Newcastle: México suspende compras de aves do Brasil; China e Chile restringem Santa Catarina
As restrições comerciais após a confirmação de um foco de doença de Newcastle em uma granja de perus em Nova Itaberaba (SC) têm alcances diferentes entre os compradores. Segundo atualização do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgada nesta terça-feira (20) e reunida em relatório da Terra Investimentos, o México suspendeu compras de produtos avícolas de todo o Brasil. China e Chile limitaram as medidas a Santa Catarina.
A diferença é importante para o setor: um bloqueio nacional impede que empresas contornem a restrição abastecendo aquele destino com produção de outros estados. Quando a suspensão é estadual, permanece a possibilidade de embarques de outras origens brasileiras, desde que atendidas as exigências sanitárias do comprador.
No caso mexicano, a suspensão abrange carne e miúdos de aves, aves vivas, ovos férteis, pintinhos de até três dias e outras categorias de aves. Portanto, os efeitos comerciais vão além dos embarques de carne de frango.
Conforme o levantamento apresentado pela Terra, a China restringiu a entrada de carne de aves catarinense. Já o Chile suspendeu produtos de Santa Catarina como carne fresca de aves, ovos férteis, ovos para consumo humano, pintinhos de um dia e produtos cárneos contendo carne fresca de aves.
Negociação preserva acesso à China para outros estados
Segundo o Mapa, a limitação da restrição chinesa a Santa Catarina foi resultado de negociação do governo brasileiro, evitando uma suspensão sobre todo o território nacional. A medida reduz o alcance do problema para a avicultura brasileira, embora mantenha o desafio comercial para as unidades catarinenses que atendem esse mercado.
Na prática, a análise comercial é que as empresas afetadas poderão precisar buscar outros destinos, renegociar entregas e reorganizar a distribuição dos produtos. Esse redirecionamento pode envolver custos adicionais e condições de venda diferentes das previstas inicialmente.
Para quem produz, o ponto de atenção é a duração das barreiras. Caso as dificuldades de exportação persistam e os volumes não encontrem outros compradores, poderá haver maior disponibilidade de carne no mercado interno, com pressão sobre preços e margens da cadeia.
Também será importante acompanhar eventuais mudanças na programação de abates e de alojamentos das integradoras. Os efeitos sobre cada produtor dependerão da exposição da empresa aos mercados suspensos e da capacidade de remanejar suas vendas.
O estabelecimento onde o foco foi confirmado foi interditado, com suspensão da movimentação de aves. A granja de Nova Itaberaba possui aproximadamente 6 mil perus de corte e foi interditada, com suspensão da movimentação de aves.
Segundo o Mapa, os animais permaneceram na propriedade e não foram destinados à produção de carne para consumo. As medidas anunciadas incluem o sacrifício sanitário das aves, seguido de limpeza e desinfecção das instalações, conforme os protocolos de controle e erradicação.
A operação também prevê o monitoramento de aproximadamente 133 propriedades em Nova Itaberaba e nos municípios vizinhos de Coronel Freitas, Nova Erechim e Águas Frias. As equipes realizarão visitas, avaliações clínicas e coleta de amostras para verificar a presença do vírus. As ações são conduzidas pelo Mapa em conjunto com o Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina.
Consumo permanece seguro
O Ministério da Agricultura reforça que o consumo de carne e demais produtos avícolas submetidos à inspeção sanitária oficial permanece seguro. No comunicado de segunda-feira (19), a pasta informou que não havia previsão de recolhimento de produtos nem de devolução de aves que já tivessem saído de outras propriedades da região.
*Com auxílio de IA