Remodelando o comércio de grãos? China muda a receita de ração animal

Publicado em 21/04/2021 10:13 e atualizado em 21/04/2021 10:51 10729 exibições

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Por Dominique Patton e Hallie Gu BEIJING

A China emitiu diretrizes na quarta-feira recomendando a redução de milho e farelo de soja na ração de suínos e aves, uma medida que poderia reformular o fluxo de grãos para o maior comprador mundial de milho e soja.  

Os fabricantes de ração chineses já estão trocando o milho por alternativas mais baratas, especialmente o trigo, depois que o grão subiu mais de um terço no ano passado, após uma queda na produção de milho e nos estoques do estado.  

As importações de milho, usado em grande parte na alimentação animal, pela China aumentaram na tentativa de compensar o déficit doméstico. O Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais disse em um comunicado em seu site que as novas diretrizes visam melhorar o uso de matérias-primas disponíveis e criar uma fórmula que se adapte melhor às condições da China.  

A China consome cerca de 175 milhões de toneladas de milho para ração animal a cada ano, mas isso deve aumentar à medida que mais gado é criado em fazendas intensivas com ração industrial. Também importa cerca de 100 milhões de toneladas de soja para transformar em farelo de soja para animais, mostram dados do Ministério da Agricultura.  

O ministério disse que arroz, mandioca, farelo de arroz, cevada e sorgo também eram alternativas adequadas ao milho, enquanto farelo de colza, farelo de algodão, farelo de amendoim, farelo de girassol, grãos secos de destilaria, farelo de palma, farinha de linhaça, farelo de gergelim e subprodutos do processamento de milho eram boas opções para substituir o farelo de soja.  

“As diretrizes podem afetar apenas as empresas que não acompanharam a tendência de substituição”, disse Li Hongchao, analista sênior do site de comércio Myagric.com.  

O maior uso do trigo na ração, que tem mais proteína do que o milho, já reduziu a demanda por farelo de soja. Um trader de produtos de trigo, no entanto, disse que isso poderia ter "um impacto significativo". "Muitos clientes produtores de ração ainda estão usando bastante milho. Eles reduziram o uso, mas não cortaram o milho completamente", disse ele, recusando-se a ser identificado porque não estava autorizado a falar com a mídia.  

O ministério também forneceu algumas formulações de rações sugeridas, dependendo da região do país. Essas incluíram a redução de milho em pelo menos 15% na dieta de suínos no Nordeste da China usando arroz e farelo de arroz, ou usando sorgo, farinha de mandioca, farelo de arroz e cevada em substituição ao milho na ração de suínos no sul da China.  Em algumas regiões, é recomendado eliminar completamente o farelo de soja e substituí-lo por outras refeições.  

Para ração apenas para suínos, se a produção de suínos voltasse aos níveis no final de 2017 e os produtores de ração substituíssem milho e farelo de soja de acordo com as proporções recomendadas, isso cortaria o uso de milho em 40-50 milhões de toneladas e reduziria o uso de farelo de soja em 4 -8 milhões de toneladas, de acordo com Lu Min, analista da corretora Zhaojin Futures, citando uma estimativa aproximada. 

Analistas e fontes da indústria disseram, no entanto, que seria difícil dar estimativas totais sobre exatamente quanto milho e farelo de soja serão cortados seguindo as diretrizes, como por exemplo, em algumas das dietas recomendadas, o uso de milho é cortado, mas mais DDGs da proteína do milho e aminoácidos são sugeridos, que são feitos de milho.  

“Além disso, esta é apenas uma sugestão para as empresas, não obrigatórias (regras) que devem implementar. Se as empresas vão optar por substituir ou não depende do custo”, disse Wang Xiaoyang, analista da Sinolink Futures, acrescentando que, na realidade, alguns alimentam os produtores já substituíram milho e farelo de soja em proporção muito superior à recomendação oficial. “O custo é o fator fundamental”, disse Wang. 

Leia Mais:

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+ Milho: Publicação da China reduz ímpeto das cotações, mas CBOT segue sustentada

Fonte:
Reuters

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8 comentários

  • Marco Antonio Canello Bragança Paulista - SP

    Leiam a fonte de informação abaixo da manchete. Isso diz tudo.

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  • Cláudio Jesus Rio de Janeiro - RJ

    Interessante a sessão de comentários. Muitos dizendo que é mentira e improvável. Parecem que esqueceram com quem estão lidando e abraçaram o negacionismo.

    A China em 1980 era o mosquito que cercava o Japão (ainda lembram dessa pocilga?) e agora manda no comércio internacional. Não os culpo, muitos daqui vivem da soja e do milho mas não venham falar que a mudança para outras matérias nutricionais é extremamente improvável. Clássica indústria brasileira sendo tonta e ignorando os sinais óbvios de mudança. Onde estão nossas saudosas indústrias de tempos antigos? Roupa, chapéus, carros etc? Ficaram no passado.

    Assim, deduzo que os "fazendeiros", como bons brasileiros, preferem insistir na receita que vem dando certo e continuar investindo nela. Não vão parar de lucrar mas não vão lucrar o máximo. E o mercado não pensará duas vezes em nos ofuscar.

    Como foi o látex, algum "paiseco", seja por política econômica seja por influência chinesa direta, acabara se adequando às novas propostas. "Como assim vão fazer pneus de carros com um óleo que sai da terra? Esses alemães vão querer nos vestir sem usar usar roupa" - alguém da indústria de latex do século passado deve ter dito sobre a probabilidade de usarem petróleo pra fazerem pneus e roupas. A sociedade muda e os humanos se quiserem também.

