo brasileiro, provenientes de mais de 60 países.
Representantes da Abics, do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e da Associação Nacional de Café dos EUA participaram das audiências públicas do USTR em Washington na segunda e na terça-feira, argumentando que a tarifa proposta aumentaria os preços ao consumidor, reduziria as margens de lucro das empresas e afetaria desproporcionalmente as famílias de baixa renda que dependem de café a preços acessíveis.
Os EUA produzem menos de 6% de seus próprios produtos de café instantâneo, acrescentou Lima.
“Os Estados Unidos dependem de importações, e não há países com capacidade suficiente para suprir o fornecimento do Brasil com a mesma competitividade de preço”, disse ele.
O café instantâneo brasileiro está atualmente sujeito à tarifa global temporária de 10% imposta pela Casa Branca depois que os tribunais dos EUA revogaram uma tarifa anterior de 50% sobre a maioria dos produtos brasileiros.
O café instantâneo tem crescido em popularidade nos EUA, com 11% dos consumidores diários de café agora optando por ele, ante 6% em 2021, de acordo com a Associação Nacional do Café dos EUA (NCA).
O setor brasileiro de café solúvel vê pouca justificativa técnica para excluir seus produtos da lista de outros itens de café isentos de tarifas, disse Lima.
“Todos os outros produtos de café foram isentados, só não foi o solúvel. Até o café solúvel com sabor está isentado. Então não há justificativa técnica para que o solúvel fique fora”, afirmou.
(Reportagem de Victoria PachecoReportagem adicional de Oliver Griffin)
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