Galinhas em gaiolas são inaceitáveis para 81% dos consumidores no Brasil, aponta pesquisa
![]()
Por Roberto Samora
SÃO PAULO (Reuters) - A criação de galinhas poedeiras em gaiolas, um sistema que predomina na produção de ovos do Brasil, foi considerada "inaceitável" por 81% dos brasileiros entrevistados em uma pesquisa encomendada pela Mercy For Animals (MFA), organização global sem fins lucrativos que atua em prol dos direitos dos animais.
A pesquisa nacional, realizada em março pela Ipsos, cujos resultados foram antecipados à Reuters, apontou ainda que mais de 80% consideram que as empresas alimentícias devem apoiar os produtores na transição para sistemas sem gaiolas, menos cruéis à aves.
O levantamento foi divulgado no momento em que o Brasil, maior exportador de carne de frango do mundo, vem aumentando as exportações de ovos para os Estados Unidos -- que está lidando com um aumento nos preços locais dos ovos após surtos de gripe aviária.
O Brasil está também lidando com os desdobramentos do primeiro caso de gripe aviária em uma granja comercial, neste mês. Para representantes da organização, sistemas produtivos que oferecem maior bem-estar tornam as aves mais resistentes a doenças, reduzindo riscos.
Embora cerca de 180 companhias no Brasil tenham compromissos públicos de usar ovos de galinhas livres de gaiola -- muitas delas grandes empresas do setor de proteína animal -- estima-se que 95% do total produzido no país ainda venha de aves engaioladas.
"É um movimento global (contra o uso de gaiolas), não apenas no Brasil", destacou a vice-presidente de Relações Institucionais e Governamentais da MFA no Brasil, Vanessa Garbini, citando que a pesquisa confirmou uma preocupação dos consumidores.
Ela contou ainda que, das empresas que assumiram compromissos contra o uso de gaiolas, cerca de 120 têm prazo para implementar as promessas neste ano.
Em abril, o grupo M. Dias Branco anunciou que passou a utilizar apenas ovos de galinhas livres, antecipando um compromisso previsto para o final de 2025.
O confinamento de galinhas nas chamadas "gaiolas em bateria" já foi banido em diversos Estados dos EUA e em toda a União Europeia, segundo Garbini.
A organização relatou ainda que 79% dos entrevistados deixariam de consumir marcas que utilizam ingredientes associados ao sofrimento animal, enquanto 83% dos brasileiros se preocupam com o bem-estar animal e 81% com a sustentabilidade dos alimentos que consomem.
Entre os entrevistados, 80% preferem consumir produtos de empresas que adotam práticas responsáveis e que comunicam suas iniciativas de forma transparente ao consumidor.
MESMO COM CUSTOS MAIORES
Uma parcela de 81% opinou que os consumidores deveriam estar cientes da crueldade animal envolvida com os produtos vendidos nos supermercados, e 74% consideraram que restaurantes e supermercados deveriam parar de oferecer mercadorias de tais sistemas mesmo que isso implique aumento nos preços.
Conforme a pesquisa, 67% afirmam estar dispostos a pagar mais por ovos de galinhas livres de gaiolas.
"O objetivo é fazer com que empresas parem de consumir ovos de galinhas confinadas em gaiolas; no setor varejo, queremos que não vendam ovos de galinhas confinadas", disse Garbini, à Reuters.
A MFA pede que empresas assumam compromissos públicos de mudança de ovos de galinhas confinadas para galinhas livres, e que estabeleçam prazos para isso.
Garbini esclareceu que se as galinhas não estiverem presas nas gaiolas, ainda que fiquem em granjas fechadas, isso já preenche o compromisso de melhorar o bem estar-animal. Ela disse que a MFA apoia a criação com acesso externo, "mas isso é um passo além".
Para o veterinário Walter Sanchez-Suarez, que atua na MFA, a produtividade em granjas livres de gaiolas "é equivalente", se os sistemas estão "bem estruturados".
"É viável produzir ovos livres de gaiolas para a população brasileira", disse ele, admitindo que os custos podem subir no início, mas haveria uma acomodação à medida que houver uma transição no sistema.
(Por Roberto Samora)
0 comentário
Reino Unido retira produtos suínos após escândalo sanitário envolvendo peste suína africana no Vietnã
Serviço Veterinário Oficial finaliza visitas nas propriedades da região do foco de gripe aviária em aves silvestres
Tensão no Oriente Médio: demanda consistente e atrasos nos embarques preocupam a cadeia de aves
Embarques de carne suína crescem em fevereiro e Filipinas ampliam liderança entre destinos
Embarques de carne de frango crescem 5,3% em fevereiro
Ovos/Cepea: Cotações seguem firmes com demanda aquecida e oferta limitada