Lavouras de verão pioram no Paraná e Deral já registra 12,3 mil hectares em condições ruins
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As lavouras de verão da safra 2026/27 apresentaram uma piora nos indicadores de condição no Paraná ao longo da última semana. Levantamentos do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), mostram que a soma das áreas classificadas como ruins nas culturas de soja, milho primeira safra, feijão primeira safra e batata primeira safra passou de 150 hectares, em 13 de outubro, para 12.351 hectares, em 20 de outubro.
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O aumento de 12.201 hectares nos registros ocorreu em meio a um período de chuvas frequentes e dificuldades para o estabelecimento e desenvolvimento inicial das lavouras. A maior concentração está no núcleo regional de Pato Branco, no Sudoeste paranaense, onde foram contabilizados 11.802 hectares em condições ruins nas quatro culturas, equivalentes a 95,6% do total estadual registrado no levantamento mais recente.
Os números representam a classificação das condições das áreas cultivadas, e não uma estimativa de hectares perdidos ou de redução da produtividade. A soja respondeu pela maior parcela dos registros, com 8.513 hectares em condições ruins no levantamento de 20 de outubro, diante de nenhum hectare nessa classificação uma semana antes. No milho primeira safra, a área passou de zero para 2.673 hectares. O feijão primeira safra avançou de 150 para 1.011 hectares, enquanto a batata primeira safra passou de zero para 154 hectares.
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Pato Branco concentra registros de lavouras em condições ruins
A análise dos dados por núcleo regional revela que toda a área de soja, milho primeira safra e batata primeira safra classificada como ruim pelo Deral em 20 de outubro estava concentrada no núcleo de Pato Branco.
No caso do feijão, o núcleo respondeu por 462 hectares nessa condição, com registros também em União da Vitória, Laranjeiras do Sul e Toledo.
Em Pato Branco, 5% das áreas de soja já implantadas foram classificadas como ruins, enquanto 15% apresentavam condições médias e 80% estavam em boas condições. O plantio havia alcançado 54% da área prevista.
Para o milho primeira safra, a semeadura estava praticamente concluída, com 99% da área plantada. Das lavouras implantadas, 5% foram avaliadas como ruins, 25% como médias e 70% como boas.
No feijão primeira safra, com 60% da área semeada, a classificação indicava 10% das lavouras em condições ruins, 30% em condições médias e 60% em boas condições. A batata apresentava distribuição semelhante, com 10% em condições ruins, 30% médias e 60% boas, enquanto o plantio chegava a 55%.
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Assim, apesar do aumento das áreas com problemas, a maior parte das lavouras implantadas no núcleo regional ainda permanece classificada como boa.
A concentração dos registros oficiais em Pato Branco não significa, porém, que outras regiões do Paraná estejam livres de dificuldades. A ausência de áreas classificadas como ruins em determinados núcleos não elimina a possibilidade de problemas localizados ou de diferenças na identificação e no registro das condições das lavouras.
Excesso de umidade, frio e pouca luminosidade preocupam produtores
O boletim de Condições de Tempo e Cultivo do Deral, referente ao período de 13 a 19 de outubro, descreveu chuvas frequentes em diversas regiões do Paraná, especialmente nos primeiros dias da semana. A partir de 16 de outubro, a instabilidade perdeu intensidade, com melhora temporária do tempo e temperaturas mais baixas.
Nas lavouras de soja, o órgão registrou situações de encharcamento, germinação desuniforme, desenvolvimento inicial lento e até apodrecimento de plantas em áreas afetadas pelo excesso de água. Também houve relatos de erosão, acúmulo de água e dificuldades para a entrada de máquinas e realização dos tratos culturais.
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No milho, o Deral apontou que o excesso de água, a baixa luminosidade e os ventos fortes têm retardado o desenvolvimento inicial em determinadas áreas, com possíveis reflexos sobre o potencial produtivo. Para o feijão e a batata, o excesso de umidade também prejudicou o manejo e o desenvolvimento das culturas em parte do estado.
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+ Excesso de chuva já provoca perdas localizadas na soja e afeta desenvolvimento do milho no Paraná
No Sudoeste paranaense, Luiz Parsianello, trader na Cerealista R. N. Perusso, que acompanha produtores da região de Pato Branco e participa do quadro *Realidades da Safra*, do Notícias Agrícolas, relatou problemas observados durante visitas a propriedades e conversas com agricultores e agrônomos.
Segundo Parsianello, há áreas de soja e milho com solos saturados, plantas apresentando coloração verde-clara próxima do amarelo e desenvolvimento abaixo do esperado. Em algumas propriedades, também foram observados deslocamentos de sementes provocados pelas chuvas.
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O trader relatou ainda temperaturas de aproximadamente 5°C na manhã de segunda-feira (19) e 8°C na terça-feira (20), além de períodos prolongados de céu encoberto e baixa luminosidade.
Na avaliação de Parsianello, a combinação de excesso de umidade, temperaturas baixas e pouca luz pode estar dificultando o desenvolvimento das plantas e afetando a disponibilidade de nutrientes. A relação entre esses fatores e os sintomas observados, entretanto, ainda depende de avaliações técnicas específicas em cada lavoura.
Parsianello também manifestou preocupação com o possível comprometimento do potencial produtivo das áreas mais afetadas, embora ainda não exista uma estimativa consolidada de perdas para a região.
Recuperação das lavouras dependerá das próximas condições de desenvolvimento
A piora nos registros de condição ocorre em uma fase importante de estabelecimento das culturas de verão. Parte das lavouras ainda está em germinação ou nos estágios iniciais de desenvolvimento vegetativo, quando problemas de implantação e de crescimento podem exigir atenção adicional dos produtores.
A continuidade do acompanhamento será importante para verificar se as áreas atualmente classificadas como ruins conseguirão se recuperar ou se os problemas observados terão efeitos duradouros sobre a produtividade.
O avanço do plantio também seguirá como ponto de atenção, já que períodos prolongados de excesso de umidade podem restringir a entrada de máquinas e comprometer o calendário de implantação das culturas seguintes.
Por enquanto, os levantamentos do Deral mostram uma mudança expressiva na classificação das lavouras em apenas uma semana, concentrada principalmente no núcleo regional de Pato Branco. A dimensão de eventuais perdas produtivas, contudo, ainda não pode ser determinada a partir desses indicadores.
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