Trigo fecha com mínimas em 4 anos na CBOT e mercado pressionado no Brasil

Publicado em 19/09/2014 16:28 371 exibições

Nesta sexta-feira (19), o mercado da soja encerrou a sessão regular com os menores preços em quatro anos na Bolsa de Chicago. O recuo é reflexo de uma demanda menor nesse momento pelo cereal norte-americano frente às projeções de uma produção mundial recorde. 

De acordo com os últimos números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), a safra global deverá totalizar 719,95 milhões de toneladas nesta temporada. Assim, os estoques deverão registrar um aumento de 24,3%.  

"Está difícil de vermos os compradores adiantando suas operações frente ao crescimento das safras e dos preços atingindo novas mínimas", disse o analista chefe da Northstar Commodity Investiment Co, de Minneapolis, Mark Schutz, à agência internacional Bloomberg. 

O boletim semanal de vendas para exportação divulgado nesta quinta-feira (18) pelo USDA trouxe números de 314,532 mil toneladas para o trigo na semana que terminou em 11 de setembro, 54% a menos do que o registrado na semana anterior e 15% menor do que a média das últimas quatro semanas. 

Nesta sexta-feira (19), os principais vencimentos fecharam o dia recuando mais de 14 pontos e os dois primeiros vencimentos - dezembro/14 e março/15 - perderam o patamar dos US$ 5,00 por bushel, terminando os negócios em US$ 4,74 e US$ 4,91, respectivamente. Na semana, a baixa foi de 4,82% e 1,80%. 

Mercado Interno

No Brasil, a situação é semelhante. A nova safra se desenvolve em excelentes condições e, de acordo com o último levantamento da Safras & Mercado, deve totalizar 7,845 milhões de toneladas, tida como a maior da história. Os estoques de passagem, por sua vez, estão estimados em 1,825 milhão de toneladas. 

Por outro lado, ainda de acordo com números da Safras, as importações brasileiras do cereal neste ano podem chegar a 5,5 milhões de toneladas, o que eleva o total de produto disponível no país a 15,170 milhões de toneladas. Porém, o consumo - considerando o uso humano, a produção de ração e sementes - está projetado em 11,7 milhões de toneladas, o que faz com que o excedente chegue a 3,47 milhões de toneladas.

Com esse quadro e com uma referência cada vez mais baixa em Chicago, os preços registram uma expressiva queda também no mercado interno. Na região de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, por exemplo, há um ano a saca de trigo estava sendo negociada a R$ 55,00 por saca, preço que, agora, vale cerca de R$ 26,00. 

"Esse ano, a exportação praticamente não andou. Grandes exportadores não conseguiram completar nem um navio de trigo para mandar e, com isso, o produto ficou todo no mercado interno. O governo ainda zerou a TEC para trazer produtos de fora e os moinhos foram buscar produto de fora mais barato e nossa mercado ficando cada vez maior", explica o operador de mercado Gean Kuhn, da New Agro Commodities. 

Para o operador, uma das soluções para esse momento de mercado baixista, seriam operações do governo federal, como leilões de Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor) ou a abertura de novas exportações não contabilizadas ainda. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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