Café despenca em NY nesta 4ª feira; BR aumenta pressão sobre os preços, mas estoques ainda preocupam

Maior disponibilidade da safra brasileira e boas perspectivas para a próxima produção pesam e preços recuam mais de 1%
Publicado em 16/09/2026 15:06

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Os preços do café fecharam a quarta-feira (16), mais uma vez, em baixa nas bolsas internacionais, pressionados pela percepção de uma melhora no cenário de oferta global. Em Nova York, o arábica encerrou o dia em território negativo, enquanto o robusta também recuou em Londres. O movimento ocorre em meio ao avanço da disponibilidade brasileira e às expectativas de uma oferta maior para o próximo ciclo.

No mercado futuro norte-americano, as perdas entre os principais vencimentos foram de mais de 1%, levando o contrato novembro a 279,75 e o março a 271,80 centavos de dólar por libra-peso. 

O principal fator de pressão continua sendo a perspectiva de maior disponibilidade de café no mercado internacional. O Brasil, maior produtor e exportador mundial, vem apresentando um ritmo forte de embarques após a entrada da nova safra, enquanto as condições para a próxima produção também contribuem para uma percepção mais confortável de oferta.

Dados de mercado apontam que as exportações brasileiras de café seguem em ritmo elevado, depois de um agosto de forte desempenho. A melhora do fluxo físico ajuda a reduzir parte das preocupações anteriores relacionadas à disponibilidade imediata da commodity.

Além disso, os preços também refletem as primeiras floradas da nova safra brasileira e combinam o quadro com condições climáticas que podem favorecer seu pegamento. Assim, sinalizam ao mercado, ao menos por enquanto, boas perspectivas para uma temporada considerável, e também pesando sobre as cotações. 

Estoques ainda limitam pressão

Apesar do avanço da oferta brasileira, o mercado ainda encontra suporte no cenário de estoques apertados. As reservas certificadas de café arábica na ICE permanecem em níveis historicamente baixos, mantendo a preocupação com a disponibilidade de café de qualidade para entrega imediata.

Esse cenário cria uma disputa entre dois vetores: de um lado, a maior oferta física e as perspectivas para a próxima safra; de outro, os estoques reduzidos e os riscos climáticos, que continuam impedindo uma leitura de ampla folga no balanço global.

E daí, cafeicultor?

Para o produtor brasileiro, o movimento desta quarta-feira reforça a importância de acompanhar não apenas Nova York, mas também o comportamento do mercado físico, do câmbio e dos diferenciais praticados no Brasil. Nesta quarta, além das perdas nas bolsas, o mercado foi também pressionado pela queda do dólar frente ao real, levando a moeda americana de volta aos R$ 5,14. 

A questão central para as próximas semanas será entender se a maior disponibilidade brasileira representa apenas um movimento sazonal de entrada da safra ou se começa a configurar uma mudança mais consistente na percepção de oferta global.

Ao mesmo tempo, os estoques apertados e a possibilidade de novas alterações climáticas no Brasil continuam sendo fatores capazes de devolver volatilidade ao mercado.

Assim, depois de uma forte sequência de oscilações, o café entra em uma fase em que a evolução da oferta brasileira ganha cada vez mais peso na formação dos preços internacionais, sem que os riscos de abastecimento tenham desaparecido completamente.

Até que haja maior nitidez sobre o rumo definido dos preços, a liquidez do mercado nacional permanece contida, com a demanda ainda muito presente, mas os cafeicultores mais reticentes para avançar com novos negócios. 

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