    A questão não é fazer ração do jeito mais fácil e sim variar os imputs na cadeia de produção alimentar. Oras, ficar a mercê de 2 fontes que se mostraram muito instáveis e pior do que ficar a mercê de 4 ou mais fontes. O milho encareceu? Taca-lhe trigo. Soja ficou cara? Talvez a farinha de mandioca da oceania seja mais vantajosa.

    A China cria, portanto, uma indústria alimentícia de extrema modularidade que aceita imputs de diversas regiões e produtos que, com absoluta convicção, passarão pela Nova Rota da Seda (Ásia Extrema, Ásia Média, África e Europa) e aumentará a riqueza chinesa e sua influência pelo mundo.

    Uma pena nossos fazendeiros pensarem que é só uma questão de mídia chinesa e que é impossível fazer vaca comer trigo. Mais uma vez ficaremos olhando encantados como a vaca chinesa é mais gorda e o pneu alemão mais eficiente.

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    • Leodir Vicente Sbaraine Terra Roxa - PR

      A questão não é essa sr. Cláudio, aonde irá se produzir tanto trigo e outros cerais pra substituir o milho em tão pouco espaço físico (terra agricultavel) no mundo, e com valor nutricional parecido???..., Falar até papagaio fala, comida não é carro, látex, roupas etc, etc, ... Alimenta- se no mínimo 3x ao dia ou passa fome...

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    • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

      Sr. CLAUDIO JESUS, o seu comentário denota que você é letrado. E o que me intriga é a discussão em alimentar animais e qual a forma mais correta. </p><p>Enquanto isso esquecem-se que o milho é a commodity com o maior volume da produção mundial. Depois vem o arroz e o trigo. </p><p>Agora, vem a pergunta que não quer calar: ESSA PRODUÇÃO MUNDIAL ESTÁ SENDO DESTINADA À ALIMENTAÇÃO DE HUMANOS OU ANIMAIS? </p><p>Veja, que qualquer mudança brusca na destinação dessas commodities, vai faltar no &quot;outro prato&quot;. </p><p>SIMPLES ASSIM !!!

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  • Bennie Berenschot Sint-Oedenrode

    Um bom nutricionista ja teria procurado alternativas. Existem muitas alternativas mas a quantidade disponível de trigo no mercado nunca foi tão baixa. O preço já aumentou bastante no mercado internacional.

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  • Renato Santi Locatelli Alvorada do Sul - PR

    Pura balela ... A China não detém tantos substitutos para o milho e soja, a importação desses também não se ocorrem do dia para a noite, pois tem todo um processo para acontecer. E que cada vez o produtor está atento ao mercado tendencias e caindo menos nas mentiras do mercado.

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  • Roberto Calzolari Nova Canãa do Norte - MT

    Quer dizer que havia disponível no mundo.

    Algo entre 45 a 50 milhões de toneladas de produtos alternativos, para a alimentação animal.

    E ninguém sabia, e a china descobriu isto agora??!! É uma idéia bem bonita, mas meio fantasiosa ao meu ver.

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    • Carlos William Nascimento Campo Mourão - PR

      Trouxa não acaba. Raleia. Mas tá raleando bastante. Cadê os analistas que mandava vender a soja? Aqueles que diziam que o óleo de soja iria derrubar o preço do grão?

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    • FABIANO DALL ASTA Canarana - MT

      Estão certos os chineses. Estou pensando em tomar água sem usar a água !

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    • Adilson Garcia Miranda São Paulo - SP

      Toda vez que os produtores rurais do hemisfério sul passam por problemas climáticos, logo depois o mesmo ocorre no hemisfério norte, portanto o cavalinho arraiado vai estar muito mais valorizado no segundo semestre. A cooperativa, quando faz contrato de venda futura de grão, não permite flexibilização, com esse negócio de prêmio, ou multa, tem que entregar na quantidade, data e valor combinado. E às vezes não compensa fazer um contrato muito vantajoso em outra cooperativa, pois na hora que entrega o grão, o classificador faz um desconto abusivo, saindo muito fora da média. Aí o que ia ganhar no contrato, perde no desconto.

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  • TiagoC Luís Eduardo Magalhães - BA

    Isso é balela.... o golpe está aí, cai quem quiser! Quem faz parte da cadeia produtiva sabe q não existe outra forma mais barata para ter o mesmo custo benefício quanto ao milho e soja! Podem mexer um pouquinho mas correm o risco de travar seus plantéis

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  • Carlos Alberto Erhart Sulina - PR

    Quero ver onde vão achar tanto trigo assim!

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  • Gerion Dahlke

    Bom dia ... Soja, milho, trigo, tudo relacionado ao Agro, vai continuar valorizando.

    Todos os estoques estão muito baixos.

    Não existe alternativas pra substituir soja e milho na ração neste momento.

    Não se deixem influenciar por notícias vindas da China.

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    • Arlindo Pontremolez Varalta Ibirarema - SP

      Esses chineses mentem mais que o Lula. </p><p>Creio que uma boa ideia para derrubar o consumo de soja e milho da China seria obrigar o seu povo a fazer jejum.!!! </p><p>Umas três vezes ao mês e já teria 10% de redução de importação de grãos. </p><p>Ou seria melhor que deem só água para os porcos e frangos?? ?. </p><p>O sr.. Ping tem várias opções.

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