A esperada redução na produção de pintos de corte pode ser limitada
Confirmando o que apontou o AviSite na última quinta-feira, 1º de abril (vide “Capacidade de produção de carne de frango em 2021 é pelo menos 5% maior que a do ano passado”), a produção brasileira de pintos de corte (e, portanto, a de carne de frango) entrou definitivamente em um novo patamar.
Assim, depois de alcançar média mensal próxima de 560 milhões de cabeças entre janeiro e setembro de 2020, no último trimestre do ano o volume produzido subiu para 600 milhões/mês, média que, tudo indica, se manteve no primeiro trimestre de 2021 (eventuais mudanças, se ocorreram, estão atreladas, apenas, ao menor número de dias do trimestre).
Frente a essa constatação, o que se indaga, de imediato, é: onde está a redução que o setor diz estar sendo obrigado a efetuar devido aos altos custos?
Para responder, é preciso, antes, ressaltar que na avicultura as reduções não ocorrem num piscar de olhos, demandam algum tempo. Mas não só isto, pois, neste caso, o setor – que vinha num bom ritmo desde os últimos meses de 2020 – iniciou o novo ano vislumbrando queda no custo (em dezembro, o custo divulgado pela Embrapa recuou quase 7% em relação ao mês anterior).
Infelizmente, porém, essa queda foi efêmera, não se consolidou. Pelo contrário: janeiro e fevereiro ficaram marcados por ainda mais elevados (e inabsorvíveis) aumentos. Foi quando se concluiu ser inviável manter o mesmo ritmo de produção. Mas, a essa altura, a maior parte dos pintos de corte previstos para março já estava incubada. Daí a perspectiva de, também em março, a produção ter permanecido em torno dos 600 milhões de cabeças.
Para resumir e estimando que as primeiras medidas visando à redução tenham sido adotadas nos primeiros dias de março, só se pode contar com alguma queda de produção a partir de maio, ou seja, após (mais ou menos) nove semanas, tempo decorrido entre a incubação do pinto de corte (21 dias) e a criação do frango (42 dias, em média).
Mesmo assim, não se conte com uma redução expressiva. Porque, na atualidade, a indústria do frango - ou, praticamente, toda a avicultura de corte - conta com um tipo bastante diferenciado de empreendedor: aquele que exporta e/ou tem ações em bolsa. Que, portanto, recebe em dólar e se encontra capitalizado, estando em melhores condições de absorver os altos custos. E este, provavelmente, não deve alterar de forma significativa o ritmo de produção planejado anteriormente. Daí a conclusão de que a redução apontada pode ser limitada.
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