Excesso de oferta derruba preços do frango e leva governo da Indonésia a intervir no mercado
O mercado avícola da Indonésia atravessa um período de forte desequilíbrio, marcado pela queda expressiva nos preços do frango vivo em diversas regiões do país. Diante desse cenário, o Ministério da Agricultura decidiu intervir para tentar conter a desvalorização e reduzir os impactos sobre os produtores.
Dados oficiais indicam que, em áreas de Java Central, o preço pago pelo quilo do frango vivo chegou a 15.000 rupias indonésias (US$ 0,92), valor significativamente inferior ao preço de referência estipulado pelo governo, de 19.500 rupias (US$ 1,08). Situação semelhante tem sido registrada em outras regiões, refletindo um problema generalizado no setor.
Segundo o Ministério, a crise é resultado de um excesso de oferta no mercado interno, combinado com uma demanda enfraquecida. O desequilíbrio tem levado parte das empresas a operar abaixo do ponto de equilíbrio, agravando a situação financeira dos produtores.
Para autoridades do setor, o impacto é ainda mais severo entre os pequenos e médios criadores, que possuem menor capacidade de absorver perdas prolongadas. “Trata-se de uma situação muito difícil para os produtores independentes”, afirmou Ketut Wirata, diretor de Saúde Veterinária Pública do Ministério da Agricultura, ao destacar a necessidade de medidas emergenciais para preservar a atividade.
Pressão sobre a indústria e medidas de contenção
A atuação do governo ocorre em duas frentes. De um lado, os produtores foram orientados a não comercializar o frango abaixo do preço de referência. De outro, representantes da indústria de processamento foram chamados a respeitar os valores estabelecidos nas compras de aves vivas.
A Associação Indonésia de Abatedouros de Aves (ARPHUIN), no entanto, rejeitou a ideia de manipulação de preços. O presidente da entidade, Seghit Bambudi, afirmou que as oscilações recentes refletem a dinâmica natural do mercado, sem interferência deliberada por parte dos processadores.
Como parte de um pacote mais amplo, o governo também decidiu suspender temporariamente a emissão de autorizações para novos projetos ou expansão da capacidade produtiva no setor avícola. A medida busca evitar o agravamento do excesso de oferta e deve permanecer em vigor até que os preços retornem aos níveis considerados adequados.
A decisão foi bem recebida por representantes da cadeia produtiva. Para Hari Suhada, ligado ao segmento de nutrição e produção animal, a iniciativa demonstra um esforço concreto das autoridades em apoiar o setor em um momento de fragilidade. Segundo ele, o adiamento de novos investimentos é necessário para permitir a recuperação dos preços e restabelecer o equilíbrio do mercado.
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