Aplicativo desenvolvido na USP permite aos produtores gerenciar os riscos do estresse térmico nos suínos
Por Julio Silva*
O Brasil está entre os cinco maiores produtores de carne suína no mundo e a projeção da Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab, é de que mais de 5,5 milhões de toneladas de carne suína sejam produzidas no País em 2025. No entanto, diversos fatores, como o calor excessivo, por exemplo, podem afetar a qualidade do produto final e diminuir a produtividade do setor.
Com o objetivo de reduzir os problemas térmicos e proporcionar melhor conforto aos animais, foi desenvolvido na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, o GRT Suínos, aplicativo capaz de analisar os riscos aos suínos e direcionar o produtor para as medidas que devem ser tomadas para saná-los.
Nova patente
De acordo com Fabiano Gregolin, desenvolvedor da patente e pesquisador do Grupo de Pesquisa em Bem-Estar, Ambiência e Zootecnia de Precisão (GBAZP) da Esalq, o conforto térmico é um dos principais desafios para a zootecnia. O aplicativo desenvolvido, segundo ele, foi projetado para identificar, avaliar e sugerir soluções para problemas relacionados ao estresse térmico em granjas. “O estresse térmico pode afetar diretamente a saúde, o crescimento e até a qualidade da carne. Nossa ferramenta orienta os produtores, passo a passo, gerando um relatório com análises detalhadas e sugestões de melhorias”, explica.
Conforme o especialista, diferentemente de outros sistemas já existentes no mercado, o GRT Suínos é a primeira ferramenta a oferecer um gerenciamento completo dos riscos térmicos de forma integrada. Ele afirma que existem ferramentas que monitoram doenças, rastreamento logístico e outras questões relacionadas à suinocultura. No entanto, nenhuma delas aborda especificamente a gestão dos riscos térmicos.
Utilização
O público-alvo principal são produtores rurais, técnicos e gestores de granjas de diferentes portes. O aplicativo, compatível com dispositivos Android, foi projetado para ser intuitivo e acessível. O processo começa com o cadastro de informações sobre o ambiente, equipamentos e condição dos animais. Em seguida, o usuário avalia os riscos e atribui valores de impacto e probabilidade, contando com vídeos orientativos que aumentam a precisão da análise. No final, um relatório detalhado é gerado com recomendações para a melhoria do ambiente e bem-estar dos suínos.
Com o desenvolvimento e validação já concluídos, Gregolin ressalta que o próximo passo para a ampliação do uso da tecnologia é a parceria com empresas de tecnologia voltadas para o setor agropecuário e de zootecnia de precisão. A expectativa é que a ferramenta contribua significativamente para a eficiência da suinocultura no Brasil, garantindo melhor qualidade de vida aos animais e maior produtividade para os criadores.
“Nosso diferencial está na combinação de identificação do problema com soluções práticas baseadas em padrões internacionais, como a ISO 31000. Os testes técnicos e de usabilidade foram extremamente positivos, tanto para especialistas quanto para produtores. Agora, buscamos parceiros para disseminar a tecnologia e impulsionar sua adoção no mercado”, conclui Gregolin.
*Sob supervisão de Cinderela Caldeira e Paulo Capuzzo
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