Café mantém pressão em NY nesta 4ª feira (23) com oferta maior no radar
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Os preços do café arábica voltam a recuar na Bolsa de Nova York na manhã desta quarta-feira (23), dando continuidade à pressão registrada na sessão anterior, enquanto o mercado acompanha sinais de aumento da oferta global e perspectivas mais favoráveis para a produção nos principais países produtores. Perto de 7h40 (horário de Brasília), o dezembro/26 recuava 0,15%, negociado a 271,90 cents/lb, enquanto o março/27 perdia 0,17%, a 264,25 cents/lb. Maio e julho também registravam baixas de 0,17% e 0,15%, respectivamente.
O movimento desta manhã ainda é moderado, mas acontece depois de uma terça-feira de perdas mais expressivas em Nova York. O dezembro/26 encerrou a sessão anterior com baixa de 410 pontos, ou 1,48%, a 272,30 cents/lb, e o arábica renovou mínimas de três meses.
A pressão sobre as cotações vem se intensificando nas últimas semanas diante de uma mudança importante nas expectativas para a oferta mundial. A Organização Internacional do Café (OIC) estima que a produção global em 2025/26 tenha crescido 4,4% na comparação anual, alcançando o recorde de 183,6 milhões de sacas, enquanto o consumo teria recuado 0,9%, para 180,6 milhões. Com isso, o mercado mundial teria registrado um superávit de aproximadamente 3 milhões de sacas, o primeiro em cinco anos.
O aumento da disponibilidade brasileira também contribui para a pressão sobre os futuros. As exportações totais de café do Brasil em agosto cresceram 31% sobre o mesmo período do ano passado, para 4,155 milhões de sacas, recorde para o mês. Os embarques de arábica avançaram 26%, enquanto os de robusta cresceram 54%.
Além disso, tradings vêm direcionando volumes importantes de arábica brasileiro para os armazéns certificados da ICE. Segundo informações obtidas pela Reuters junto a operadores e analistas, algumas das maiores empresas do setor preparavam volumes que poderiam mais do que dobrar os estoques certificados da bolsa, caso todo o café encaminhado seja aprovado para entrega.
O movimento ganha importância porque justamente os estoques extremamente baixos vinham funcionando como um dos principais fatores de sustentação dos preços.
Apesar da recente recuperação, os estoques certificados de arábica chegaram neste mês a 217.646 sacas, mínima em 27 anos, antes de avançarem para 258.415 sacas. Portanto, embora a perspectiva de maior oferta pese sobre as cotações, a disponibilidade imediata permanece historicamente apertada.
CLIMA NO BRASIL AINDA EM FOCO
As condições para a próxima safra brasileira também ganharam peso na formação dos preços. As chuvas recentes nas principais regiões produtoras melhoraram a umidade do solo justamente durante um período importante para as floradas e o desenvolvimento da safra 2026/27. Na semana encerrada em 13 de setembro, Minas Gerais recebeu 59,4 milímetros, segundo dados da Somar citados pelo Barchart. Condições favoráveis também vêm sendo registradas no Vietnã.
Ao mesmo tempo, o clima continua sendo um importante fator de risco. O desenvolvimento das floradas e, posteriormente, o pegamento dos frutos ainda serão determinantes para confirmar o potencial produtivo brasileiro.
Assim, Nova York começa esta quarta-feira tentando equilibrar duas forças bastante distintas: de um lado, uma perspectiva de oferta mundial mais confortável e maior disponibilidade de café brasileiro; de outro, estoques certificados de arábica que continuam historicamente baixos.
Depois das perdas acumuladas nas últimas semanas, o mercado também passa a discutir até onde essa expectativa de maior oferta já foi incorporada aos preços e quanto ainda dependerá da confirmação de uma boa safra brasileira em 2026/27.
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