Ibrafe: Preços não condizem com a realidade do campo no Feijão-carioca
O mercado de Feijão segue travado e sem tração nos principais polos de comercialização. A instabilidade nas decisões de compra por parte dos empacotadores é visível, especialmente para o Feijão-carioca de padrão intermediário. A exceção continua sendo os lotes de qualidade superior — principalmente os nota 9 — que ainda encontram resistência dos produtores em aceitar valores abaixo de R$ 250,00.
Preços do dia anterior, 24 de junho, segundo CEPEA:
Feijão-carioca Nota 9
Itapeva (SP): R$ 273,90 por saca (queda de 1,06%)
Sul do Paraná: R$ 243,56 por saca (queda de 0,91%)
Feijão-carioca Nota 8,5
Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba: R$ 182,38 por saca
Centro/Noroeste Goiano: R$ 183,22 por saca (estabilidade)
Feijão-preto Tipo 1
Curitiba: R$ 143,03 por saca (alta de 0,65%)
Metade Sul do Paraná: R$ 133,51 por saca (queda de 2,19%)
Análise do mercado
Enquanto o Feijão-carioca enfrenta dificuldade para sustentar preços mais altos. A pressão vem da oferta ainda presente no mercado e dos estoques da safra passada, principalmente em Mato Grosso, onde parte da produção segue armazenada em câmaras frias. No entanto, quanto à mercadoria nova, não há ofertas para atender à demanda por Feijão nota 9 ou melhor. Estão baixando o preço antes do fato, que seria a colheita.
A queda observada em Goiás indica uma pressão pontual de venda, que pode estar ligada à necessidade de caixa ou à perda de qualidade nos lotes estocados. Já a leve alta registrada em Itapeva mostra que ainda há espaço para valorização dos grãos de melhor padrão, mesmo em um cenário geral travado.
O mercado continua morno. Ainda não se pode falar em entressafra, e o ritmo de consumo não acelera. Uma retomada consistente só virá com o fim dos estoques represados e ações mais efetivas para estimular o consumo nacional.
Produtores com Feijão-preto de alta qualidade podem seguir firmes, pois há tendência de valorização nos próximos movimentos do mercado. Já os detentores de Feijões de padrão médio ou inferior devem avaliar com cautela se vale a pena esperar ou realizar negócios agora para evitar maiores perdas adiante.
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