Preços da carne suína na China, já em nível recorde, devem subir mais e mais rápido

Publicado em 15/10/2019 11:03 e atualizado em 15/10/2019 13:35
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Por Dominique Patton

PEQUIM (Reuters) - Os preços já recorde da carne suína na China devem subir mais rapidamente nas próximas semanas, disseram analistas nesta terça-feira, mesmo com dados oficiais mostrando que a carne mais popular do país já pressionou a inflação ao consumidor para máxima em seis anos.

O índice de preços ao consumidor na China (CPI) subiu 3% em setembro na comparação anual, segundo dados do Escritório Nacional de Estatísticas, maior ritmo de alta desde outubro de 2013.

Os preços dos alimentos subiram, principalmente devido à elevação dos valores da carne de porco após a disseminação da mortal peste suína africana pelo país, o que reduziu em 41% o rebanho de suínos chinês, segundo informado pelo governo na segunda-feira.

Os preços da carne suína no varejo subiram 84% na comparação anual, para 43,4 iuanes por quilo na semana encerrada em 2 de outubro, segundo dados do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais.

A disparada nos preços da carne suína perdeu ritmo nas semanas antes de um feriado nacional em outubro, uma vez que Pequim liberou 30 mil toneladas de carne suína congelada de suas reservas.

Mas a alta nos preços deve acelerar de novo, com os preços dos porcos vivos disparando após a pausa do feriado do Dia Nacional, disse o executivo chefe da consultoria China-America Commodity Data Analytics, Jim Huang.

Os preços dos suínos vivos saltaram de uma média nacional de 27 iuanes por kg em setembro para 31 iuanes por kg na primeira semana de outubro e atingiram 35 iuanes por kg nesta segunda-feira.

Na populosa província de Guangdong, no sul da China, os preços atingiram 40 iuanes por kg na semana passada, com margens para os agricultores locais agora em 3.000 iuanes por porco.

"Toda semana é um novo recorde", disse Huang, apontando que os preços ganham força com a recomposição de estoques após o feriado.

Outras liberações de reservas estatais teriam impacto limitado, uma vez que os volumes ainda detidos por Pequim são relativamente pequenos, disse Pan Chenjun, analista sênior do Rabobank.

"O quarto trimestre é a alta temporada (de consumo de carne suína), ainda há espaço para novos aumentos", disse ela.

Importações de carne suína da China aumentam nos primeiros três trimestres (Xinhua)138473142_15711158620331n.jpg

Os clientes compram carne suína em uma loja da Costco no distrito de Minhang em Shanghai, no leste da China, em 19 de setembro de 2019. (Xinhua / Liu Ying)

Beijing, 15 out (Xinhua) -- A China importou mais carne suína e bovina nos primeiros três trimestres deste ano, mostraram na segunda-feira dados da Administração Geral das Alfândegas (AGA).

O país importou 1,33 milhão de toneladas de carne suína durante o período, alta de 43,6% em termos anuais, enquanto as importações de carne bovina cresceram 1,13 milhão de toneladas, disse a AGA.

A China proibiu a importação de alimentos de países e regiões infectados por doenças, recusou a entrada de produtos fora de qualificação e combateu o contrabando de carne suína e outros atos ilegais em relação aos produtos de carne.

O país também melhorou a eficiência no registro dos produtores de carne qualificados no exterior. A carne suína importada e a carne refrigerada tiveram prioridade nos testes e despachos aduaneiros do país, disse Li Kuiwen, porta-voz da AGA.

Os dados das alfândegas mostraram que o volume total do comércio estrangeiro do país nos primeiros nove meses do ano aumentou 2,8% em termos anuais para 22,91 trilhões de yuans (US$ 3,2 trilhões).

Peste suína coloca BRF como uma das favoritas no mercado de títulos

Diante da peste suína que se espalha pela Ásia e agora também pela Europa, a BRF está ficando entre as favoritas dos detentores de bonds. Os bonds da BRF com vencimentos em 2026, proporcionaram aos investidores um retorno de 15% nos últimos seis meses. 

Todas as empresas de carnes no Brasil tiveram um rali em 2019, quando a China passou a importar carnes para preencher a lacuna deixada pela peste suína. Os preços dos bonds estão sendo negociados em níveis recordes e a diferença de rendimento com os concorrentes aumentou.

Segundo a BRF, a perspectiva de melhora da demanda coincide com um esforço para reduzir suas dívidas e reconstruir a reputação que ficou manchada após escândalos nos últimos dois anos. 

“A BRF está tentando voltar ao que era antes da crise”, disse Soummo Mukherjee, analista da Lucror Analytics em Nova York, em entrevista por telefone. “Agora temos pelo menos um ano de evidências de que a empresa está levando o plano de desalavancagem a sério", afirma. 

A BRF vendeu ativos na Tailândia, Europa e Argentina e alienou uma participação na produtora de carne bovina Minerva, levantando caixa para aliviar a dívida. A empresa também interrompeu a produção em algumas fábricas brasileiras para ajustar a produção a novos níveis de demanda, criando condições para a recuperação de preços.

As ações foram seguidas por um declínio nos custos de alimentação e um aumento da demanda e preços de exportação impulsionados pela peste suína. 

No mês passado, a China autorizou importações de mais duas fábricas da BRF. Isso aumentou a capacidade de exportação da BRF para a China em 30% para frango e 50% para carne suína, segundo estimativas do Bradesco BBI.

* Com informações da Bloomberg

(Virgínia Alves/Notícias Agrícolas)

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Fonte: Reuters

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