Seca, coronavírus e retenciones: Argentina tem o pior início de colheita da soja em anos

Publicado em 24/03/2020 15:15 e atualizado em 24/03/2020 21:05
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Maior planta processadora de soja do mundo, que fica no país, tem problemas de abastecimento

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A Argentina vem tendo um de seus piores inícios de colheita da soja dos últimos anos, sentindo a combinação da pressão de uma quebra na safra em função de adversidades climáticas, aumento das retenciones sobre a soja e agora os efeitos da pandemia do coronavírus. E não só o período é difícil para os produtores, mas para toda a indústria do complexo soja. 

O país é, afinal, o maior exportador mundial de farelo e óleo e agora vê sua competitividade cair ainda mais diante das limitações logísticas que as medidas de contenção do vírus estão impondo. O governo federal determinou uma quarentena geral até o final de março em todo território argenitino para evitar a disseminação ainda mais rápida do coronavírus, ao passo que as processadoras buscam manter suas operações de produção e distruição dos derivados. 

No entanto, apesar das imposições de algumas empresas, o Decreto de Necessidade e Urgência 297 do governo argentino assegura isenção das medidas de isolamento ao transporte de cargas de grãos e cereais do país. "As atividades relacionadas à produção, distribuição e comercialização da agricultura e pesca", segundo os documentos do governo, foram consideradas, portanto, essenciais e deveriam ser mantidas de uma forma geral.

Mais do que isso, como informa a agência internacional de notícias Bloomberg, as atuais medidas são de que todos os elos das cadeias de suprimento mantenham seus colaboradores seguros. 

"É claro que tememos de que os terminais de grãos sejam afetados, mas estamos tomando todas as medidas para poder operar normalmente", disse Gustavo Idigoras, presidente do grupo de esmagamento e exportação Ciara-Cec, à Bloomberg. 

Na última semana, a Argentina já havia registrado o fechamento de cinco terminais na cidade de Timbués, ao sul da província de Santa Fé, o que provocou uma importante reação no mercado da soja na Bolsa de Chicago. Com o fluxo comprometido, analistas acreditam na migração da demanda, principalmente por farelo de soja, para os EUA. Na mesma ocasião, os futuros do farelo chegaram a subir até 5% na CBOT. 

De aproximadamente 70 municípios da região dos Pampas vem a informação de que muitas cidades já não permitem mais que os produtores abasteçam seus caminhões para levar os grãos aos portos, ainda como explica Idigoras. Uma das plantas que não está podendo ser abastecida, inclusive, é a maior do mundo, representada por uma joint venture entre a Glencore PIc e a local Vicentin SAIC. 

Paralelamente, há 7 mil trabalhadores de esmagadoras de soja que ameaçam iniciar uma greve caso os portos e exportadores não determinem, o quanto antes, medidas de segurança. No entanto, ainda segundo o executivo argentino ouvido pela Bloomberg, todos os elos da cadeia logística de grãos na Argentina já adotaram os protocolos governamentais - firmados entre os Ministérios da Agricultura e Transportes - para a proteção de seus funcionários. 

Guillermo Wade, gerente da câmara portuária e marítima CAPyM, que opera no exterior no Rio Paraná, também ouvido pela Bloomberg, resume a situação como uma "maratona de problemas".

Assim como acontece no Brasil, as insituições ligadas à produção e distribuição agrícola e pecuária da Argentina intensifircaram as medidas de higiene e prevenção ao contágio do coronavírus, bem como promoveram uma articulação para que tudo continue fluindo normalmente. Entretanto, problemas pontuais continuam a aparecer. 

COLHEITA DE GRÃOS

Embora as questões logísticas sigam no foco das notícias na Argentina também, como em todo o mundo, a colheita da soja e do milho continua acontecendo no país. Os campos argentinos registraram algumas chuvas nos últimos dias, depois de quase um mês de tempo seco e temperaturas muito elevadas, condições que já tiraram produtividade de ambas as culturas. 

Os últimos dados da Bolsa de Cereais de Buenos Aires indicam uma safra de milho em 50 milhões de toneladas e 52 milhões para a soja. 

"Os primeiros rendimentos registrados mostram grande variabilidade e será necessário esperar até que a colheita ganhe mais força para que tenhamos maior precisão nas médias regionais", diz a bolsa. Além disso, a instituição afirma ainda que, embora as precipitações tenham favorecido boa parte de áreas produtoras, elas chegaram a tarde a algumas outras. E por isso, não descarta a possibilidade de que novos cortes em sua projeção para a safra da oleaginosa.

Com informações do Clarin, Infocampo, Revista Chacra e Bloomberg. 

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Por:
Carla Mendes| [email protected]
Fonte:
Notícias Agrícolas

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