Receita projetada do milho em MT cobre COE, mas fica abaixo do custo operacional total em 26/27

Imea estima margem de 5,75% sobre o custo operacional efetivo, enquanto COT supera a receita em 4,04%; soja também entra na nova safra com custo total 6,96% maior
Publicado em 20/10/2026 11:53

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A receita projetada para o milho da safra 2026/27 em Mato Grosso ainda é suficiente para cobrir o Custo Operacional Efetivo (COE), mas fica abaixo do Custo Operacional Total (COT), segundo os dados mais recentes do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

O COE foi estimado em R$ 5.508,23 por hectare, alta de 14,61% em relação à safra anterior. Considerando o preço médio negociado em setembro, de R$ 48,69 por saca, e produtividade projetada em 119,64 sacas por hectare, a receita bruta foi calculada em R$ 5.824,88 por hectare.

Com isso, a receita fica 5,75% acima do COE. A margem, porém, desaparece quando são incorporadas depreciações e pró-labore: o COT alcança R$ 6.070,09 por hectare, valor 4,04% superior à receita projetada. 

Segundo o Imea, o aumento dos custos foi impulsionado pelo encarecimento dos principais insumos, despesas financeiras e custos de pós-produção.

O quadro deixa a rentabilidade mais sensível a novas perdas de produtividade ou a preços médios abaixo dos atuais patamares. Nessas condições, qualquer deterioração adicional pode ampliar a diferença entre receita e custo total.

Soja também entra na safra 2026/27 com custos mais elevados em Mato Grosso

O custo total da oleaginosa foi consolidado em R$ 8.210,31 por hectare, aumento de 6,96% frente à safra 2025/26. Entre os principais fatores de alta estão as operações mecanizadas, com avanço de 23,85%, e os defensivos agrícolas, que ficaram 10,10% mais caros.

O custeio da soja fechou em R$ 4.324,87 por hectare, alta de 3,43% entre as safras. A pressão só não foi maior porque o preço das sementes recuou 21,96% e ajudou a compensar parte do aumento das demais despesas.

Além do custo maior, o Imea chama atenção para o risco de produtividade diante do El Niño. A combinação entre despesas mais altas e possibilidade de rendimento menor tende a aumentar a importância do preço de venda na definição da rentabilidade do produtor ao longo do ciclo.

O recorte mato-grossense reforça uma diferença importante entre margem operacional e rentabilidade total. No milho, a receita projetada ainda cobre o custo efetivamente desembolsado na operação, mas não alcança o custo operacional total quando entram outros componentes da atividade.

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