Brasil deve se preparar para forte mudança no padrão das estações

Publicado em 18/10/2014 21:12 e atualizado em 20/10/2014 20:55 2047 exibições

Em sua longa trajetória como climatologista no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o paulistano Carlos Nobre sempre se diferenciou por entender os fenômenos de maneira abrangente, muito além dos modelos meteorológicos. Atualmente, trabalha no Ministério da Ciência e Tecnologia e é membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), da ONU, razão pela qual se diz ganhador do Nobel da Paz de 2007. “As mudanças climáticas são uma ameaça à segurança mundial, pois causam quebra de safras, migrações em massa e guerras”, explica. Da Inglaterra, onde esteve para ministrar uma palestra sobre o futuro da Amazônia no University College de Londres, Nobre falou a VEJA.

O reservatório da Cantareira, que abastece 8 milhões de moradores do Sudeste, está com apenas 4% de sua capacidade. No Rio de Janeiro, o fogo se espalha pela região serrana. Quando essa seca vai acabar? 
Não há como prever. O que posso dizer é que, infelizmente, os meses de setembro e outubro estão mais secos que a média histórica. Como são meses de transição para a estação das chuvas, isso não é um bom sinal. Mas também não significa que novembro terá o mesmo perfil. Para 2015, não há elementos científicos suficientes para dizer se o ano será muito árido ou não. Se for, o impacto será devastador.

Com tantos cientistas debruçados sobre o assunto no Brasil, como justificar tanta imprevisibilidade?
Sabemos o que aconteceu, mas desconhecemos as suas causas. Às vezes, passam-se anos até que se consiga saber o porquê de um fenômeno. Sem essa informação, também não é possível responder se a estiagem vai ou não se repetir. Como os últimos dois anos foram muito áridos no Nordeste, criamos, em novembro do ano passado, um grupo de trabalho com alguns dos mais importantes climatologistas do Brasil para melhorar as previsões meteorológicas. Não enxergamos nos ventos, na temperatura ou na pressão no Atlântico ou no Pacífico nenhum sinal que pudesse prever a estiagem no Sudeste. Mesmo depois de a seca se estabelecer, voltando a estudar os modelos computacionais, verificamos que nenhum deles dava indício do que acabou acontecendo. As previsões no Sudeste sempre foram mais complicadas. Enquanto no Nordeste o clima depende muito do que se passa nos oceanos Atlântico e Pacífico, no Sudeste a lógica é caótica. É quase impossível decifrar sinais precursores e desenhar o cenário mais possível.

Leia a entrevista na íntegra no site da Veja

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Veja

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