Café: Arábica fecha em alta na Bolsa de NY nesta 5ª (17), atento a oferta restrita

Publicado em 20/08/2026 17:28
Em Londres, robusta tem fechamento negativo

Os preços do café fecharam em direções opostas nesta quinta-feira. O café arábica encerrou em alta, consolidando-se abaixo da máxima de 6,5 meses atingida na quarta-feira, enquanto o robusta está sob pressão devido ao aumento dos estoques, que atingiram o maior patamar em 5,25 meses, com 4.622 lotes na terça-feira.

Os ganhos no setor de arábica foram limitados, já que o clima mais seco no Brasil permitiu que o ritmo da colheita de café no país acelerasse. A cooperativa brasileira Cooxupé informou na quarta-feira que 81,1% da colheita estava concluída até 14 de agosto, um aumento de 7 pontos percentuais em relação à semana anterior, mas ainda ligeiramente abaixo dos 86,1% registrados um ano antes.

A precipitação abaixo da média no Brasil deve acelerar o ritmo da colheita de café no país, um fator negativo para os preços. A Somar Meteorologia informou nesta segunda-feira que 0,6 mm de chuva, ou 11% da média histórica, caíram na semana encerrada em 16 de agosto em Minas Gerais, principal região produtora de café arábica do país.

Na quarta-feira, os preços do café arábica dispararam para o maior patamar em 6,5 meses, devido ao ritmo lento da safra brasileira, que está limitando a oferta. A Safras & Mercado informou na última sexta-feira que a safra brasileira de café 2026/27 estava 90% concluída até 12 de agosto, abaixo dos 97% do ano passado e da média de 94% dos últimos cinco anos. A safra de café arábica no Brasil estava 86% concluída, também abaixo dos 95% do ano passado. 

A queda nos estoques é um fator positivo para os preços do café arábica, com os estoques de café arábica da ICE caindo para o menor nível em 2,75 anos, atingindo 229.214 sacas na terça-feira. Em contrapartida, o aumento nos estoques é um fator negativo para o café robusta, já que os estoques da ICE atingiram o maior nível em 5,25 meses, chegando a 4.622 lotes na terça-feira.

Os preços do café também receberam suporte do devastador terremoto da última segunda-feira na Colômbia, o segundo maior produtor mundial de grãos de arábica. Entre as áreas atingidas pelo terremoto de magnitude 7,4 de segunda-feira estavam as províncias produtoras de café de Caldas e Risaralda, que respondem por cerca de um quarto da produção colombiana. 

A Colômbia retomou parcialmente as exportações de café pelo porto de Buenaventura, responsável pela maior parte do comércio internacional, segundo reportagem da Bloomberg publicada na última quinta-feira, que cita o presidente da Associação Colombiana de Exportadores de Café (Asoexport). No entanto, o tráfego portuário permanece intermitente e limitado. A reportagem afirma que o terremoto não causou danos significativos às instalações de processamento e beneficiamento de café, de acordo com os exportadores.

A preocupação de que o fenômeno climático El Niño possa prejudicar a safra de café do Brasil no próximo ano é um fator positivo para os preços. A Commercial, empresa de comercialização de café, afirmou que o El Niño pode atrasar as chuvas no Brasil em setembro e outubro, período em que normalmente ocorre a floração das árvores, prejudicando a safra de café brasileira de 2026/27. Em 8 de julho, o Centro de Previsão Climática dos EUA afirmou que o El Niño, fenômeno que surgiu no Pacífico equatorial no mês passado, provavelmente será um dos mais fortes em mais de 75 anos. Isso cria as condições para meses de possíveis inundações, secas e flutuações de temperatura ainda este ano, o que pode prejudicar a produção de café na Ásia e na América do Sul. 

O aumento expressivo das exportações de café do Vietnã, o maior produtor mundial de robusta, pressiona os preços do café. Em 2 de agosto, o Escritório Nacional de Estatísticas do Vietnã informou que as exportações de café vietnamitas em 2026 (janeiro a julho) cresceram 21,1% em relação ao ano anterior, atingindo 1,31 milhão de toneladas. As exportações de café do Vietnã em 2025 registraram um aumento de 17,5% em relação ao ano anterior, chegando a 1,58 milhão de toneladas. Além disso, a produção de café do Vietnã em 2025/26 deverá crescer 6% em relação ao ano anterior, atingindo o maior patamar em quatro anos, com 1,76 milhão de toneladas (29,4 milhões de sacas).

A última previsão semestral do USDA foi pessimista para os preços do café. Em 22 de julho, o USDA previu que a produção global de café na safra 2026/27 aumentará 6,0% (10,8 milhões de sacas), atingindo o recorde de 189,7 milhões de sacas, principalmente devido à melhora das condições de cultivo no Brasil. O USDA espera que a produção global de arábica cresça 12% em relação ao ano anterior, embora a produção de robusta deva cair 0,7% em relação ao ano anterior. Os estoques mundiais finais devem aumentar 1,9 milhão de sacas, chegando a 26,3 milhões de sacas. Em 3 de junho, o Serviço Agrícola Estrangeiro (FAS) do USDA previu uma safra recorde de café no Brasil em 2026/27 de 71,9 milhões de sacas, um aumento de 14% em relação ao ano anterior.

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Fonte:
Barchart

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