Uralchem visa ativos de grãos da Viterra e Cargill, caso empresas deixem a Rússia
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Por Polina Devitt
MOSCOU (Reuters) – A produtora russa de fertilizantes Uralchem estaria interessada em comprar os ativos das tradings globais de grãos Viterra e Cargill na Rússia, caso as duas empresas optem por deixar o país, disse a companhia de adubos em carta vista pela Reuters.
Porta-vozes das operações russas da Cargill e da Viterra disseram que suas respectivas empresas não planejam sair da Rússia. A Uralchem se recusou a comentar.
Dezenas de empresas estrangeiras, incluindo o McDonald’s , deixaram a Rússia desde que Moscou enviou milhares de soldados para a Ucrânia em 24 de fevereiro. No entanto, o abastecimento de alimentos não é alvo de sanções ocidentais, e a Viterra e a Cargill continuam operando na Rússia.
Em uma carta enviada pelo presidente-executivo da Uralchem, Dmitry Konyaev, ao presidente russo Vladimir Putin em 21 de novembro, a empresa pediu que apoiasse sua proposta, dizendo que o comércio de grãos da Viterra e da Cargill se sobrepõe aos negócios da Uralchem.
Em 22 de novembro, Putin assinou “concordo” na carta e instruiu o primeiro-ministro, Mikhail Mishustin, a considerar a proposta.
A existência da carta foi relatada pela primeira vez pelo jornal russo Kommersant nesta quinta-feira.
A Rússia é o maior exportador mundial de trigo e um importante fornecedor de fertilizantes para os mercados globais.
A Uralchem quer se tornar um comerciante de grãos porque muitos agricultores russos que vendem grãos no exterior por meio de empresas estrangeiras de commodities, como Viterra e Cargill, compram fertilizantes da Uralchem, disse uma fonte da empresa à Reuters.
“Os ativos dessas empresas oferecem um bom efeito de sinergia. Mas até agora estamos falando apenas de negociações, que podem ser iniciadas caso haja interesse de Viterra e Cargill”, disse a fonte.
A Viterra é copropriedade da gigante suíça de mineração e comércio Glencore.
Não é a primeira tentativa de chamar a atenção de Putin para os comerciantes globais de commodities na Rússia. Em setembro, o Russian VTB Bank, atingido por sanções, em uma carta a Putin pediu que as atividades dos comerciantes de grãos ocidentais na Rússia fossem restringidas.
No entanto, o ministro da Agricultura, Dmitry Patrushev, disse no início de dezembro que a Rússia não pretende “expulsar” os comerciantes estrangeiros de grãos.
A Cargill possui uma participação no terminal de grãos no porto de Novorossiisk, no Mar Negro. A Viterra e a VTB compartilham a propriedade de um terminal de grãos no porto de Taman, no Mar Negro.
A Uralchem está construindo um terminal de exportação de amônia em Taman, que planeja inaugurar no final do ano que vem.
(Reportagem adicional de Gus Trompiz)
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