Café dispara em Nova York nesta 2ª feira (28), com fundos cobrindo posições vendidas
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Os preços do café arábica avançam com força na Bolsa de Nova York nesta segunda-feira (28), dando continuidade à recuperação iniciada no final da semana passada. O movimento acontece depois de uma sequência de perdas que levou as cotações às mínimas dos últimos meses e abriu espaço para uma forte cobertura de posições vendidas pelos fundos. Perto de 12h (horário de Brasília), as cotações subiam entre 3,7% e 4,3% nos principais vencimentos, levando o dezembro a valer 290,55 cents e o maio a 279,80 centavos de dólar por libra-peso. O movimento técnico já havia começado a aparecer nos últimos pregões, com algumas altas já observadas no final da última semana.
A pressão vendedora acumulada anteriormente levou os fundos registrarem um movimento de retomada e recompra de parte destas posições, contribuindo para o movimento tão intenso de alta deste início de semana.
Embora o movimento desta segunda-feira tenha forte componente técnico, os fundamentos ainda oferecem pontos de sustentação. Os estoques certificados de café arábica na ICE permanecem em níveis historicamente baixos, o que não só limita baixas quando elas aparecem, mas funcionando como combustível em dias de alta. Na última quarta-feira (23), somavam 254.480 sacas, após atingirem apenas 217.646 sacas uma semana antes, o menor volume em 27 anos. No mesmo período de 2025, os estoques eram de 643.341 sacas.
A disponibilidade restrita de café certificado ajuda a aumentar a sensibilidade das cotações aos movimentos dos fundos, especialmente depois das fortes perdas acumuladas recentemente.
Há, entretanto, expectativa de recomposição parcial desses estoques. Traders vinham preparando embarques relevantes de café brasileiro para armazéns certificados pela ICE, justamente depois da forte redução dos volumes disponíveis na bolsa.
No Brasil, principal produtor mundial de arábica, as atenções permanecem sobre o desenvolvimento da safra 2027/28. As chuvas registradas em setembro favoreceram as primeiras floradas e melhoraram a umidade do solo em diversas regiões produtoras. O Rabobank avaliou recentemente as condições para florada e pegamento como geralmente satisfatórias, enquanto o Cepea também apontou que as precipitações vinham favorecendo o desenvolvimento inicial da próxima temporada.
A alta acontece ainda diante de fundamentos que continuam limitando o entusiasmo comprador. A safra brasileira de 2026 está praticamente encerrada e a entrada dessa oferta, somada ao forte ritmo de exportações do país, vinha pressionando Nova York nos últimos pregões. Em agosto, os embarques brasileiros totais alcançaram 4,16 milhões de sacas, recorde para o mês e avanço de 31% sobre agosto de 2025.
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