Café ganha força em NY com incertezas sobre a oferta, mas fecha com estabilidade a 6ª feira

Publicado em 14/08/2026 15:40
No Brasil, mercado registrou semana de cautela entre os cafeicultores e negócios apenas pontuais

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Os preços do café arábica encerraram a sessão desta sexta-feira (14) em alta na Bolsa de Nova York, depois de trabalharem boa parte do dia em campo misto. De um lado, o mercado continua  sustentado, principalmente, pelo ritmo mais lento da colheita brasileira e das preocupações com a oferta. De outro, os ajustes naturais e técnicos acaba pressionando, pontual e ligeiramente, os futuros não só do arábica, mas também do robusta negociado na Bolsa de Londres, pelo cenário ainda muito incerto em que está inserido. 

O setor cafeeiro, tanto no cenário internacional, quanto no Brasil, enfrenta um período desafiador e de difícil previsibilidade. Em entrevista ao Bom Dia Agronegócio desta sexta-feira, no Notícias Agrícolas, o analista de mercado e diretor do Escritório Carvalhaes, Eduardo Carvalhaes, destacou que a combinação de fatores externos tem gerado uma volatilidade agressiva nas bolsas, deixando operadores e produtores desorientados. 

Assim, o pregão em Nova York temrinou com alta de 500 pontos no setembro, cotado a 338,10 centavos de dólar por libra-peso; o dezembro com 150 pontos de avanço e valendo 314,30 cents, enquanto o março/27 caiu 5 pontos e fechou o dia cotado a 303,20 cents/lb. 

Carvalhaes aponta uma série de fatores que compõem este ambiente nebuloso, entre eles a questão climática com adversidades em diversas regiões importantes de produção - agravada pelas perspectivas crescentes de um El Niño forte -, além dos estoques ajustados no mundo todo ao passo em que a demanda permanece fortalecida.

O especialista elencou ainda as tensões no Oriente Médio e as consequências da guerra entre Rússia e Ucrânia, que continuam a afetar a circulação de produtos, promovendo um verdadeiro choque na logística global, o qual ainda está sendo absorvido e precificado pelos mercados. 

E nesta semana, somou-se a tudo isso o terremoto que atingiu a Colômbia na segunda-feira (10). O tremor foi bastante grave e afetou diretamete as áreas de produção de café no país, porém, os prejuízos reais ainda não puderam ser avaliados pela condição em que se encontra o território colombiano após a intempérie. 

As exportações pelo porto de Buenaventura foram parcialmente retomadas, mas o fluxo ainda permanece intermitente e limitado. De acordo com as informações citadas pela Barchart, não houve danos significativos às estruturas de processamento e beneficiamento de café, reduzindo parte das preocupações sobre uma interrupção mais prolongada da oferta colombiana.

Ainda nesta sexta-feira, o mercado recebeu a atualização dos trabalhos de colheita no levantamento da Safras & Mercado.  Segundo a consultoria, a colheita da safra 2026/27 do Brasil estava 90% concluída até 12 de agosto, abaixo dos 97% registrados no mesmo período do ano passado e da média de cinco anos, de 94%. No caso do arábica, o avanço era de 86%, contra 95% um ano antes.

Na área de atuação da Cooxupé, uma das principais regiões produtoras do país, a colheita alcançava 74,6% até 7 de agosto, também abaixo dos 80,4% registrados no mesmo período do ano passado. O ritmo mais lento mantém as atenções voltadas à oferta disponível no curto prazo e oferece sustentação às cotações internacionais.

NO BRASIL, CAUTELA E NEGÓCIOS CONTIDOS

Diante de tantas variáveis, o produtor brasileiro tem adotado uma estratégia mais contida. Carvalhaes explica que o cafeicultor utiliza o café como um "seguro" contra as incertezas econômicas. Por ser uma commodity cotada em dólar e ter alta liquidez, o produtor prefere vender o produto aos poucos, conforme a necessidade de caixa, evitando se comprometer com vendas antecipadas que possam resultar em prejuízos caso a safra futura seja menor. 

"Nós estamos passando por uma nova fase no mundo, com a inteligência artificial e a comunicação em rede, e o café também vai procurar novos modos de comercialização que nós não sabemos muito bem como é que vai ser", avalia o especialista, ressaltando que as ferramentas tradicionais de proteção de preço em bolsa têm se mostrado pouco eficientes diante da atual conjuntura.

Além disso, o analista reforça também que o cenário para a safra 2027/28 já desperta atenção, mas a falta de clareza sobre o tamanho da colheita atual e os desafios climáticos mantêm o mercado em um compasso de espera, reforçando a necessidade de cautela por parte de todos os segmentos da cadeia produtiva, com novos negócios ainda escassos e apenas pontuais ocorrendo no Brasil. 

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Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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