Exportações de frango seguem sob embargo após caso de gripe aviária no RS
O Brasil lidera as exportações globais de carne de frango, com quase 5 milhões de toneladas embarcadas por ano (36% do total mundial), à frente dos Estados Unidos (21%) e da União Europeia (13%). O país exporta, em média, mais de US$ 800 milhões por mês em carne de frango. No entanto, essa receita pode sofrer queda expressiva após o registro do primeiro caso de gripe aviária no sistema de produção comercial brasileiro, disponível na Consultoria Agro do Itaú BBA.
O caso foi identificado em uma granja de matrizes no município de Montenegro (RS) e comunicado em 16 de maio. Seguindo protocolos sanitários firmados com parceiros comerciais como China, União Europeia, Canadá e África do Sul, o Brasil decretou um autoembargo imediato, por 60 dias, às remessas de produtos avícolas de todo o território nacional para esses mercados.
Diversos outros países importadores também impuseram restrições, entre eles Chile, Argentina, Uruguai, México e Coreia do Sul, segundo o Ministério da Agricultura. A tendência é que essa lista continue crescendo. Em casos como Japão, Emirados Árabes e Arábia Saudita, o Brasil mantém acordos que permitem a regionalização dos embargos, o que pode evitar bloqueios totais.
“A gripe aviária representa um desafio em um momento de margens positivas e estabilidade produtiva no setor. Alguns grandes processadores, com unidades em outras regiões, poderão redirecionar os embarques a partir de áreas não afetadas. Ainda assim, parte do excedente deve ser absorvida pelo mercado interno no curto prazo, o que pode pressionar os preços. Esse cenário pode, inclusive, impactar temporariamente os mercados de boi, suíno e negócios, dependendo da duração dos embargos e da eventual ocorrência de novos casos”, afirma Cesar de Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA.
A carne de frango brasileira é uma proteína animal com maior diversificação de mercados. Em 2024, os oito principais destinos responderam por 58% das exportações totais, sendo a China a maior compradora (13% da receita). No entanto, nas categorias como miúdos, a concentração é elevada: China (44%) e África do Sul (15%).
"O desfecho dessa situação dependerá da contenção de novos focos e da eficácia das negociações para regionalização dos embargos. Fatores como a explosão dos mercados internacionais, a resiliência operacional das grandes especificações, o cenário atual de custos e a liderança do Brasil no comércio global de carne de frango ajudar a amortecer os impactos negativos", conclui Alves.
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