Com quedas na suinocultura independente, produtores não fecham negócio com frigoríficos

As perspectivas de melhora para a suinocultura independente projetadas para esta semana por lideranças no setor não se concretizaram para a maioria dos principais estados produtores. Alguns deles sequer fecharam negócio com frigoríficos devido aos baixos preços oferecidos. A perspectiva era de que essa semana fosse melhor em razão do fim da Quaresma, entrada de benefícios concedidos pelo Governo Federal e gradativa retomada no comércio.
Em São Paulo, segundo a Associação Paulista de Suinocultura (APCS), a Bolsa de Suínos fechou nesta quinta-feira (16) sem referência de preço. Até esta mais recente negociação, o preço praticado para o animal vivo era de R$ 4,26/kg, valor já considerado baixo pela entidade.
Em nota, a APCS informou que desde o início da pandemia, houve uma queda de 57,38% nos preços no Estado, e que irá questionar os "órgãos competentes" se o mesmo percentual caiu no varejo.
Da mesma forma, em Minas Gerais, segundo Alvimar Jalles, médico veterinário e consultor de mercado da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (ASEMG), não houve negociação.
Na semana passada, o preço praticado era de R$ 4,40, e esta semana, a sugestão de comercialização é de R$ 4,20, ainda que não tenha havido acordo. Segundo Jalles, "o mercado está muito tumultuado, e o suinocultor precisa reduzir os custos para conseguir ultrapassar esta fase".
Caso semelhante ocorreu no Paraná, como conta o presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), Jacir José Dariva. Ele relata que o mercado ficou "travado", com pouco volume vendido e com a maioria dos suinocultores "se esquivando dessa queda de braço" com os frigoríficos, oferencendo preços baixos.
"As ofertas de preço foram de R$ 3,30/kg, em média, é fora da realidade. Os preços do suinocultor aqui estão, em torno de R$ 3,70/kg, menor em relação aos R$ 3,90 da semana passada. O valor tinha que ser, no mínimo, R$ 4/kg, e se continuar caindo assim nos próximos dias, a suinocultura vai ficar inviável", lamentou.
Conforme explica Valdeci Folador, presidente da Associação dos Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (ACSURS), na semana anterior, o suinocultor conseguiu negociar o quilo do animal vivo a R$ 4,50, mas nesta semana, o preço médio estabelecido foi de R$ 4,30.
"Se a gente observar que há quatro semanas a gente vendia a R$ 5,58/kg, a gente vê o quanto caiu. E ainda acho que para a semana que vem deva cair ainda mais, chegando perto dos R$ 4/kg. Aí zera de vez em relação aoas custos de produção, ou pode até chegar a dar prejuízo", disse.
Queda registrada também em Santa Catarina no fechamento da bolsa de suínos nesta quinta-feira (16). Segundo o presidente da Associação Catarinense de Produtores de Suínos (ACCS), Losivânio de Lorenzi, o preço do quilo do animal vivo caiu de R$ 4,27 na semana passada para R$ 3,97 esta semana, mas houve registros de negociações em até R$ 3,70/kg.
ESTABILIDADE
Entre os principais estados com produção independente de suínos, o Mato Grosso passou imune de queda nesta semana, permanecendo com preço estável, de acordo com o presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Itamar Canossa.
O valor médio praticado nesta semana para o estado é de R$ 3,40/kg do suíno vivo, e ele atribui essa estabilidade ao alto consumo do que é produzido pelo próprio estado, em torno de 30% a 40%, ao funcionamento do comércio de forma mais flexível, fim da Quaresma e liberação de benefícios sociais pelo Governo Federal.
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