Café devolve parte dos ganhos da segunda-feira e fecha em queda nas bolsas de Nova York e Londres

Arábica recua 1,77% e robusta perde mais de 2% no contrato novembro/26; estoques certificados baixos e riscos climáticos permanecem no radar
Publicado em 20/10/2026 15:50

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Os preços internacionais do café encerraram a terça-feira (20) em queda nas bolsas de Nova York e Londres, devolvendo parte das fortes valorizações registradas na sessão anterior. O arábica recuou 1,77% no principal vencimento, enquanto o robusta apresentou perdas superiores a 2% no contrato novembro/26.

Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato dezembro/26 terminou negociado a 310,10 cents por libra-peso, com desvalorização de 1,77%. O março/27 recuou 1,42%, para 297,95 cents, enquanto o maio/27 perdeu 1,43% e encerrou cotado a 293,20 cents por libra-peso.

O movimento ocorreu após uma segunda-feira de forte valorização, quando o dezembro/26 havia avançado 3,31% e encerrado o pregão a 315,70 cents por libra-peso, em meio às preocupações com a baixa disponibilidade de estoques certificados e a oferta internacional de café.

Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), o robusta também encerrou a sessão em território negativo. O contrato novembro/26 recuou US$ 74, para US$ 3.410 por tonelada, enquanto o janeiro/27 perdeu US$ 56 e terminou cotado a US$ 3.424. O março/27 apresentou baixa de US$ 47, negociado a US$ 3.411 por tonelada.

Estoques certificados continuam no radar

Apesar das desvalorizações desta terça-feira, os baixos estoques certificados de arábica na Bolsa de Nova York permanecem entre os principais fundamentos acompanhados pelo mercado.

Segundo informações divulgadas pela Reuters na segunda-feira, os estoques certificados da ICE estavam próximos de 240,8 mil sacas, ainda perto da mínima de aproximadamente 27 anos observada em setembro.

A disponibilidade reduzida mantém as atenções sobre a chegada de carregamentos brasileiros aos armazéns certificados antes do vencimento do contrato dezembro.

Em entrevista concedida ao Notícias Agrícolas na segunda-feira, Vicente Zotti, da NRT, avaliou que a recente valorização do arábica esteve mais relacionada à cobertura de posições vendidas no mercado futuro do que propriamente a mudanças nas perspectivas climáticas.

Segundo o analista, a baixa disponibilidade de café certificado e os diferenciais elevados de determinadas origens podem dificultar o atendimento de posições no mercado futuro, contribuindo para movimentos mais intensos nas bolsas do que no mercado físico.

O recuo desta terça-feira ocorre, portanto, depois de uma sequência de ganhos, sem que haja confirmação de uma mudança significativa nesses fundamentos.

Previsões climáticas e exportações brasileiras são acompanhadas

No Brasil, novas previsões meteorológicas indicam aumento das chuvas em parte do cinturão cafeeiro do Sudeste a partir de quinta-feira (22).

Segundo informações da World Weather reproduzidas pela Terra Investimentos, as precipitações devem ganhar intensidade entre São Paulo e o Sul de Minas, enquanto áreas mais ao norte, incluindo regiões da Bahia e do norte mineiro, ainda podem apresentar distribuição irregular das chuvas.

No cenário internacional, a Indonésia também permanece como ponto de atenção, diante das condições de seca em regiões produtoras e da possibilidade de continuidade das restrições de umidade nos próximos dias.

A oferta brasileira de conilon segue em evidência. Dados do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV) mostram que as exportações de café pelo Espírito Santo superaram 5 milhões de sacas entre janeiro e setembro de 2026, com o conilon respondendo por aproximadamente 4,22 milhões de sacas.

Os números reforçam a importância do Brasil no abastecimento internacional, em um mercado que continua acompanhando os efeitos das condições climáticas sobre as próximas safras de robusta no Vietnã, na Indonésia e nas regiões produtoras brasileiras.

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